19.11.07

Mistérios de Clarice

Um pouco de Clarice, para alegrar (sim, Clarice também é alegria), o dia.



"Então fomos visitar o ministro e a família. Eles são todos ótimos. Só que são de outra espécie absolutamente. A senhora é do tipo da boa senhora, de boa família, simples, boazinha. mas eu vivo me contendo para não abrir a boca porque tudo o que eu digo soa "original" e espanta. Quero explicar o "original". Esta senhora tem pavor de original. Fomos ver uma exposição em de modelos em Viena (sem grande graça) e ela dizia: esse modelo é original mas é bonito. Falando de uma senhora inglesa que fazia muito esporte: ela é original, não gosto. Original é um palavrão. E quando eu quero dizer que não posso abrir a boca para não ser "original", quero dizer que se digo: que dia bonito, isso soa original. Quando falo, aliás, eles acham muita graça, ficam espantados, riem. E também procuro não me revelar. Por exemplo, ela, que é simples realmente, me disse: aquela casa de chá defronte do hotel é mal frequentada. Isso me avisando depois de eu ter ido lá. A casa de chá é muito bonitinha, com gente honesta comendo doce. O que se chama "mal frequentada" é porque não é frequentada pelos diplomatas e finuras da sociedade bernense. Então eu fecho a boca para nao dizer que continuo a frequentar. Os outros são simpáticos também. Mas eu me encontro com eles nos pontos em que começo a mentir. O que não importa, afinal."

Carta de Clarice, na bela biografia Clarice, uma vida que se conta, de Nádia Battella Gotlib.


E o link de um vídeo de Clarice no you tube. Além da última entrevista dela, disponível lá também.

http://br.youtube.com/watch?v=MT9I4tNnFDc

Um comentário:

Manu Sawitzki disse...

ah, claro: tá bonito o espaço aqui!!!
bjos!!