<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847</id><updated>2011-07-28T23:10:17.426-04:00</updated><title type='text'>a pequena morte</title><subtitle type='html'>Diário de bordo: mergulhos, afogamentos e salvamentos de histórias reais e imaginárias</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>76</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6209729179378277160</id><published>2010-05-19T11:35:00.010-04:00</published><updated>2010-05-19T12:00:56.864-04:00</updated><title type='text'>MUNDOS DE EUFRÁSIA II</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando eu vinha aqui neste blog desabafar as angústias e também as delícias de escrever &lt;em&gt;Mundos de Eufrásia&lt;/em&gt;, mergulhava tanto no processo criativo, que era como se o romance fosse ficar para sempre nesse estágio de latência: um livro por vir. Acho que seis anos pode ser tempo suficiente para causar essa impressão em um escritor, de uma quase eternidade. E agora é tão curioso para mim perceber que me afasto do livro, enquanto outras pessoas se aproximam dele. E são essas pessoas, que lêem o livro agora, que o trazem de volta para mim. Então é como se nos reencontrassemos. Sou grata a quem tem me dado esse presente. É como se fosse uma visita de uma pessoa muita querida, com quem convivi intensamente nos últimos anos, e de repente, não nos vemos mais como antes, apenas casualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço a querida escritora Adriana Lisboa (Autora dos belos livros &lt;em&gt;Rakushisha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Beijo da Colombina&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Sinfonia em branco&lt;/em&gt;, entre muitos outros, leituras fundamentaispara quem quer conhecer o que tem de bom e do melhor da nossa literatura contemporânea ) a quem admiro até não poder mais, e continuo depois mesmo não podendo, que escreveu um lindo e generoso post em seu blog Caquis Caídos sobre a sua leitura do meu romance. Deixo o link para quem quiser dar uma olhada. http://caquiscaidos.blogspot.com/2009/08/mundos-de-eufrasia.htm Não só neste post, vale a pena navegar pelo blog inteiro da Adriana, que é ótimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E às vezes me surpreendo com o e-mail, a mensagem, como há aqui em alguns comentários, com o retorno de pessoas que leram o livro, pessoas que não conheço, e não me conhecem, que o livro e a literatura nos uniu. Retorno de leituras que me trazem alento e força para continuar nessa rotina equilibrista e inconstante, onde não há muito descanso, nem a sensação de um ponto de chegada, mas de movimento incessante e renovado, onde o horizonte é sempre outro ponto de partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É incomparável saber, por esses retornos, que a história de Eufrásia está tocando algumas pessoas que lêem o livro. Mais incomparável ainda é ver que algumas pessoas acham que o livro não é apenas um romance histórico, que não se trata apenas de uma história de amor passada no século XIX, que a vida da Eufrásia é também a vida de prisões familiares, sufocamentos, decisões e escolhas fundamentais, abertura de caminhos, busca de liberdade. A minha maior alegria foi receber esse retorno, porque esse sempre foi o sentimento principal que pairava sobre a escrita. A fricção e o embate entre a vida pública e a privada, as demandas externas sufocando as internas, a necessidade de escapar das prisões sociais e familiares que enredam. A intimidade dentro da experiência maior e menor de nossas vidas. Isso tudo é mais vital, foi ao menos para mim, do que retratar uma época, personalidades históricas, uma história de amor. É maravilhoso, para o autor, quando o leitor toca nessa mesma tecla, que é a essência do livro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Quando essa nota essencial é ressoada pela leitura, é o escritor que vibra, podem acreditar. Não há nada mais belo do que uma música plenamente ouvida e absorvida em seu sentido mais íntimo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6209729179378277160?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6209729179378277160/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6209729179378277160&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6209729179378277160'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6209729179378277160'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2010/05/mundos-de-eufrasia-ii.html' title='MUNDOS DE EUFRÁSIA II'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-1868401445057276074</id><published>2010-01-06T15:14:00.004-04:00</published><updated>2010-01-06T16:19:20.952-04:00</updated><title type='text'>Novo romance</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;Interessante o movimento que se cria depois da publicação de um livro. Enquanto o autor, que era íntimo do livro, se afasta pouco a pouco dele, os leitores se aproximam. E são os leitores que, como quem chama uma pessoa para visitar um velho amigo, vão trazendo o livro de volta ao autor. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, neste momento, de seis meses de publicação, de um ano e meio de término da escrita, só agora sinto que um espaço interno está se abrindo para outro livro. Há muito tempo que venho pensando nele, desde o último ano da escrita de Eufrásia. Venho pensando, anotando, deixando de lado, pedindo para ele esperar um pouco que ainda não estava na hora, fui esquentando as idéias no banho maria, fermentando pouco a pouco as imagens e personagens que vinham surgindo, até que, em março de 2009, sentei diante do computador para fazer algum trabalho qualquer, e, quando vi, tinha escrito quatro páginas do novo romance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas quatro páginas me trouxeram o clima, a atmosfera, os personagens, a linguagem, o ritmo e o fluxo do universo da história. Fiquei muito animada e no dia seguinte tentei continuar. Não saiu nada. Mais outro dia: nada. Nessa época, estava mergulhada na revisão de Eufrásia, pensando no livro o tempo todo, no processo, na criação, com saudade dos personagens. Percebi que precisava ir dissipando aos poucos a intensa convivência com o livro e tudo que ele representou para mim para então pensar claramente no outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E agora, que ultrapassei as quatro páginas, vivo um momento de expectativa total. Aquele momento da criação em que você ainda não escreveu o suficiente para saber qual é "a cara" do livro, qual formato ele vai ter, e cada passo dado, cada nova página, é uma incrível descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E essa emoção da página em branco: como vou preenchê-la? Vou conseguir preenchê-la? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é uma delícia, e uma angústia também.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, confesso, estava com muitas saudades de escrever. De entrar no universo de uma história. De ser absorvida por ela. De "ver" os personagens, de ser assaltada por eles nos momentos mais inesperados, fazendo café, andando na rua, na fila do banco.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fui dar uma volta na praia com o único e exclusivo objetivo de pensar na história e nos personagens. Quando vi, estava anotando coisinhas no caderno enquanto andava,  gesticulando e falando alguma coisa pensando nos personagens, enfim, doida de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como é bom enlouquecer um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:130%;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-1868401445057276074?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/1868401445057276074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=1868401445057276074&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1868401445057276074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1868401445057276074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2010/01/novo-romance.html' title='Novo romance'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-1966978524052110801</id><published>2009-08-17T14:47:00.009-04:00</published><updated>2009-08-17T15:42:44.655-04:00</updated><title type='text'>MUNDOS DE EUFRÁSIA I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/SomnJPUATwI/AAAAAAAAADY/5idlyDCR5bU/s1600-h/mundo_de_eufrasia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 271px; FLOAT: left; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371007807787126530" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/SomnJPUATwI/AAAAAAAAADY/5idlyDCR5bU/s400/mundo_de_eufrasia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Venho hoje redimir o fato de não ter feito nenhum post ainda sobre o lançamento do meu primeiro romance, &lt;em&gt;Mundos de Eufrásia&lt;/em&gt;. Mas, antes de tudo, gostaria de falar um pouco dessa incrível realidade que é para mim ver e tocar o livro pronto. Quem leu alguns post anteriores desse blog, sabe do que estou falando. A jornada quase eterna da escrita, da pesquisa, da vida de fora e de dentro do livro. Mesmo depois que entreguei o romance à editora, eu continuei totalmente ligada a ele, nas reescritas, nas revisões, nas conversas, na saudade. E, um dia, fui à editora Record, para uma reunião, sabendo que Ele já tinha saído da gráfica, estava fora do forno, fumegante e a minha espera. Eu fui ao encontro Dele, num dos percursos mais estranhos de minha vida. Eu não sabia o que pensar, nem o que sentir. Já havia chorado um pouco em casa, antes de sair, de pura alegria e alívio. Era estranho, sobretudo, a sensação de que eu precisava ir até Ele, fazer uma trajetória tão externa e cotidiana (trânsito, táxi, dinheiro, hora), quando, na verdade, por seis anos, o caminho foi tão inverso. Eu não precisava ir a lugar nenhum para encontrar com Ele. Ele estava em mim e saía de mim, estávamos grudados um no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, quando cheguei à editora e o vi, (me deparei não apenas com um exemplar, mas com uma pilha de vários exemplares), tive um sentimento que até hoje não entendo direito: um enorme vazio misturado à uma brutal sensação de realidade. Talvez aquele dia tenha sido um dos mais concretos de minha vida. Eu não conseguia parar de tocá-lo. Como se fosse necessário confirmar a sua presença, ou confirmar que essa presença agora não mais me pertencia, estava absolutamente separada da minha pessoa. Acredito que nem todo processo criativo é assim, não foi assim com o meu livro de contos. Sei lá, quanto mais um filho nos exige, mais nos damos a ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vai ver é isso. Esse dia, em que o vi, senti a primeira grande ruptura. O filho já estava crescido, alimentado, saudável, devidamente vestido e arrumado para partir para a vida. E foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltei com um exemplar para a casa, começando enfim a sentir a alegria devida: de ver o livro publicado, de apreciar a capa, que ficou linda, a diagramação caprichada, e tudo o mais. E quanto mais eu me aproximava de casa, mais o livro ia deixando os bastidores da criação, com as suas circunstâncias e contextos, e se tornando um livro, desses que a gente vê nas livrarias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Naquela noite, escrevi na minha agenda: hoje foi um dia concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-1966978524052110801?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/1966978524052110801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=1966978524052110801&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1966978524052110801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1966978524052110801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2009/08/mundos-de-eufrasia-i.html' title='MUNDOS DE EUFRÁSIA I'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/SomnJPUATwI/AAAAAAAAADY/5idlyDCR5bU/s72-c/mundo_de_eufrasia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6888330595654338619</id><published>2009-03-28T10:41:00.003-04:00</published><updated>2009-03-28T10:57:36.162-04:00</updated><title type='text'>Sobrevida II</title><content type='html'>Às vezes&lt;br /&gt;o dia não rende&lt;br /&gt;nada se resolve&lt;br /&gt;nada acontece&lt;br /&gt;nada brilha&lt;br /&gt;todas as coisas ganham o formato de fila no banco&lt;br /&gt;compras no mercado, números a somar e subtrair&lt;br /&gt;E de repente&lt;br /&gt;quando tudo parece perdido&lt;br /&gt;quando você já está acreditando&lt;br /&gt;que dessa semente não sai fruta&lt;br /&gt;que a poeira nunca mais deixaria os móveis&lt;br /&gt;que o piloto estava para sempre no modo automático&lt;br /&gt;Algo se rompe&lt;br /&gt;algo se quebra&lt;br /&gt;algo arrebenta&lt;br /&gt;algo explode&lt;br /&gt;de uma forma que&lt;br /&gt;por mais que doa um pouco ou muito&lt;br /&gt;você logo reconhece&lt;br /&gt;que é necessário&lt;br /&gt;romper&lt;br /&gt;quebrar&lt;br /&gt;arrebentar&lt;br /&gt;explodir&lt;br /&gt;para isso:&lt;br /&gt;uma frase ou duas&lt;br /&gt;apenas isso:&lt;br /&gt;uma frase&lt;br /&gt;que renda&lt;br /&gt;que resolva&lt;br /&gt;que aconteça&lt;br /&gt;que brilhe mais&lt;br /&gt;do que o dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6888330595654338619?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6888330595654338619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6888330595654338619&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6888330595654338619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6888330595654338619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2009/03/sobrevida-ii.html' title='Sobrevida II'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8266244841627073374</id><published>2009-03-28T10:35:00.005-04:00</published><updated>2009-03-28T10:59:12.172-04:00</updated><title type='text'>Sobrevida  I</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Às vezes&lt;br /&gt;Tem poemas que esbarram com a gente&lt;br /&gt;como numa esquina...&lt;br /&gt;quando estamos indo para um caminho&lt;br /&gt;o poema para outro&lt;br /&gt;e ambos no mesmo sentido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O dia inteiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia inteiro perseguindo uma idéia :&lt;br /&gt;vagalumes tontos contra a teia&lt;br /&gt;das especulações, e nenhuma&lt;br /&gt;floração, nem ao menos&lt;br /&gt;um botão incipiente&lt;br /&gt;no recorte da janela&lt;br /&gt;empresta foco ao hipotético jardim.&lt;br /&gt;Longe daqui, de mim&lt;br /&gt;(mais para dentro)&lt;br /&gt;desço no poço de silêncio&lt;br /&gt;que em gerúndio vara madrugadas&lt;br /&gt;ora branco (como lábios de espanto)&lt;br /&gt;ora negro (como cego, como&lt;br /&gt;medo atado à garganta)&lt;br /&gt;segura apenas por um fio, frágil e físsil,&lt;br /&gt;ínfimo ao infinito,&lt;br /&gt;mínimo onde o superlativo esbarra&lt;br /&gt;e é tudo de que disponho&lt;br /&gt;até dispensar o sonho de um chão provável&lt;br /&gt;até que meus pés se cravem&lt;br /&gt;no rosto desta última flor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claudia Roquette-Pinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8266244841627073374?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8266244841627073374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8266244841627073374&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8266244841627073374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8266244841627073374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2009/03/sobrevida.html' title='Sobrevida  I'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6244488467015968309</id><published>2009-03-08T15:28:00.006-04:00</published><updated>2009-03-08T15:31:43.565-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;e a saudade: esse pequeno sol no peito.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6244488467015968309?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6244488467015968309/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6244488467015968309&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6244488467015968309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6244488467015968309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2009/03/blog-post.html' title=''/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8272348021119119535</id><published>2009-03-08T12:02:00.002-04:00</published><updated>2009-03-08T12:05:22.367-04:00</updated><title type='text'>O RETORNO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Devo desculpas aos meus 3 queridos e hipotéticos leitores deste blog, se esses já não desistiram, por este tempo todo sem postagem. As causas foram duas: a primeira, muito trabalho e pouco tempo, apesar da vontade. A segunda, mais cruel: quando enfim ia postar, o blogger simplesmente não me reconhecia. Não consegui entrar no meu próprio blog por alguns meses. Depois de alguns e-mails de socorro, consegui resolver o problema e aqui estou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que queria ter escrito aqui, e escrevo agora, é sobre a incrível diferença atmosférica que sinto após ter terminado o romance. Sei que quando estamos envolvidos em um projeto, seja ele qual for, ele se torna na maioria das vezes a referência de nossos dias. Tudo flui e conflui por ele e para ele e assim foi com o romance. Mesmo quando eu não estava escrevendo, eu estava. Quer dizer, a relação com o livro continuava, apesar da distância. Antes, quando escrevia contos, eu entrava e saía das atmosferas de cada um talvez sem perceber intensamente o quanto eu era absorvida por elas. Com o romance sobre a Eufrásia Teixeira Leite, houve um momento crucial na escrita, em que percebi que precisava me aproximar mais dos sentimentos da personagem. O romance não é em primeira pessoa, mas eu precisava de uma voz íntima. Eu ou o livro, não sei, talvez, nós dois. O que sei é que só agora percebo como estava imersa no universo do livro, tantas vezes sombrio e melancólico, tão diferente da minha natureza. Estranho que eu parecia eu, como sempre fui, mas de algum modo a atmosfera de algumas passagens do livro, os sentimentos que essas passagens exigiam, as reflexões que despertavam, as feridas que eram necessárias sentir para escrever sobre elas, a tensão entre as relações dos personagens, as conseqüências de atravessar por essas relações e personalidades para escrever sobre elas, tudo isso e mais, foi me contaminando, me trazendo um sentimento introspectivo e fechado ao resto do mundo. Há claro aqui algum exagero, típico de quem tem júpiter na casa 1 (voltei a estudar astrologia, fazer o quê, conseqüências desses longos seis anos provavelmente). Mas o que posso dizer, além disso, se agora parece que uma cortina se abriu para uma janela ensolarada, se agora enxergo paisagens que antes deslumbravam diariamente diante dos meus olhos - completamente ignoradas? Não sei precisar exatamente o que houve, mas agora parece que há mais luz e leveza em tudo. Uma amiga espírita me disse que, como os personagens do livro existiram, foram pessoas como nós, os seus espíritos me assombraram (inspiraram?) esses anos todos, enquanto eu escrevia o livro. Ui. Incrível como eu, tão chegada a esses assuntos, nunca considerei essa possibilidade. Se foi assim, como diz o querido poeta, tudo vale a pena se a alma não é pequena. E espero que não tenha sido, que tenha sido-seja grande, alta, iluminada. Espero sinceramente que o livro tenha alcançado alguma veracidade e profundeza da existência de Eufrásia e dos outros, mas, principalmente ela, a incrível mulher que ela foi. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas queria dizer que, neste livro, o movimento da criação foi oposto ao do livro anterior, A pequena morte e outras naturezas, de contos. Com os contos, o mundo exterior me inspirava, eu observava as pessoas, as ouvia, tirava delas material para as histórias. Imagens, situações, música, paisagens, gente, aulas, textos, poesia, prosa, tudo, tudo me despertava, me inspirava, me imbuía. Havia um fluxo de troca muito interessante e bom, eu absorvia o exterior, tornava-o meu, e o devolvia através da escrita, de volta ao mundo. Neste romance, não. Foi tudo diferente. O movimento foi muito mais de dentro para fora, de dentro para dentro. O mundo não me inspirava. Não como antes. Houve, sim, músicas, filmes, livros, muitos livros, imagens da época, mas sempre de um modo muito introspectivo, dentro de um universo muito próprio. Eu também falava sobre o livro e trocava idéias com as pessoas, mas ainda assim todo o ato criativo era obscuro, moído (Não estou achando a palavra certa. Não quero dizer que eu me fechava de propósito. Na verdade, fazia grande esforço para me abrir). Talvez isso tenha acontecido porque a história se passava no século XIX, e eu precisei me transportar, o que acarretou em certo fechamento para este nosso mundo. O que me inspirava era apenas o que trazia o século XIX para mim. Não sei se isso é bom ou ruim, certo ou errado, mas acho curioso como a atmosfera e o universo da história determinaram o processo criativo, e não eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8272348021119119535?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8272348021119119535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8272348021119119535&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8272348021119119535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8272348021119119535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2009/03/o-retorno.html' title='O RETORNO'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-974873274031961356</id><published>2008-10-26T23:10:00.006-04:00</published><updated>2008-10-26T23:15:51.102-04:00</updated><title type='text'>Domingo de Clarice, com Clarice, por Clarice</title><content type='html'>"O processo de escrever é difícil?&lt;br /&gt;Mas é como chamar de difícil&lt;br /&gt;o modo extremamente caprichoso&lt;br /&gt;e natural como uma flor é feita".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice Lispector, Legião estrangeira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-974873274031961356?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/974873274031961356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=974873274031961356&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/974873274031961356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/974873274031961356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/10/domingo-de-clarice-com-clarice-por.html' title='Domingo de Clarice, com Clarice, por Clarice'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8782259907746132647</id><published>2008-10-13T12:54:00.002-04:00</published><updated>2008-10-13T13:03:58.354-04:00</updated><title type='text'>Lendo Caio, sobrevida.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trechos de &lt;em&gt;Para uma avenca partindo&lt;/em&gt; (O OVO APUNHALADO)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;" Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome." &lt;em&gt;(Trechos de Pequenas epifanias)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era." (&lt;em&gt;Além do Ponto&lt;/em&gt;, em Morangos Mofados)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de "minha vida". Outros fragmentos, daquela "outra vida". De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos." (Trecho de &lt;em&gt;Dois ou três almoços, uns silêncios&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8782259907746132647?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8782259907746132647/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8782259907746132647&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8782259907746132647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8782259907746132647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/10/lendo-caio-sobrevida.html' title='Lendo Caio, sobrevida.'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7198047513125689893</id><published>2008-10-05T10:03:00.011-04:00</published><updated>2008-10-05T20:12:22.085-04:00</updated><title type='text'>Por uma alegria genuína</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre que volto às aulas de criação literária na &lt;em&gt;Estação das Letras&lt;/em&gt;, tenho uma espécie de reencontro feliz com a literatura. Especialmente quando as turmas são compostas de pessoas que realmente gostam e se interessam pela escrita. E apenas ela. E só ela. &lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É de uma alegria quase infantil, o coração descoberto, ver, ouvir e falar com essas pessoas, de profissões tão diversas. Jornalistas, advogados, músicos, engenheiros, professores, psiquiatras, só para citar algumas, e também universitários, estudantes do ensino médio, gente de todas as idades e todos os tipos, que não querem necessariamente publicar um livro, não querem seguir carreira literária, não querem ganhar prêmios, ver os seus nomes impressos e nem tudo o mais que envolve os arredores literários. O que eles querem, então, afinal? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eles querem escrever.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sim, apenas isso. E olhe, não é pouco. Há muitos caminhos a serem descobertos a partir desse desejo. Vejo a alegria genuína neles ao descobrirem. Sinto a alegria genuína de estimular e acompanhar essas descobertas. Quando encontro pessoas assim, turmas assim, é uma festa. Uma verdadeira celebração da escrita. Sei que nem todas as turmas são desse jeito. Realmente, é deprimente quando vemos pessoas mais interessadas em afirmar o ego por meio da escrita do que em escrever, mais concentradas em atiçar vaidades e derrubar conquistas alheias do que mergulhar no processo da escrita, que é único, pessoal, intenso e extremamente vulnerável. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, fez dez anos que escrevi o conto que marcou, para mim, o início de um caminho mais pessoal na escrita. Escrevo desde pequena, mas a partir deste conto, &lt;em&gt;A hora do galo&lt;/em&gt;, comecei a ter mais consciência da linguagem, da textura da escrita, do ritmo, do que é buscar uma voz singular. Em 1996, este conto foi premiado em um concurso da RioArte. De 1993 a 1996, escrevi outros contos, tentando encontrar a minha voz, tentando escrever e apenas isso. Em 1996, questões pessoais, a falta de tempo, a incerteza em assumir a escrita de um livro, a doação do tempo necessário da vida para isso (não há ilusões: se você não é rico ou algo parecido, o tempo para escrever um livro não existe, ele precisa ser cavado no cotidiano. Ele precisa ser retirado de algum lugar), e tantas outras dúvidas me afastaram da escrita. Estava me formando em Letras e em Teatro, e dois futuros incertos me pesavam. Um amigo então me falou do concurso, e nem pensei em participar. Me inscrevi no último dia, com o pensamento místico de que o resultado daquele concurso seria um sinal para mim. Apenas isso, um sinal. Eu não estava pensando em "vitória", em nada disso. Naquele momento de escolhas e definições, eu apenas precisava desesperadamente saber se o meu amor pela literatura era de alguma forma correspondido. Se não era platônico, com tinham sido outros amores. Como a música, como até o teatro parecia ser. Então, quando saiu o resultado e o meu conto foi premiado, foi muito mais do que qualquer vitória, mais do que ter o sentimento de que ali havia um caminho, foi como ouvir, num sussurro, "eu também". Podia ser um amor bandido, esquisito, incerto, repleto de inseguranças e expectativas, mas ele existia. E, às vezes, só saber que o amor existe já basta. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro que se o conto não tivesse sido premiado, eu continuaria a escrever, e cedo ou tarde viriam outros sinais para as minhas dúvidas e angústias. Mas era como se eu tivesse forçado o destino... Se eu contar até dez e uma mulher grávida virar a esquina... se hoje fizer sol... se o telefone tocar daqui a pouco... se... se... por acaso ou por sorte, aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 1996 a 1998, escrevi e reescrevi os contos pensando em um possível livro. Em 2000, o livro foi publicado. E de lá até hoje, depois de muitas lágrimas, suor e cerveja, a escrita está cada vez mais frequente em meus dias, ganhando pouco a pouco mais espaço e tempo, mais tranquilidade e prazer. E nesse tempo todo, desde que escrevi sem a menor expectativa de entrar no "mercado", anos atrás, até agora que escrevo com a consciência dele, não há a menor dúvida que é a escrita que continua movendo tudo. É a escrita. E só ela. Por isso, a alegria genuína ao encontrar pessoas que escrevem porque escrevem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ironia de tudo isso é que, com ilustres exceções, encontro essa alegria genuína com a literatura mais em pessoas que não tem pretensões literárias, não se dizem escritores e não publicam livros. Como eu disse, pessoas das mais diversas profissões. Não vejo essa alegria quando vou a um congresso, não vejo em escritores falando de seus livros e seus processos de criação. Novamente, com ilustres exceções, não vejo nem mesmo um rastro de fagulha. Vejo um bocejo em tudo. Ou um &lt;em&gt;savoir-faire&lt;/em&gt; forçado em relação à escrita. É certo que cada um tem seu jeito de lidar com cada coisa. Mas sinto falta de partilhar a alegria e mesmo as angústias de um amor em comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez hoje eu esteja muito sentimental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer forma, Cortázar dizia o seguinte, "Com toda a honestidade, declaro que nas poucas vezes em que precisei ficar em tais sanatórios de literatura voltei para a rua com um enorme desejo de tomar vinho num bar olhando as garotas passando nos ônibus. E a cada dia me parece mais lógico e mais necessário ir à literatura - seja na condição de autor, seja na de leitor - como se vai aos encontros mais essenciais da existência, como se vai ao amor e por vezes à morte, sabendo que fazem parte indissolúvel de um todo e que um livro começa e termina muito antes e muito depois da sua primeira e última palavra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como é bom isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****************                     *****************&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7198047513125689893?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7198047513125689893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7198047513125689893&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7198047513125689893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7198047513125689893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/10/por-uma-alegria-genuna.html' title='Por uma alegria genuína'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-603859330172998157</id><published>2008-09-25T16:38:00.007-04:00</published><updated>2008-09-25T20:38:25.997-04:00</updated><title type='text'>Para iluminar o dia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;OUTRA RECEITA&lt;/strong&gt; (Armando Freitas Filho )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da linguagem, o que flutua&lt;br /&gt;ao contrário do feijão à João&lt;br /&gt;é o que se quer aqui, escrevível:&lt;br /&gt;o conserto das palavras, não só&lt;br /&gt;o resultado final da oficina&lt;br /&gt;mas o ruído discreto e breve&lt;br /&gt;o rumor de rosca, a relojoaria&lt;br /&gt;do dia e do sentido se fazendo&lt;br /&gt;sem hora para acabar, interminável&lt;br /&gt;sem acalmar a mesa, sem o clic&lt;br /&gt;final, onde se admite tudo –&lt;br /&gt;o eco, o feno, a palha, o leve –&lt;br /&gt;até para efeito de contraste&lt;br /&gt;para fazer do peso – pesadelo.&lt;br /&gt;E em vez de pedra quebra-dente&lt;br /&gt;para manter a atenção de quem lê&lt;br /&gt;como isca, como risco, a ameaça&lt;br /&gt;do que está no ar, iminente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-603859330172998157?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/603859330172998157/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=603859330172998157&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/603859330172998157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/603859330172998157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/09/para-iluminar-o-dia.html' title='Para iluminar o dia'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-2381358655147766853</id><published>2008-08-27T14:08:00.007-04:00</published><updated>2008-08-27T15:13:15.187-04:00</updated><title type='text'>Atrás da estante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Peço desculpas aos meus três hipotéticos e queridos leitores pela ausência das postagens nestes últimos meses. Imaginem que depois de pôr o verdadeiro ponto final no romance, entrei em um estado de exaustão mental e cansaço físico. Especialmente nas mãos, os dedos pediram férias do teclado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também há outro motivo, talvez o mais forte: nem sempre há algo a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio, então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não podia deixar de postar aqui a respeito da minha Coluna no Jornal de literatura Rascunho, &lt;em&gt;Atrás da Estante&lt;/em&gt;, que fez a sua estréia neste mês de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oportunidade feliz de escrever esta coluna causou um rebuliço aqui dentro no momento em que eu não estava operando, mas &lt;em&gt;em pausa&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo, desde que eu comecei a dar aulas, tanto de literatura brasileira como de criação literária, que muitas questões referentes à leitura e à escrita, à vida literária e à crítica me provocam e me instigam. Geralmente, o percurso de volta para casa é preenchido mais com pensamentos do que com a consciência de atravessar a rua, pegar o ônibus, pagar a passagem, depois descer, abrir a porta, entrar. A discussão continuava aqui após a aula, se desdobrando em outros assuntos, travando relações com os textos, as idéias, as experiências dos alunos e com a minha própria experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, os dedos começaram a coçar, sem saber para onde ir a princípio. Este blog é o resultado desta coçeira. Um espaço para falar sobre literatura, abordando livremente os seus infinitos aspectos. Uma crônica postada aqui há bastante tempo é outro resultado, &lt;em&gt;O labirinto da estante&lt;/em&gt;. Outros posts também. Eu sabia que queria escrever ensaios, mas não ensaios muito acadêmicos, e também não sabia direito ainda o modo em que faria isso. Era só uma vontade, que ficou me rondando por um tempo, à espreita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, lembrei de um trecho da minha dissertação, em que discuti uma questão conceitual, transformando o "escritor tradicional" (termo de Julio Cortázar) e o filósofo Nietzsche em personagens, inserindo-os em determinada situação exemplar para a discussão. Às vezes fazemos sem querer coisas que são sinais e sementes para um caminho posterior. E assim nasceu a vontade de discutir questões literárias por meio de um ensaio-ficcional. E depois de alguns anos roendo e remoendo a vontade, surgiu a oportunidade no Jornal Rascunho, que sempre li e admirei, graças ao seu editor, Rogério Pereira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coluna se chama &lt;em&gt;Tiro nas letras&lt;/em&gt;, e é sobre o ensino de literatura nas escolas... Tortura que vivi na própria pele, como professora... Para mim, este é um assunto grave e urgente, comentado aqui e ali, mas ainda não discutido o suficiente para se tornar a grande questão que deveria ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai um trecho da Coluna:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tiro nas letras&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Raul Pompéia suicidou-se com um tiro, aos trinta e dois anos, em uma triste noite de natal, deixando uma controvertida obra composta de novelas, romances e crônicas, não podia prever que um século depois, um rapaz de dezessete anos tiraria um resumo do seu livro Ateneu da mochila, se sentaria na cadeira de uma escola com o jeans surrado de todos os dias, balançaria nervosamente os tênis durante toda a aula, enquanto respondia, valendo um ponto cada, questões desse tipo: a) O escritor naturalista Raul Pompéia morreu de tuberculose. b) O escritor romântico Raul Pompéia era homossexual. c) Raul Pompéia era natural do Rio de Janeiro. d) O escritor Raul Pompéia suicidou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do mesmo modo, Castro Alves quando escreveu Navio negreiro, aos vinte e um anos, tomado pela densidade poética e pela forte questão humana que envolvia a defesa da emancipação dos escravos, não poderia imaginar que cem anos depois trechos do seu poema seriam impressos na prova de uma matéria chamada Literatura Brasileira, e, muito menos, poderia supor, em seus maiores delírios, que as perguntas feitas a partir de sua obra seriam: 1) O autor deste poema pertence a qual fase do romantismo?, 2) Quais as características do movimento romântico expressas em Castro Alves?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito menos Augusto dos Anjos, que falava com a morte tão de perto em seus poemas a ponto de ela ter chegado cedo a sua vida na forma de uma pneumonia fatal, aos trinta anos, não poderia conceber que, dez décadas depois, uma professora em início de carreira, apaixonada desde sempre por seus versos de angústia e espanto, entrou em depressão profunda após uma aula de literatura, na qual por pressão do programa curricular, da carga horária apertada e da data da prova, teve que resumir a obra de seu poeta preferido em duas frases: Os versos mórbidos de Augusto dos Anjos ofenderam a métrica parnasiana e os bons costumes da lírica, ela ditou, trêmula, do livro didático para os alunos. O pessimismo do poeta aliado à ciência acusava a degradação humana por meio de analogias com processos químicos e biológicos, disse, lúgubre. De-gra, o quê, professora?, um aluno perguntou, enquanto copiava. De-gra-da-ção hu-ma-na, repetiu, perplexa, e, naquela noite, queimou em silêncio profundo as cinqüenta cópias do poema O Deus-verme, que havia escolhido e impresso para ler e discutir na aula. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler o restante, acesse a sessão Coluna em &lt;a href="http://www.rascunho.com.br/"&gt;www.rascunho.com.br&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.rascunho.com.br/"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-2381358655147766853?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/2381358655147766853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=2381358655147766853&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2381358655147766853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2381358655147766853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/08/atrs-da-estante.html' title='Atrás da estante'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6119666037445716973</id><published>2008-06-23T09:32:00.011-04:00</published><updated>2008-06-23T09:52:15.246-04:00</updated><title type='text'>Sob o sol</title><content type='html'>Tão dentro e perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rastro de mundo pousa nas pontas dos dedos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão fugidio e certo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrever marcando territórios internos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde ficamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ao mesmo tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos despedimos deles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passos fundos sob o sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Um impulso poético que às vezes me dói)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6119666037445716973?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6119666037445716973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6119666037445716973&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6119666037445716973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6119666037445716973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/06/sob-o-sol-um-impulso-potico-que-s-vezes.html' title='Sob o sol'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5426493799076019802</id><published>2008-06-15T18:54:00.003-04:00</published><updated>2008-06-15T18:59:00.566-04:00</updated><title type='text'>Tecido Penumbroso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como posso sofrer porque as coisas pararam? Elas andaram tão estouvadas! Por que não deixá-las dormir agora um pouco? Tudo se aquietou, é noite, o mundo vive pra dentro, cegando-se ao sol do sonho. Preciso um pouco desse conteúdo inóspito, ermo como um quase-nada. Não, não é morte, é uma espécie de lacuna essencial, sem a aparência eterna do mármore, ou, por outro lado, sem as inscrições carcomidas. Pode-se respirar também na contra-vida. Depois então a gente volta para o ritmo; aí já não nos reconheceremos ao espelho explícito, tamanha a qualidade desse tecido penumbroso que provamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Gilberto Noll,&lt;br /&gt;inspiradíssimo em &lt;em&gt;Mínimos, múltiplos, comuns&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5426493799076019802?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5426493799076019802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5426493799076019802&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5426493799076019802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5426493799076019802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/06/tecido-penumbroso.html' title='Tecido Penumbroso'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-9021258784145691056</id><published>2008-06-09T09:29:00.009-04:00</published><updated>2008-06-15T18:31:22.411-04:00</updated><title type='text'>Escrever para Tchékhov</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mestre do conto moderno, um dos meus escritores preferidos, (a quem sempre recorro quando preciso de um alento ou conselho, ou quando simplesmente preciso de descanso, como estar entre bons amigos) escreveu inúmeras cartas nas quais refletia, e muito, sobre o processo criativo. Aqui vão algumas reflexões do mestre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não retoques, não buriles demais, sê estouvado e audacioso. A brevidade é irmã do talento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Na esfera da psique também são os detalhes que contam. Deus nos livre dos lugares comuns! O melhor de tudo é evitar descrever o estado de espírito das personagens; deve-se fazer com que ele seja apreendido a partir de suas ações...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quanto mais a situação é sentimental, tanto mais frieza é necessária para escrever, e o resultado será mais sentimental. Não convém açucarar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quando escrevo, eu confio inteiramente no leitor, supondo que ele mesmo acrescentará os elementos subjetivos que faltam ao conto (sobre a tendência de escrever e julgar os personagens, 'escrever não é passar sermão', diz Tchékhov)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não sejamos charlatões e vamos deixar claro que nesse mundo ninguém pesca nada. Somemte os imbecis e os charlatões é que sabem e compreendem tudo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O bom romancista deve passar ao largo de tudo o que tenha significado transitório".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Notei também outra lei da naturezas: quanto mais alegre eu vivo, mais sombrio saem meus contos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-9021258784145691056?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/9021258784145691056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=9021258784145691056&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/9021258784145691056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/9021258784145691056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/06/escrever-para-tchkhov.html' title='Escrever para Tchékhov'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-55023246075474181</id><published>2008-05-20T09:19:00.005-04:00</published><updated>2008-06-04T09:21:13.299-04:00</updated><title type='text'>O topo da montanha mais alta merece o grito mais contido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou há um tempo para dar este grito aqui, mas antes precisei gritar em outros lugares, em casa, bares, no topo de montanhas e na beira de precipícios. É que, afinal e finalmente, após seis longos anos de imersões e interrupções, pesquisas, escritas e reescritas, coloquei o ponto final definitivo no meu romance.&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Neste final de processo, algumas emoções, talvez, inevitáveis, vieram à tona frequentemente. A primeira era a ânsia arquejante de chegar ao verdadeiro ponto final, página a página, frase a frase, misto de euforia e tristeza. Quando cheguei na última página, e percebi que era realmente a derradeira, lembrei do processo desses longos anos, e entendi, já havia entendido há tempo, mas entendi de uma forma diferente, que a dificuldade maior deste livro não foi escrevê-lo, mas &lt;em&gt;não&lt;/em&gt; escrevê-lo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Escrever foi um aprendizado constante, sobreviver aos dias inférteis, às páginas inúteis (mas talvez nunca sejam realmente), prazer de descobrir caminhos narrativos desconhecidos para mim, de sentir nos dedos os personagens crescendo e aparecendo mais do que eu havia planejado, de ver a história tomando forma própria, voando acima das pesquisas feitas, estabelecendo atmosferas e texturas que me exigiram um envolvimento íntimo, uma carga pessoal em uma história passada em outro século, emoções e sentimentos que a princípio nada tinham a ver comigo. Mas, ora, como a convivência nos revela. Desde o início, talvez eu desconfiasse, confesso, que havia ali, naquela família e naquelas relações, sentimentos que também me habitavam, de certo modo. E agora, após o ponto final, seis anos de convívio com essas pessoas, com esse universo, descubro ofegante que escrever também pode ser, ou só é, essa amalgáma de ficção e experiência, confluências e imaginação, confissão disfarçada e entendimentos enfim realizados. Independente da história que se conta, da aparente relação (ou não) com o nosso mundo real, a ficção é mais rica do que imagina as nossas referências pessoais, é mais exigente do que se pensa, não se contenta com afinidades, identificações, ou desejos criativos formais e racionalizados, ela se alimenta do que nem podemos desconfiar. Ainda bem, ela arruma a sua forma própria de acontecer. É ela que penetra em nossa sensibilidade, em nossa memória, em nossos afetos, e não ao contrário. Que bom que compreendi isso a tempo, e não tarde demais. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não escrever foi a parte mais difícil, porque a realidade talvez nunca tenha me chamado tanto, me exigido tanto como nestes seis anos. Chamo de "realidade" neste momento aquilo que nos acontece, que acontece às pessoas ao nosso redor, e que nos exige presença e atenção. Tentei, como pude, conciliar as forças e equilibrar todas as necessidades. Mas é justamente quando a gente acha que encontou algum equilíbrio sobre a terra que ela estremece. É justamente quando os pés tocam o chão que escorregamos. Às vezes me sentava diante do PC com a sensação de que escrevia em meio ao caos. O PC, sólido, enquanto o mundo desabava ao redor. Junto a isso, toda a rotina de trabalho fora da escrita, que também exige atenção de outra ordem, a de sobreviver mês a mês. Enquanto escrevia este livro, a vida nunca foi tão real, a realidade, tão bruta, e a ficção, para quem eu voltava sempre devedora e atrasada, tão necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-55023246075474181?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/55023246075474181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=55023246075474181&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/55023246075474181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/55023246075474181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/05/o-topo-da-montanha-mais-alta-merece-o.html' title='O topo da montanha mais alta merece o grito mais contido'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-3806748298234242383</id><published>2008-03-29T18:54:00.003-04:00</published><updated>2008-03-29T19:19:21.144-04:00</updated><title type='text'>Um delírio por Moira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parecia que estava tudo terminado. Do alto do prédio as avenidas. Para cada peça de roupa que tirava, nada mais a vestia. Sentia-se sublime. Submersa.&lt;br /&gt;Sub.&lt;br /&gt;Já tinha lutado todas as guerras, pisado na terra úmida, atravessado o pó e as pedras. Chegara, então, no limite.&lt;br /&gt;Difícil.&lt;br /&gt;Já amou tanta gente.&lt;br /&gt;Todos na família diziam isso : que ela amava demais.&lt;br /&gt;Era muito dada.&lt;br /&gt;Difícil para ela, não ser. Os pés tremiam, gelados. Pés de tantos caminhos, esquecidos no gelo. As mãos também eram abandonadas ao inverno. Mãos que tocavam quase sem textura, frias sobre a superfície.&lt;br /&gt;Áspera lisa macia. Grossa escorregadia dura. Agoniada, quis congelar de vez. Não só as extremidades : tudo. O aluguel vai vencer, a luz vai vencer, o telefone vai. Quis congelar. O papel branco e números. Logo para ela que amava os livros. Os seus pés não esperavam pedras tão agudas. A carteira estava vazia e o banco lhe mandara uma cartinha. Mais juros de não sei o quê. Cheque especial. O centro do seu corpo ardeu da luz mais intensa. Teve um pensamento que – Ah, como tudo aqui é embrutecido ! – foi o que pensou. Um dinheiro que não era seu fora depositado em sua conta. É como areia e vento o diabo que não se vê. Como tudo aqui é –&lt;br /&gt;Pressentiu – uma aridez.&lt;br /&gt;Que difícil.&lt;br /&gt;De tanto calor e frio, ela não pôde mais. Descobriu-se água, descobriu-se vento. Lançou ondas, soprou ventanias. Fez-se mar.&lt;br /&gt;Bebeu do copo uma água sem gosto. Se não arranjasse logo outro emprego, morreria - sim sim morreria. Não tinha cara de pedir nada a ninguém. Era muito dada. No amor. Todo mundo dizia. Mas na fome – o que podia dar ? Era forte, mas se ficasse faminta, só ia querer saber de comer. Não podia sozinha com o seu corpo impedir toda a ressaca.&lt;br /&gt;Só não estava mais fraca por causa dos exercícios. Os nervos, os músculos. Quando parava de mão, via os pés lá em cima. O sangue descendo para mente era bom de sentir. A cabeça perto da terra dava um medo de ver.&lt;br /&gt;Ah, andar, coisa urgente ! correr então ! Ela sabia : bater o currículo – entregar o currículo – esperar então !&lt;br /&gt;Os dedos, já azuis de inverno, tocavam o umbigo. Desde menina ela gostava de mexer no buraquinho macio. Afundava o indicador nele. Gostava de afundar. O umbigo - de fogo e brasa – envolvia – um por um - os dedos. Ela era arquiteta. Sonhava com estruturas. O seu apartamento era frio. O seu cobertor, velho. Tinha muito o que falar para aquela gente do escritório. Reclamavam que ela não sabia datilografar direito, nem fazer um bom cafezinho. Hum. Mentira. Em casa o seu café era bom. O cheiro forte, a cor escura. A palavra limite na boca, a palavra sua. Na gaveta, o diploma. No escritório, o susto :– Sou arquiteta ! , isso era o que tinha para falar para aquela gente. Não falou. Viu que as unhas compridas de tantos anos quebravam pelo caminho, formando um círculo em si mesmas. Ela olhava. Ela ria. Olhava e ria. Juntava os pedaços caídos ao seu redor, formava montes. Viu-se montanha. Começou a chorar.&lt;br /&gt;A pele bebeu as lágrimas. O sal ficou no corpo. Prédios altos sobre as avenidas. Prédios baixos também. A régua e o lápis distantes. Casas próprias para as famílias. Nada mais tinha a dizer. Nascera para desenhar. O risco traçou no papel o seu caminho. Da sua mão deveria vir o abrigo. Mas disseram : recessão, e ela não pôde mais. E, depois, em nenhum outro lugar pôde. Falou em tantas entrevistas, e por tanto tempo. Os olhos ardendo sem ver horizonte. A sensação pequena – não estava pedindo – mas o olhar de todos como se estivesse. O olhar de todos e ela pequena. O sal queimando sob o sol. O sal. Com tanto não ela não pôde. Só pôde isso de bater em botões e servir café. Quis morrer de novo. Mas tinha as prestações e os planos e os seguros para pagar. Tinha também os livros a família um amor e tanta coisa. É que, ás vezes, o mundo devasta tudo como fogo. Mas ela não queria morrer de fogo, preferia morrer de mar.&lt;br /&gt;Olhou a pequena chama em seu ventre. Se deixasse, cresceria no umbigo até incêndio. Tentara também empregos públicos. Agora, tentava diminuir a chama como um isqueiro. Também já tinha lido todos os manuais, passado em todos os concursos. Falaram que a chamariam, um dia, quando houvesse uma vaga. Ela continua esperando. Ainda acredita que deve haver um lugar para a sua urgência. Mas, até lá, se levanta e não sabe quando, para quê, para onde, como. O quê fazer ? Como ?&lt;br /&gt;Difícil.&lt;br /&gt;Depois de secar as lágrimas com os cabelos, cismou de secá-los no fogo. Foi arrancando os fios, enquanto sussurrava um canto. Que coisa. Os cabelos na pequena chama do umbigo. Talvez não consiga pagar o som novo. E a televisão grande. Talvez não. Da janela ela media a distância. 12 x com alguns juros. Talvez não houvesse mais nada que pudesse ter. Teria então o silêncio. Poderia ser o silêncio de dormir, ou o outro. Que coisa. Nem sempre era assim. Tão triste. Tinha algum amor que ela encontrava. E as amigas que a chamavam para se divertir - e beber.&lt;br /&gt;Ah ! ela ia - passava o batom – e ia ! – Gostava de ver gente – de ouvir – de dançar- de viver !&lt;br /&gt;Lá pelas tantas – cantava.&lt;br /&gt;Mas a sua voz parecia vir de fora.&lt;br /&gt;Por dentro, era incêndio.&lt;br /&gt;Queimou parte dos cabelos, queimou os dedos também. De azuis tornaram-se vermelhos. Muito mais bonitos, os dedos vermelhos. Descobriu-se vaidosa. Penteou-se. Sentiu a língua. O cheiro. Pensou no amor que tinha. E estava longe. Queria agora as mãos dele nos seus cabelos. As mãos dele. Em outros lugares também. Arrancou alguns fios. Ai ! como estavam vivos !&lt;br /&gt;Uma vez, amou um homem e o seu corpo. Ele lhe tirava suspiros - ela gostava. O que ela falava - ele entendia. Era só olhar - ele a alcançava. Mas então. Ela não entendeu. Arrancou mais fios. Como poderia entender ? E arrancou mais. Distâncias acontecem. Ela o amava. Ele também. O que foi acontecer ? Uma distância.&lt;br /&gt;Difícil.&lt;br /&gt;Arrancou mais fios. E mais. Fez um ninho. Colocou-o ao redor da chama. Puxou água dos seios para apagar o fogo, puxou vento dentre as pernas para espalhar a brasa. O vento espalhou. A água apagou. Deus, dos homens que a amaram. Alguns souberam como. Outros não. Mas esse. Meu Deus. Ela não entendeu. A luz tornou-se cinza. E tão de repente. Estava tudo bem. Como nunca esteve entre os homens. E então. Houve a transferência. Mas por que para tão longe ? Não falaram o porquê. Falaram outra coisa : que era urgente. Que precisavam dele - lá. Precisam de mim, ele disse. Com urgência. E olhou para ela apaixonado alegre e triste. Mas eu não vou, decidiu. Não quero ir. Vou falar que fico. Vou falar. Mas quando foi dizer. Não disse. Era muito dinheiro. Não teve como dizer - não. Disse sim. Não teve como.&lt;br /&gt;Que coisa. A luz ficou cinza. De restos. Ela tentava conservá-la. Mesmo cinza assim. Esfregava-a no peito. Guardava-a no ventre, para lhe dar forças. Que sobrevivesse, por favor ! Pressionava o corpo para sentir nas mãos o furor e a alegria. Pressionava. O nome dele na boca, as cartas dele pela cama, as roupas dele como travesseiro lençol como pijama para ela fechar os olhos e dormir embrulhada por baixo por cima por–&lt;br /&gt;Que difícil.&lt;br /&gt;Tinham tanto o que falar - um para o outro.&lt;br /&gt;Ouvir o som - não as palavras.&lt;br /&gt;Mas, ás vezes, tudo fugia. Como poeira e pó há pouca luz na sombra. Ah, ela abraçava forte os livros porque eles lhe eram caros. Porque eles lhe diziam coisas que ela não ouvia mais ninguém dizer, ela abraçava os livros.&lt;br /&gt;Os seus desejos não contavam com formas tão brutas. Como tudo aqui é. O aluguel vai vencer, a luz vai vencer, o telefone vai. Também já tinha tentado vender cosméticos. Depois, calcinhas. Já estava cansada de tão em pé nas filas. Toda a luz tornara-se pó como coisa moída. Só lhe restara a alma limpa a solidez que herdara da família. Raiz que finca bem e fundo ninguém tira. Embora tenha vezes em que o vento forte parece, de tão forte, uma força impossível. Assusta. Mas até o fim a raiz resiste inteira. E ela bem sabe que dentro da poeira e seiva permanece a vida. Então, tira da língua a palavra fogo. E antes que soltasse faíscas ela diz : água. Junta o líquido à substância. Com os dedos longos amassa. Um dia, terá que arrumar a casa. Quando. Junta mais água. Transforma o pó em massa. Estica os dedos – as unhas quebradas. Mais pó. Mais água. Amassa.&lt;br /&gt;Um dia, mudará as cortinas os tapetes. Para o seu amor, pintará os lábios as paredes. Talvez esteja amando demais. Nas mãos, a massa brilha. No corpo dela - a estrutura. Ah, e só pode mesmo ser demais ! Com esse amor lhes espera uma filha. Ela sabe. Mas quando. Bate em seu ventre para adquirir consistência. Bate mais. Só quer aquilo que ama. E bate. Só o que acredita. Para. O resto não. A massa brilha. Com o resto não tem paciência. Quer que brilhe mais. Nunca teve. Que brilhe tanto. Quer também que exploda. Massa luz e tudo. No céu. Mira bem para jogar alto. Pois. Quando ele voltar. Ela olha para cima. Mede a distância. Pois. Quando o desenho for de novo o seu risco o seu passo. Aí, sim. Ela olha o céu. Respira. Olha de novo. Levanta as mãos. Mira. Ah, mas está cansada de estrelas –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prefere que a luz exploda em suas próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;___________Que coisa ! Quis subir as montanhas, atirar-se lá de cima. Correr correr correr ! Sumir. Mas os pés não obedeceram – ficaram. Da janela, a cidade as pessoas. As pessoas de longe são gente esquisita. Que tanto andam. Parecem sempre as mesmas andando e indo. Lá embaixo, ela andava assim também. Mas que estranho. De longe não viu sentido. Achou melhor não ir. Pois, era preciso ficar. E receber o vento na cara. Sim, porque a verdade começava a sair do esconderijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já molhara as plantas – já lavara a louça – já fizera as compras – já chorara um pouco –&lt;br /&gt;Já fora ao cinema – terminara o romance – arrumara a estante – já estendera a roupa –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando, folheava uma revista cheia de poses e truques. E arrancava as folhas com raiva e alegria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, também sentia desfolhar-se. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em suas mãos, o cheque, o extrato vazio. Na televisão, as palavras estudadas parecem sempre bem ditas. Como ela se afobava com as marcas e os anúncios ! Até que, um dia, cerrou os olhos para a tela grande e bonita. O apresentador do jornal nem teve cara de dizer. Mas as crianças o salário a doença – a crise a violência os índices – a fome o IR a polícia –&lt;br /&gt;Difícil.&lt;br /&gt;Com a mão no controle, ela apontou a TV. Mirava a TV, com a mão apertando o controle. E apertava. Era fácil : liga-desliga, esse canal-aquele. Era só escolher. Mas, tinha vezes que queria e o desgraçado não funcionava. Ou ela mirava de muito longe. Ou não encontrava a posição. Também podia ser a bateria que não –&lt;br /&gt;O corte. Dizem. É preciso. Sentiu queimando as palmas. Para isso não tem censura. Revoltou-se. Na rua as pessoas acreditam - não acreditam. Foi crescendo indignação até fogueira. Na dúvida as pessoas : nada. Resignou-se. Não podia só com o seu corpo impedir a ressaca. Lá fora todo mundo – idem. Parecia que era preciso cegar para ver. No papel, os poucos traços que tinha. Nenhum som e palavra. Que caíssem no chão as lágrimas. A geladeira vazia. Ela não soube como conseguiram o seu endereço. Outro dia, chegou pelo correio. Um cartão. De crédito. Não foi ela que pediu. Mandaram. Olhou para ele, lívida. Quebrou-o em dois para não ter dúvidas. É como sal e doce o diabo que não se vê. Sentiu que queimava à beira de uma morte. É como areia e vento – o diabo -&lt;br /&gt;Pressentiu - ali estava –&lt;br /&gt;que aridez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é essa música que se esgota. Língua travada nos dentes. Nem sempre ela precisava das palavras. Era um grave engano esse que sofria. Pois. Tinha sempre a impressão de precisar. Submergia sem conter os fios. Um esticava. Outro se partia. Outro enrolava. Uma vez, ela achou que – ao ficar quieta – ficava triste. Mas não. Também pensava que para ser ouvida tinha que falar. Não sabia que os Deuses trabalham no silêncio.&lt;br /&gt;Quando soube, calou-se e –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada no sofá, ela ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou no prato a carne que não mais comia. Fechou os olhos para consumir-se. Destruiu os vestígios da noite mal dormida. O que não pôde mais jogou no lixo.&lt;br /&gt;Talvez tenha que devolver o som e a TV. Talvez tenha que esquecer o amor e a filha. Meu Deus. Pensou o que seria o que seria o que seria. Desfolhou todos os livros para alcançar o sentido –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______ mas não encontrou atrás das páginas nenhuma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________________ Deixou então que as folhas caíssem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhou a queda livre como um pequeno vôo. Não lia palavra. Descamava por dentro um mundo. Então, ela viu na folha caída o limite. Já não via mesmo mais o mar.&lt;br /&gt;Tinha fluência em 3 línguas. Todos os que leram o seu currículo sabiam. Mas do que lhe servia isso agora. Bem. Podia dizer eu te amo 3 x diferente para ele. E 3 x volte. E em todas as vezes seria o mesmo amor. Se não errasse a pronúncia.&lt;br /&gt;Se não errasse –&lt;br /&gt;Nos almoços de família, ela comia tanto. Como se pudesse se entupir de tudo que um dia a protegera. Pois. Estava agora descoberta. Se tentasse mais um movimento, poderia até quebrar os ossos. Ficaria mais ágil, se ousasse escapar do próprio corpo, se se erguesse apenas com o que realmente fosse seu. Aí, sim. Dançaria linda ao redor da chama. Com o sangue quente, criaria a sua máscara. Com os dedos longos, pintaria a pele. Teria então a vida inteira como sua. Como só se tem a morte ela teria a vida. Seria seu e apenas seu todo o instante.&lt;br /&gt;O banco forte não sabia. Mas ela é que era especial. Ah, as árvores não se iludem com a pouca luz das lâmpadas. Que coisa. Tirou mel da boca e passou na vista. Na ponta dos pés ficava na mesma altura dos saltos. Quando andava descalça sentia-se baixinha. Não queria preocupar a família os amigos que não mereciam preocupação. Um dia tudo passa como a brisa mais leve. Um dia tudo se – &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Viu-se menina azul e violeta. Se ficasse doida seria mais um caso na família. Ajoelharia em seu próprio trono, pisaria em seu próprio manto. O céu que cai sobre as avenidas não sabe. Ela sim, ela sabe – tem muito talento um amor e planos. Achou bom olhar para cima, ter onde cair no chão. O que não pode mais é ficar assim - dependendo de fulano sicrano beltrano. Já era uma coisa depender de si. Um dia já lhe elogiaram tanto. Que os ossos se quebrem. Ela continua a mesma – e sabe : é capaz de suspender a respiração por um minuto inteiro. Ou mais.&lt;br /&gt;Uma vez, deixara o ar levantar a poeira. Deixa agora a poeira invadir os espaços. Um dia, a deixará percorrer a sombra das janelas, abrir o vento das cabeças. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O horizonte não tem meio. Por onde ela pudesse chegar. Tanto faz. Dentro da boca ela sabe – ainda há o que dizer. Talvez nunca diga. Respira. Que coisa. Olhou para os lados, para baixo, para cima. O mar as montanhas a gente. O azul o céu os bichos. A fumaça as lojas as avenidas. Que estranho. Tudo estava ali, e ela dentro. Como da terra a verdura o agrotóxico o inseticida, como da gentileza a alegria a cobrança a medida, como do álcool a limpeza o perfume a bebida , como na boca a língua fala pouco - mais a saliva. Do jeito que a palavra é dita quase nunca é ouvida,&lt;br /&gt;do que jeito que distorcem as coisas – desculpe, como do carro a aventura o conforto a batida - e com o tudo mais que rima não rima – fez-se parte.&lt;br /&gt;Pois.&lt;br /&gt;Tinha que continuar.&lt;br /&gt;Para não perder o hábito, dar uma volta até a esquina. Para não esquecer das coisas, ler o jornal todos os dias. Quando encontrar uma pessoa : sorrir – só um pouquinho – e cumprimentar : boa noite boa tarde bom dia. Não olhar muito nos olhos, nem deixar cair logo o sorriso. Oh, poderia também dizer outras palavras. Sai daqui. Chega. Não enche. Não interessa. Que dane. Que se fo-&lt;br /&gt;Mas. Ela já tinha descoberto o silêncio. E estava quase concreta. Tirou das pernas o último alento. Deixou o fogo e o frio equilibrarem as suas forças. Sentiu as costas se abrindo para o ar. A nuca repleta de nuvens. Pelo espaço atravessam as direções mais impossíveis. Ela pensou na palavra FIM. Logo a sua mente escureceu. Então era isso – &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fora despedida de um bom emprego. Fora despedida também de um emprego qualquer. Recessão, disseram. E ela teve a sensação pequena, como o sal queimando. Os sons ecoam e ela os reconhece. O desenho de infinitas estruturas. Afunda o rosto e os ouvidos na água. Chama os elementos que a fundaram viva. Afinal, era parte. Nunca acaba isso que termina. Ela lambe o que cria, sozinha, sozinha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Está só. E está – em absoluto - como se não houvesse um amanhã em que não estivesse. Mas é ali – só - que movimenta o mundo. E segue o movimento dentro dele. E conjuga os verbos sem pensar no infinito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ah, se chegasse mais uma carta ! Se recebesse logo uma resposta ! etc etc etc ! Mas. Quando. A doce fúria da espera. A sorte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela nunca teve medo. As suas mãos ficam quentes sempre que preciso.&lt;br /&gt;Amanhã é um dia mais lindo porque ela nunca sabe onde –&lt;br /&gt;Ela, que já aceitara os elementos, corre agora com os cabelos em tranças.&lt;br /&gt;Viu-se alto de um rochedo. Reconheceu-se precipício.&lt;br /&gt;Não teve medo. Pensou. Como tudo. Aqui. É.&lt;br /&gt;E precisou chorar. Pois os seus pés não hesitavam mais.&lt;br /&gt;Então –&lt;br /&gt;Era muito dada. Mas na sua família não havia isso – de não ser.&lt;br /&gt;Já amou tanta gente. Inclusive –&lt;br /&gt;Lá pelas tantas – cantava.&lt;br /&gt;Uma vez, chorou um pouco aos quatro ventos. Pois. Ansiava pelo chão. Era mulher marrom e negra. Branca de sonhos. Vermelha também na carne e no sangue. Que coisa. Lá fora a distância. Por dentro também. Como a língua fala pouco. E então. Nunca teve medo. Pensou. Quando. Mas o teto a sua frente parecia uma parede a mais e a janela –&lt;br /&gt;De todas as coisas, ela só queria encontrar a palavra certa para isso : a vista. Para isso tudo que sentia – de ver. Mas pressentiu - como aqui tudo é ! Tanto. Não quis mais esperar que amanhecesse para começar o dia. Lá pelas tantas, ela já sabia. Claro. Os cabelos vão crescer com o tempo. E com o tempo tudo vai –&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-3806748298234242383?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/3806748298234242383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=3806748298234242383&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/3806748298234242383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/3806748298234242383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/03/um-delrio-por-moira.html' title='Um delírio por Moira'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7041302774642185721</id><published>2008-03-01T11:07:00.004-04:00</published><updated>2008-03-01T11:18:14.292-04:00</updated><title type='text'>Canto de Cecília para um sábado de chuva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Murmúrio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traze-me um pouco das sombras serenas&lt;br /&gt;que as nuvens transportam por cima do dia!&lt;br /&gt;Um pouco de sombra, apenas,&lt;br /&gt;- vê que nem te peço alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traze-me um pouco da alvura dos luares&lt;br /&gt;que a noite sustenta no teu coração!&lt;br /&gt;A alvura, apenas, dos ares:&lt;br /&gt;- vê que nem te peço ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traze-me um pouco da tua lembrança,&lt;br /&gt;aroma perdido, saudade da flor!&lt;br /&gt;- Vê que nem te digo - esperança!&lt;br /&gt;- Vê que nem sequer sonho - amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Motivo da rosa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te aflijas com a pétala que voa:&lt;br /&gt;também é ser, deixar de ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosas verá, só de cinzas franzida,&lt;br /&gt;mortas, intactas pelo teu jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe,&lt;br /&gt;o vento vai falando de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por perder-me é que vão me lembrando,&lt;br /&gt;por desfolhar-me é que não tenho fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cecília Meireles)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7041302774642185721?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7041302774642185721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7041302774642185721&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7041302774642185721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7041302774642185721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/03/canto-de-ceclia-para-um-sbado-de-chuva.html' title='Canto de Cecília para um sábado de chuva'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7431312580992490131</id><published>2008-02-27T09:32:00.009-04:00</published><updated>2008-02-27T11:01:22.591-04:00</updated><title type='text'>Textos no Rascunho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muito bacana o retorno que tenho recebido dos meus dois textos que saíram no jornal de literatura &lt;em&gt;Rascunho&lt;/em&gt;, no mês passado e em dezembro. A minha primeira alegria foi a comprovação de que, sim, há muita gente que curte debater/pensar literatura pela própria literatura, com veracidade e interesse real pelo assunto. Essa troca dá uma satisfação imensa. Os dois textos, intitulados, no jornal, de &lt;em&gt;Caminhos Imprevisíveis&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O tradicional e o rebelde&lt;/em&gt;, fazem parte da minha dissertação de mestrado, &lt;em&gt;Por uma literatura sem pudor&lt;/em&gt;, que fiz na PUC-Rio. Na dissertação, tento refletir sobre o caminho do escritor contemporâneo diante das heranças tradicionais e de vanguarda. Para isso, o meu guia foi Cortázar, e o perfil de escritores que ele denomina como "tradicional" e "rebelde". Quem curte literatura e seus caminhos, curte a visão do próprio escritor sobre ela, não pode continuar respirando sem ler &lt;em&gt;A teoria do túnel (Obra crítica &lt;/em&gt;I, Civilização Brasileira) de Cortázar. É apaixonante acompanhar as reflexões e angústias de Cortázar, um escritor que não canso de admirar, pelo talento, mas não só pelo talento, por sua inquietude, sua generosidade em expor as suas dúvidas, anseios, medos e questionamentos. Cortázar nunca esteve preocupado em acertar ou errar, mas em estar de acordo com a sua visão literária. Esta postura é evidente em seus textos. Cortázar tem uma pulsação muito própria, é quase como o jazz. Há uma frase melódica que dá lógica e liga ao texto, mas há o improviso, há a digressão para um caminho próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A busca de uma voz própria singular, pessoal, é o fio condutor da minha dissertação. O título pode sugerir algo sexualizado, mas não tem nada a ver. O despudor citado é referente a certo olhar nublado do escritor contemporâneo diante das heranças literárias. Córtazar cita dois opostos, o escritor rebelde, que quer destruir todos os parâmetros tradicionais, e o escritor tradicional, que quer cumprir e manter a tradição realista, que formula racionalmente a realidade. Eu pensava na época em que escrevia, e continuo pensando, que o escritor contemporâneo só encontra a sua própria voz quando, de certa forma, se posiciona diante da história literária. Isso pode ser confundido com uma escolha de partido, direita ou esquerda, mas não é assim. Não é uma questão de esnobar a tradição e aplaudir a vanguarda, nem ao contrário. É ter um olhar consciente dos diversos caminhos já percorridos e relacioná-los com aquele que se percorre. É ter o conhecimento do que já foi erguido e destruído, reerguido com novo material e combatido novamente muito antes da gente nascer. É saber que não usamos armas novas, sejam elas da vanguarda ou da tradição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na época do teatro (saudades), esta era uma forte questão na linguagem teatral. Todos nós queríamos sair do naturalismo, do realismo. Queríamos uma linguagem criativa, queríamos dar às mãos ao teatro experimental, do Barba, Pina Baush, Grotowiski. Mas também já tínhamos consciência que o caminho experimental não era, por isso, o da contorsão, da maluquice, do porra-louca, do vale-tudo. Toda linguagem, seja ela qual for, tem a sua convenção, foi a lição principal que o teatro me deu e nunca esqueci, nunca esquecerei. Por isso, era muito engraçado quando assistíamos uma cena onde os atores tremiam, gritavam, se contorciam, faziam horrores com o corpo e a voz, na tentativa desesperada de sair do cotidiano, do realismo, do naturalismo. Como consequência, essa tentativa matava a história, ou situação encenada, matava o ritmo, matava a autenticidade da cena. O que restava? Uma visão de hospício. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na literatura, com os ajustes para a natureza da prosa, não é muito diferente. Percebo, muitas vezes, que os textos atuais carecem de convenção, no sentido dito anteriormente. São escritos, muitas vezes, ingenuamente, como se escrever fosse apenas começar. Escrevi a dissertação pensando nessas coisas todas. Olho com mais simpatia para o escritor rebelde, citado por Cortázar, porque foi o seu perfil que levou a literatura para onde ela está. Sem os seus esforços, o passo seria mais lento. Agora, é equivocado achar que a rebeldia implica em gritos, pornografia, violência, escatologia, ou seja lá o que for considerado "moderno". Foram rebeldes Virginia Woolf e Mansfied, foram rebeldes Clarice e Rosa, foram rebeldes Hilda Hilst e Oswald de Andrade, foram pais-rebeldes Joyce, Proust e o surrealismo. Agora, é tarde demais para desfolhar um livro e pendurar as suas páginas numa árvore de arame, como fizeram os surrealistas, assim como é tarde demais para formular racionalmente uma história, com descrições, justificativas e explicações excessivamente estabelecidas. Ao meu ver, é este o impasse do escritor contemporâneo. E a história exige, ela não perdoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como disse Cortázar, o desejo maior do escritor rebelde nunca foi destruir a narrativa realista apenas por destruí-la, mas porque ela paralizou dentro de sua convenção o espírito criativo e pessoal do artista. A rebeldia veio para resgatar na literatura a experiência sensível, íntima, pessoal, de quem escreve com o que escreve. Este é o princípio, e não "ser criativo e original". A originalidade e criatividade são consequências inevitáveis do artista que toma um caminho particular e único. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O lamento está no fato da ainda tão recente noção de literatura, surgida no século 19, como algo que não é poesia, nem gênero, mas algo que trata da experiência sensível, já tivesse que enfrentar logo de início a barreira de uma afirmação literária em bases estéticas. Afirmação que valorizava, acima de tudo, a forma e o estilo, abafando o impulso pessoal e criador".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os textos no jornal &lt;em&gt;Rascunho&lt;/em&gt;, para quem quiser dar uma olhada:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estão na seção de Crítica e Resenhas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://rascunho.rpc.com.br/" target="_blank"&gt;http://rascunho.rpc.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7431312580992490131?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7431312580992490131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7431312580992490131&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7431312580992490131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7431312580992490131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/02/textos-no-rascunho.html' title='Textos no Rascunho'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-782923331231381386</id><published>2008-02-26T13:07:00.006-04:00</published><updated>2008-02-26T17:40:10.153-04:00</updated><title type='text'>Um momento rodriguiano: sobre o novo-escritor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não posso ler muito o Nelson Rodrigues. Principalmente as crônicas, não posso. E tenho lido. Muito. É uma questão de sobrevivência. As crônicas do Nelson me divertem, são mais eficazes contra o stress do que a meditação e a yoga. Decidi que, daqui para frente, nunca mais vou a yoga. Na hora da aula, acenderei o incenso, sentarei em lótus e lerei Nelson Rodrigues. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, mas falo isso porque quando leio Nelson Rodrigues fico contaminada com a sua fina e cruel ironia. A sua vontade de falar o que deve e não deve. E a questão é que tenho pensado muito na Geração Paissandu que o grande escritor cita em suas crônicas. É a Geração de artistas de esquerda, que, na década de 60/70, freqüentava o cinema Paissandu, no Flamengo. Segundo Nelson, é uma geração de cineastas sem filmes, escritores sem livros, pintores sem telas, atores e atrizes sem peças, filósofos sem filosofia, e por aí vai... Todos, no entanto, profundos intelectuais. Nelson não suportava esta Geração que colocava Marx, Fidel e Che na frente da criação artística. Entretanto, apesar de colocá-los na frente, a única coisa que faziam era posar ao lado das idéias dos grandes líderes. Para a Geração, era o suficiente sair de casa, ir ao Paissandu e falar de Marx, Fidel, Che e dos livros geniais que nunca escreveriam, dos filmes geniais que nunca filmariam, etc... Para Nelson, a geração Paissandu era apenas e simplesmente uma pose monumental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vejam, tenho pensado muito na Geração Paissandu e de repente, navegando pela Web, me deparo com uma entrevista com novos escritores (o Nelson colocaria um hífen entre as duas palavras e emergiria daí um personagem). E a declaração bombástica de um deles (Nelson diria os nomes) é que a vantagem de sua geração é que ela não precisa conhecer o passado literário. Estão, finalmente e simplesmente, livres para criar. Nelson Rodrigues falava muito dos idiotas da objetividade. Aqueles que falam os maiores absurdos na mais inocente cara-de-pau. Ou aqueles que falam as coisas mais óbvias com o ar e a pose de um Rimbaud. Aqui, no caso, o novo-escritor falava sinceramente. Realmente achava que a ignorância era libertadora. Essa idéia confusa que une a ignorância à liberdade, Nelson não perdoaria. Ainda mais dita pelo “O jovem”, personagem conhecido das crônicas rodriguianas. Pois, como o jovem rodriguiano, o novo-escritor, com a potência de sua juventude, despachou todo o nosso passado literário com um peteleco só. Passado antigo ou recente, não importa, foram enxotados da literatura contemporânea todos os nossos escritores. Restou apenas ele, o jovem, com o seu texto livre, livre, livre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dói e cansa falar o óbvio, dizia Nelson Rodrigues, e dou as mãos a ele em seu cansaço e dor. Se conhecesse o passado literário, se tivesse referências de escritores, paradigmas erguidos e rompidos, para dizer o mínimo, o jovem novo-escritor teria poupado a si mesmo e aos caros leitores da declaração seguinte, que lhe pareceu vir de uma reflexão profunda e reveladora: “estamos renovando a literatura brasileira”, ele disse. Nessa hora, sobre o meu computador, baixou um mau tempo de quinto ato do &lt;em&gt;Rigoletto&lt;/em&gt;. Um padre de passeata atravessou correndo o quarto. Um pigarro imaginário sufocou minha garganta. Senti revirar no estômago a úlcera que não tenho, e que Nelson Rodrigues acalmava todas as madrugadas com papinhas e mingaus. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, claro, o jovem novo-escritor renova a literatura brasileira instaurada por ele mesmo: a de uma geração só. Assim, enterrados Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Cornélio Pena, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Hilda Hilst, Castro Alves, Autran Dourado, Graciliano Ramos, José de Alencar, Murilo Mendes, Lygia F. Telles, Lima Barreto, Qorpo-Santo, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Aluísio Azevedo, Manuel Bandeira, Lúcio Cardoso, Raquel de Queirós, Adélia Prado, Sérgio Sant’anna, Cruz e Sousa, Paulo Leminski, Caio Fernando Abreu, e o próprio Nelson Rodrigues, - só para citar alguns escritores entre tantos outros que contribuíram, acrescentaram ou até mesmo transformaram a nossa literatura,- então, enterrados todos, é possível, é fácil, é rápido, ser renovador, ousado, original, genial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de ler a entrevista, interrompida no meio, confesso, só me restou voltar às crônicas rodriguianas, para acalmar os ânimos, e torcer, diante de círios ardentes, para que a opinião do jovem novo-escritor seja tão solitária como a geração que ele proclama, e não ganhe ares do estádio Mário Filho em dia de Fla x Flu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-782923331231381386?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/782923331231381386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=782923331231381386&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/782923331231381386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/782923331231381386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/02/no-posso-ler-muito-o-nelson-rodrigues.html' title='Um momento rodriguiano: sobre o novo-escritor'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-4915264320085991274</id><published>2008-02-16T17:15:00.009-04:00</published><updated>2008-02-16T17:43:23.943-04:00</updated><title type='text'>Menina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era moça e virgem tinha medo de homem. Tinha um embrulho no estômago que eu entendia como um alarme avisando que um homem se aproximava determinado a me levar, primeiro, para o escurinho e, depois, para o além. Achava todo homem grande, mesmo os mais baixinhos e magros eu achava por demais de grande e para mim todos tinham calos nas mãos e todos eram barbados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Uma vez eu andava distraída e enjoada como sempre quando um rapaz com rosto de moça se aproximou sem que eu percebesse, disse oi sorrindo tanto e me estendeu um livro que eu logo reconheci como meu. Olhei para ele muda sem entender como uma coisa minha tinha parado assim na mão de outra pessoa. O rapaz, muito delicado, fez que eu entendesse que o tinha deixado cair sem perceber. E ainda, muito bonzinho, achou que eu devia estar pensando uma coisa muito importante para me distrair daquele jeito. Até me esforcei para ver se tinha no que eu pensava tanta importância. Mas acabei achando que não e que o quê eu tenho mesmo é um vento dentro da cabeça me rodando as idéias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuei andando sentindo uma zonzeira, peguei o livro com uma vontade horrível de vomitar. Ao invés de agradecer eu disse vou vomitar, e senti ali mesmo um nojo enorme da minha pessoa. Mas o menino não se importou, me pegou com as mãos finas e me levou até um banheiro. Antes de entrar ia, finalmente, agradecer, mas ao invés de falar obrigada eu disse adoro esse livro e entrei com o coração na boca. Quando me curvei no vaso achei que ele ia pular para fora junto com o estômago, mas não pulou. Então vi que não tinha vomitado nada. E que o embrulho tinha passado todinho para o peito. Foi quando senti uma vontade irresistível de voltar. Sem saber que eu desejava tanto desejei que aquele rapaz branco como uma moça como eu além de educado fosse por Deus muito mais do que isso e ficasse lá fora me esperando. Saí afoita e desesperada já achando que é claro que ele tinha ido embora, por que iria ficar ? Mas logo dei com o seu rosto liso, também na expectativa de encontrar o meu. Gelei. E ao mesmo tempo fiquei toda quente para um abraço. Sim, não conhecia aquele moço que me esperava como ele tampouco conhecia a menina assustada que era eu mas tive naquele exato instante a certeza absoluta que morreria triste e descabelada se ele não me abraçasse ali mesmo de qualquer jeito, não precisava falar nada era só se aproximar que eu cairia levemente desmaiada nos seus braços. Quis também que ele pensasse muito em mim para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Respondi, meio tonta, que estava melhor sim, que a tonteira já tinha passado completamente que na verdade eu estava ótima e só precisava de um pouquinho de ar. Ai ! quando ele me estendeu as mãos, cheias de dedos longos de artista, e me olhou fundo como se se inclinasse, me convidando para uma dança, senti a boca se enchendo d’água e se abrindo toda, numa fome, como se fosse morder ou ser mordida. Tive também um aperto entre as pernas que, nossa mãe, nem sei como não cai ali mesmo arrastando ele comigo. Sei que tratei de morder os lábios na tentativa inútil de disfarçar como estava doida de pedra louca varrida de vontade de me explodir toda e beijar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a sua mão branca segurando a minha pálida, fomos caminhando como quem passeia sem pressa de lugar nenhum. Ele falou o nome dele, eu sussurrei o meu. Quis saber se eu estava mesmo gostando do livro. Que livro ?, quase pergunto, na minha doidice, mas não sei como me controlei, lembrando logo qual era. Ele continuou o assunto dizendo que ganhou um igualzinho de presente, que já tinha começado a ler várias vezes, mas toda vez foi desistindo porque achou muito complicado. Estranhei aquilo, eu estava achando o livro ótimo e não tinha visto nada de complicado nele. A não ser, claro, a complicação da própria história, mas isso na vida de todo mundo também tem. Porém, não quis que ele me achasse metida, como eu acho que muita gente só porque lê é, e disse que realmente ele tinha toda razão que eu também estava achando ihh muito complicado mas depois não agüentei minha própria mentira e confessei que não era nada disso que na verdade não conseguia largar o livro, que estava adorando que, sei lá, vai ver eu gostava das coisas complicadas assim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele me olhou de um jeito esquisito. Disse você é engraçada. E começou a rir. Fiquei curiosa sem saber que graça eu tinha feito para provocar tanto riso. Mas ele me encarou tão forte e direto que eu, como se estivesse cercada por todos os lados, fui me desviando toda. Olhei para tantas outras coisas que nem tinha mais para onde olhar. Num segundo, vi os carros as lojas as pessoas, e tudo tão rápido ! Até que, como quem dá uma volta no mesmo lugar, eu o vi de novo. E tão assustada ! pois já tinha reconhecido ali o medo de não ver. Porém, para minha tristeza ou alívio, ele não me olhava mais. Estava atento ao movimento da rua. Mas havia em sua expressão um leve sorriso, como um aviso de quem sabe que é observado mas que, fazendo de conta que não sabe, distraidamente se deixa observar. Como espiei o seu rosto ! E tanto que, de uma hora para outra, ele começou a se abrir num brilho só. Nossa, até me doeu achar ele tão bonito. Foi tão forte que, nem sei, parece que tive ali mesmo um abafo, como se começasse a me sentir mal, ou como se, de repente, começasse a não me sentir mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então, eis que, tão quieto como quem vai dar um susto, e muito manso, ele se virou. Nos olhamos, enfim. E foi como um mesmo raio partindo duas pessoas. Ficamos tão confusos. Tive um sentimento recuado, como se num relance ele tivesse percebido em mim mais coisas do que eu queria ter deixado perceber. Ele também estava acuado, como se, da mesma forma, eu tivesse vislumbrado um mistério qualquer da sua vida de menino da sua pele macia que ele preferia nunca ter visto e nem deixado ver. Quase fomos cada um para um lado sem ao menos falar adeus. Mas ficamos. Era como se ao nos estranharmos, na verdade, nós nos reconhecêssemos. Por isso, não soltamos as mãos nem saímos correndo como nossos corpos pediam, só por isso, nos deixamos ficar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quis dizer alguma coisa, qualquer coisa, para não ficar daquele jeito como no ar suspensa, mas não tive para aquele momento nenhuma palavra. Comecei ali mesmo a sofrer de puro amor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-4915264320085991274?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/4915264320085991274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=4915264320085991274&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4915264320085991274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4915264320085991274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/02/menina.html' title='Menina'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5246775257792885775</id><published>2008-02-14T09:03:00.005-04:00</published><updated>2008-02-14T16:21:02.789-04:00</updated><title type='text'>Mortes Imaginárias - II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É um livro não só para quem gosta de ler e escrever, é, principalmente, um livro para quem gosta de escritores. E, especialmente, escritores imortalizados no espaço-tempo, que já se tornaram, de certa forma, personagens.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E os escritores que passam por este livro, Montaigne, Goethe, Puchkin, Balzac, Heine, Dumas pai, Flaubert, Maupassant, Tchecov, Rilke, Doroty Parker, Nabokov, Capote, entre tantos outros, são personagens na mão de Michel Schneider, em seus últimos momentos de vida. O cerne do livro é a última palavra dita pelo escritor em seu leito de morte. Nem todas têm relação direta com o momento da morte, outras são totalmente expressivas do último instante e da última voz. O trabalho deve ter sido duro. Schneider pesquisou a biografia de cada escritor e criou depois uma espécie de conto-ensaio de cada um em seus últimos momentos, tratando de forma ficcional as circunstâncias da morte. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem gosta do genêro ficção-ensaio, é  maravilhoso. O livro está quase andando sozinho pela casa, de tanto que já o levei para lá e para cá. Todos os contos são muito bons, mas o sobre Tchecov é de uma riqueza impressionante. Doente, foi com a esposa para a Alemanha para um tratamento. Pouco antes de morrer, estavam no quarto o médico e sua esposa. Após a refeição, Tchecov se vira para a parede e diz, &lt;em&gt;Icc sterbe&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Morro&lt;/em&gt;, em alemão. E, em seguida, morre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tchecov mal sabia alemão. Mas era um homem conhecido por sua educação. Por isso, anunciava a sua partida para que não houvesse sustos nem alvoroços. E a anunciava em alemão por causa do médico alemão ao seu lado. Preferiu não falar em russo, a sua língua natal, "porque não se fala uma língua na frente de alguém que não a compreende." Assim, o escritor morreu como viveu, educadamente e sem espantos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5246775257792885775?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5246775257792885775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5246775257792885775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5246775257792885775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5246775257792885775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/02/mortes-imaginrias-ii.html' title='Mortes Imaginárias - II'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5112629652231652473</id><published>2008-01-31T06:46:00.000-04:00</published><updated>2008-01-31T07:05:58.636-04:00</updated><title type='text'>Mortes Imaginárias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Faz tempo que não tomo champanhe&lt;/em&gt;, diz Tchecov antes de se entregar à velha e íntima inimiga. Ele certamente fazia pouco da glória póstuma e da pose final, e importava-se pouco em deixar uma frase de moribundo. A morte rabisca. Tchecov não tem mais a força do arrependimento. Escreveu certo dia: "A arte de escrever não é a arte de escrever bem, e sim a arte de riscar o que foi mal escrito". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Flaubert, moribundo no sofá turco, relembra sobretudo essas imagens, como aquela que o fez ser ele próprio escritor, a mania de não ver as coisas com os olhos mas com as palavras, de escrever para imaginar o que jamais se saberá".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não resisti em colocar uma palhinha deste livro que vem consumindo meus dias, mente-coração, desde que o ganhei de presente. (Obrigada, meu amigo! Amo ganhar livros, e este é um daqueles definitivos, que acompanham a gente para sempre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se &lt;em&gt;Mortes Imaginárias&lt;/em&gt;, de Michel Schneider.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto depois com calma e mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acordei pensando nele e não resisti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5112629652231652473?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5112629652231652473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5112629652231652473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5112629652231652473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5112629652231652473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/mortes-imaginrias.html' title='Mortes Imaginárias'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-4826628769810921430</id><published>2008-01-28T09:31:00.000-04:00</published><updated>2008-01-28T11:13:00.410-04:00</updated><title type='text'>Meme</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;A Adriana Lisboa (&lt;a href="http://caquiscaidos.blogspot.com/"&gt;http://caquiscaidos.blogspot.com/&lt;/a&gt;) me passou este &lt;em&gt;meme&lt;/em&gt;, que uma amiga passou para ela, que respondo aqui, e curti tanto responder que passo também para:&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Manoela Sawitzki (&lt;a href="http://intrafaces.blogspot.com/"&gt;http://intrafaces.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Rosana Caiado &lt;a href="http://www.pseudonimos.blogger.com.br/"&gt;(http://www.pseudonimos.blogger.com.br&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Mariana Jandre ( &lt;a href="http://www.madamebobage.com.br/"&gt;http://www.madamebobage.com.br/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Cris Brasileiro e sua Elizabetta (&lt;a href="http://avidaebettica.blogspot.com/"&gt;http://avidaebettica.blogspot.com/&lt;/a&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O que você estava fazendo em 1978 (há 30 anos)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo a Bolsa Amarela, da Lygia Bojunga (Nunes, na época), procurando no armário uma bolsa amarela para mim e tagarelando sem parar, para os meus pais e a minha irmã, histórias que eu inventava no percurso de Niterói até Muriqui (coitados!), onde tínhamos uma casa de praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. E em 1983, há 25?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo poesias tristes, enfrentando a minha primeira morte (a do meu pai), cantando no coral da escola para espantar a tristeza, andando de patins com minha irmã na pista do rollerdisc e dançando muito na matinê da discoteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. O que você estava fazendo em 1988?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava apaixonada por três garotos totalmente diferentes um do outro (afinal, qual é a graça de estar apaixonada ao mesmo tempo por três pessoas parecidas?), escrevendo poesias de amor desesperado e desesperançado para eles, mostrando para as minhas amigas, que suspiravam e copiavam os poemas nas agendas delas; aprendendo guitarra para musicar as minhas poesias de amor louco, reunindo (eu e minha irmã) amigas lá em casa com uns instrumentos que mal sabíamos segurar, muito menos tocar, e chamando isso, com muito orgulho, de banda de rock só de garotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. E em 1993?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo um conto atrás do outro e deixando aos poucos a poesia; fazendo faculdade de teatro e de letras, tudo ao mesmo tempo agora; olhando para o céu e estudando astrologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. O que estava fazendo há 10 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo mapa astral e jogando tarô, cheia de perguntas e poucas respostas; começando a dar aula de literatura; ensaiando mil peças e apresentando a muito custo uma; fazendo performance pelas ruas com meu grupo de teatro; olhando o meu livro de contos pronto, esperando notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. E há cinco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Namorando muito, thank you very much; estudando bastante no mestrado, arrancando os cabelos e jogando no lixo cem páginas horrorosas do meu primeiro romance, recomeçando a escrever, entre trancos e barrancos, sustos e delícias, do zero. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-4826628769810921430?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/4826628769810921430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=4826628769810921430&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4826628769810921430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4826628769810921430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/meme.html' title='Meme'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5523711136483449904</id><published>2008-01-25T07:17:00.000-04:00</published><updated>2008-01-25T07:27:29.806-04:00</updated><title type='text'>Hilda, Hilda...</title><content type='html'>Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.&lt;br /&gt;Antes, o cotidiano era um pensar alturas&lt;br /&gt;Buscando Aquele Outro decantado&lt;br /&gt;Surdo à minha humana ladradura.&lt;br /&gt;Visgo e suor, pois nunca se faziam.&lt;br /&gt;Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo&lt;br /&gt;Tomas-me o corpo.&lt;br /&gt;E que descanso me dás&lt;br /&gt;Depois das lidas.&lt;br /&gt;Sonhei penhascos&lt;br /&gt;Quando havia o jardim aqui ao lado.&lt;br /&gt;Pensei subidas onde não havia rastros.&lt;br /&gt;Extasiada, fodo contigo&lt;br /&gt;Ao invés de ganir diante do Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu disser que vi um pássaro&lt;br /&gt;Sobre o teu sexo, deverias crer?&lt;br /&gt;E se não for verdade, em nada mudará o Universo.&lt;br /&gt;Se eu disser que o desejo é Eternidade&lt;br /&gt;Porque o instante arde interminável&lt;br /&gt;Deverias crer?&lt;br /&gt;E se não for verdade&lt;br /&gt;Tantos o disseram que talvez possa ser.&lt;br /&gt;No desejo nos vêm sofomanias, adornos&lt;br /&gt;Impudência, pejo.&lt;br /&gt;E agora digo que há um pássaroVoando sobre o Tejo.&lt;br /&gt;Por que não posso Pontilhar de inocência e poesia&lt;br /&gt;Ossos, sangue, carne, o agora&lt;br /&gt;E tudo isso em nós que se fará disforme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe a noite, e existe o breu.&lt;br /&gt;Noite é o velado coração de Deus&lt;br /&gt;Esse que por pudor não mais procuro.&lt;br /&gt;Breu é quando tu te afastas ou dizes&lt;br /&gt;Que viajas, e um sol de gelo&lt;br /&gt;Petrifica-me a cara e desobriga-me&lt;br /&gt;De fidelidade e de conjura.&lt;br /&gt;O desejo&lt;br /&gt;Este da carne, a mim não me faz medo.&lt;br /&gt;Assim como me veio, também não me avassala.&lt;br /&gt;Sabes por quê?&lt;br /&gt;Lutei com Aquele.&lt;br /&gt;E dele também não fui lacaia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do desejo&lt;/em&gt;, Hilda Hilst.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5523711136483449904?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5523711136483449904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5523711136483449904&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5523711136483449904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5523711136483449904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/hilda-hilda.html' title='Hilda, Hilda...'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-2917419177183029150</id><published>2008-01-22T06:38:00.000-04:00</published><updated>2008-01-22T06:49:25.651-04:00</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>O nosso poeta veio hoje cantar:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a estrela cadente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;me caiu ainda quente&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;na palma da mão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** *** ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;desta vez não vai ter neve como em petrogrado aquele dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;o céu vai estar limpo e o sol brilhando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;você dormindo e eu sonhando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nem casacos nem cossacos como em petrogrado aquele dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;apenas você nua e eu como nasci&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu dormindo e você sonhando &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;não vai mais ter multidões gritando como em petrogrado aquele dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;silêncio nós dois murmúrios azuis&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;eu e você dormindo e sonhando&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nunca mais vai ter um dia como em petrogrado aquele dia&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;nada como um dia indo atrás do outro vindo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;você e eu sonhando e dormindo &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E canta também &lt;em&gt;Amor Bastante&lt;/em&gt;, lá embaixo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Para você, para nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-2917419177183029150?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/2917419177183029150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=2917419177183029150&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2917419177183029150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2917419177183029150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6910884327579717528</id><published>2008-01-20T21:03:00.000-04:00</published><updated>2008-01-28T11:08:34.029-04:00</updated><title type='text'>Ficção, me dê ficção!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um amigo querido, Fernando B., me perguntou o que eu queria dizer com o post do dia 8.11.07, em que coloquei a foto de um livro com as páginas abertas, e uma frase assim: "E um dia ela se levantou, exausta de realidade."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quis dizer isso mesmo, Nando: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a realidade às vezes exaure a gente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisamos de ficção, ficção, ficção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E um dia nos levantamos, querendo uma janela que não seja a do quarto, a da parede. Queremos uma janela no livro, no filme, no quadro, na foto, no palco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em relação à literatura, me parece que, às vezes, os escritores estão mais preocupados em &lt;em&gt;realizar &lt;/em&gt;(no sentido de realizar o real) do que de &lt;em&gt;fabular,&lt;/em&gt; no sentido de inventar, fantasiar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais do que "escrever bem" (o que é isso, afinal?), o desafio maior do escritor me parece ser criar um universo próprio. Conhecer e afirmar a sua voz e visão literária. Para isso é preciso mais do que escrever uma frase boa ou outra, não? O mergulho é muito maior. É um mergulho que rompe a fina e bruta película do real, e, de uma forma estranha, tem acesso a ele através do imaginário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, também, de forma estranha, o imaginário está inevitavelmente ligado ao que a gente lê, vê, vive, sobrevive, sobrevoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma transposição do real que, como leitora, sinto falta... Entrar numa janela, sair da realidade para voltar a ela depois diferente...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Nando também me perguntou o que eu encontro em um livro que me faz gostar dele. Fiquei pensando nisso... É o tema? Não. São os personagens? Não. É o enredo? Não. É... um jeito de dizer e ver isso tudo: tema, personagens, enredo. Sim, é o estilo. Sim, é a linguagem. Mas, principalmente, é uma fagulha de vitalidade que está por trás do texto. É uma faísca que deixa a leitura sempre viva, não importa os olhos cansados ou viciados em ler. É o que podemos chamar de originalidade, na forma de outra palavra melhor, ou de autenticidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez seja quando o autor absorve o real como mais um elemento para a sua criação, não como &lt;em&gt;&lt;strong&gt;o&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; elemento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ele/ela, na escrita, mergulha na realidade, vive, sobrevive e a sobrevoa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, imagina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6910884327579717528?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6910884327579717528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6910884327579717528&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6910884327579717528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6910884327579717528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/fico-me-d-fico.html' title='Ficção, me dê ficção!'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5984726669257759386</id><published>2008-01-17T19:47:00.000-04:00</published><updated>2008-01-17T20:07:50.273-04:00</updated><title type='text'>Estranho Verbo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Um texto que escrevi há muito muito tempo, quando havia mais sombra do que luz, quando a luz demorava tanto, quando a sombra nunca era refresco e descanso, quando muitos verbos ainda eram estranhos para mim, principalmente este que agora brilha...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou sem mãos para o meu desamparo. Ergui os braços mais cheia de ar do que de coisas. Entendi: fui muito leve até onde vai um sentido. Mas agora cai o peso. E cai como se não houvesse queda mais provável ou libertação mais impossível. Grave engano esse: o de construir o de pertencer. Parece que não há lugar no qual se encaixe essa urgência. Eduquei-me silenciosa e no escuro a gozar com pequenas carícias. Sou delicada em minhas impurezas. Cuido para que depois da língua venha sempre o verbo. Não apenas a saliva e os lábios. Ah, o amor. Abri o peito as pernas para que ele se deitasse sobre dentro. E ele se deitou. Enfim.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nessa noite não haverá nada mais breve. O resto é porém. Cultivei alegrias. Talvez seja apenas isso que posso dizer: que as cultivei. Depois a palavra veio como um grito. E assim eu não gosto. O som desprovido de uma forma parece um movimento sem ação dentro. Gritar é o primeiro e último estágio de uma comunicação perdida. E com esse susto (o de não dizer) não posso. Dói o silêncio que não se esvazia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ah quando ele não tinha nome e eu não precisava chamá-lo. Quando não havia tanto esse querer de um outro aqui. Era bom. No entanto era como não saber uma coisa e intuir quase no faro que em algum lugar existe essa coisa e que é preciso conhecer. Enquanto permaneceu o mistério eu vivia num estado certo, mas assim como se esperasse a qualquer momento uma incerteza. Então. Como uma criança que acorda cedo para ir à missa e porque é manhã e estava há pouco dormindo vai cantando hinos até a igreja. E porque a sua voz é linda e naquela semana carrega ainda intacto o orgulho de não ter cometido nenhum pecado nem dos grandes nem dos pequeninos vai seguindo o seu caminho certa do sermão da missa e lá no fundo na pontinha do sentimento que a fez se comportar tão bem vai esperando encontrar todo forte e altivo no altar não o padre nem os santos muito menos a hóstia ou os coroinhas – mas Deus. Porque está de jejum e estava há pouco sonhando. E no seu sonho havia música. Ela vai esperando um milagre. Essa criança sou eu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5984726669257759386?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5984726669257759386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5984726669257759386&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5984726669257759386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5984726669257759386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/um-texto-que-escrevi-h-muito-muito.html' title='Estranho Verbo'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-4870924762579696090</id><published>2008-01-15T09:12:00.000-04:00</published><updated>2008-01-17T20:10:59.002-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>quando eu vi você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tive uma idéia brilhante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi como se eu olhasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de dentro de um diamante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e meu olho ganhasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mil faces num só instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;basta um instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e você tem amor bastante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um bom poema leva anos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cinco jogando bola,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais cinco estudando sânscrito,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seis carregando pedra,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nove namorando a vizinha,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sete levando porrada,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quatro andando sozinho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;três mudando de cidade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dez trocando de assunto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma eternidade,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu e você,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;caminhando junto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Amor Bastante, Paulo Leminski)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-4870924762579696090?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/4870924762579696090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=4870924762579696090&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4870924762579696090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4870924762579696090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/amor-bastantepaulo-leminski.html' title=''/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7857728380286720432</id><published>2008-01-11T11:15:00.000-04:00</published><updated>2008-01-11T12:33:44.336-04:00</updated><title type='text'>Livros, livros, livros!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Todo início de ano faço uma lista imaginária dos livros que quero ler por 12 meses. Sem contar os espaços vazios para aquele livro que você nem imaginava mas que cai na sua mão sem pedir licença e vale, às vezes, mais do que um livro esperado. No ano passado, foi o caso de &lt;em&gt;O que eu amava&lt;/em&gt;, de Siri Hustvedt. Comecei a ler mais por curiosidade, já que ela é a mulher do Paul Auster. Acredito que a curiosidade, na maioria das vezes, é recompensadora. Logo esqueci com quem a autora é casada, logo esqueci quem é a autora. Acredito também que esta é uma das melhoras coisas que podem acontecer quando você abre um livro: ficar com os personagens e pronto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Aconteceu também com &lt;em&gt;As boas Mulheres da China&lt;/em&gt;, de Xinram. As histórias são impressionantes, fortes, comoventes e muito bem escritas. E tem uma história dentro da história: A autora estava saindo de uma aula quando alguém se aproximou por trás, bateu em sua cabeça e a derrubou no chão. Era um assalto. Na bolsa, a única cópia do manuscrito que ela tinha acabado de escrever. Isso foi em 1999, vamos imaginar que não se fazia backup com a constância de hoje, ou outro motivo qualquer. O fato é que o ladrão queria levar a bolsa que estava com a única cópia do seu livro. Como qualquer escritor pode imaginar e compreender, ela reagiu ao assalto, chutando o ladrão, que chutou de volta e sairam os dois rolando pela rua. A sorte dela, que rezamos seja de todos os escritores, é que várias pessoas se intrometeram na confusão e deteram o bandido. Quando o homem se levantou, ela percebeu que ele tinha mais de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;um metro e noventa! E talvez não estivesse realmente armado. Mas... faz diferença?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Ao saber do ocorrido, o policial perguntou por que ela tinha arriscado a vida por uma bolsa. Ao ouvir a resposta, retrucou: um livro é mais importante do que a sua vida?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Não era a questão de ser mais importante. Claro que não era. Mas no segundo em que reagiu, pensava no esforço emocional que teria para escrever tudo de novo. A escrita do livro tinha sido uma experiência profunda e dolorida, e Xinran, simplesmente, não poderia passar por ela de novo. E aquele era um livro que tinha que existir, que ela tinha que fazer. Então, não havia saída. Neste segundo em que reagiu, isso foi, sim, mais importante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Agora estou lendo &lt;em&gt;Todos os dias&lt;/em&gt;, do português Jorge Reis-Sá. Não terminei, mas estou encantada com muitas passagens. Acima de tudo, é uma linguagem tão viva e própria. Um universo tão bem construído, como se não tivesse sido nenhum esforço construir. Simplesmente, está lá. Existe, respira, experiências, personagens, autenticidade. Quando li o José Luiz Peixoto e a Felipa Mello tive a mesma impressão. E certa sensação de que a literatura contemporânea portuguesa, em alguns sentidos, anda bem mais consistente do que a brasileira. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;As próximas leituras são &lt;em&gt;Histórias de literatura e cegueira&lt;/em&gt;, de Julian Fuks; &lt;em&gt;Toda Terça&lt;/em&gt;, de Carola Saavedra; &lt;em&gt;Corpo Estra&lt;/em&gt;nho, de Adriana Lunardi. &lt;em&gt;Em busca de Klingsor&lt;/em&gt;, de Jorge Volpi. &lt;em&gt;Mortes imaginárias&lt;/em&gt;, de Michel Schneider, e o que mais aparecer pelo caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;E reler alguns livros queridos, que foram importantes para mim: &lt;em&gt;Os dragões não conhecem o paraíso&lt;/em&gt;, de Caio Fernando Abreu; &lt;em&gt;Todos os fogos, o fogo&lt;/em&gt;, de Cortázar; os contos de Mansfield e de Theckov, as crônicas de Nelson Rodrigues, principalmente, &lt;em&gt;O óbvio ululante&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Menina sem estrela&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Ai, será que vai dar para sair de casa, ver o sol, andar de bicicleta, ir à praia, tomar sorvete?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7857728380286720432?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7857728380286720432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7857728380286720432&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7857728380286720432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7857728380286720432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2008/01/livros-livros-livros.html' title='Livros, livros, livros!'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7915288773495267068</id><published>2007-12-21T08:26:00.000-04:00</published><updated>2007-12-21T08:48:41.277-04:00</updated><title type='text'>CONTO DE NATAL</title><content type='html'>Há alguns anos escrevi para a ótima e extinta revista Veredas do CCBB um conto de natal. Mais cinco escritores participaram: Luiz Ruffato, Marçal Aquino, Luiz Villela, Rafael Cardoso e Miguel Sanches Neto. É curioso que os textos, inclusive o meu, não são nada otimistas. E mais curioso ainda que eles cairam na rede e são veiculados por aí, como um "belo conto de natal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler todos os contos:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.paralerepensar.com.br/natal_contos.htm"&gt;http://www.paralerepensar.com.br/natal_contos.htm&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Porque é.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andou com pressa sem hora marcada para nada. Virou as esquinas pensando em como era bom virar alguma coisa. Tropeçou num treco qualquer no meio do caminho e só depois viu não se tratar de uma pedra. Os jornais que embrulhavam a pessoa deitada anunciavam uma liquidação imperdível. Ótimo. Tinha mesmo que comprar presentes. Corra, corra, não perca! Imediatamente, correu, embora não soubesse o endereço. Passou por uma mulher linda, um homem lindo, uma criança linda. Pensou: o mundo é bom. E a cidade cintilava com as luzes extras sem nenhuma beleza nem economia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No meio da multidão, esbarrou em alguém que conhecia. Rapidamente, não se cumprimentaram. Na esquina, desejou felicidades à mocinha que lhe vendeu um sanduíche. Depois, sentiu, de repente, uma alegria. Mal podia esperar a noite. Gostava da comilança, da família reunida. Nessa hora, cresceu um buraco em seu peito que o fez logo pensar em doenças. Em seguida, imaginou curas. É o susto do tempo. De tudo parecer a mesma coisa. E é também a dor desse susto. São as horas corridas que se adiantam tanto, e para quê? Para todos os anos caírem sempre no mesmo dia. Era o que pensava. Só esperava que, se alguma vez morresse, fosse quando estivesse muito, mas muito doente, pois achava morrer saudável um verdadeiro desperdício. Calculava, no futuro, que seria capaz de saborear cada instante. Em pequenas ambições, vislumbrava roçar a carne vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhando assim, é uma pessoa como outra qualquer. Carregando um desejo como qualquer outro. Arrastando e alimentando o desejo. Deixando ele crescer. Invadir o peito, arrepiar os pêlos, subir à cabeça, desfiar os cabelos. É um perigo querer tanto assim. Talvez seja a época do ano. Você sabe. Aquela que nos faz gastar o dobro do dinheiro que temos. Aquela que nos faz pensar neles. No homem que morreu na cruz e no que anda pelo mundo inteiro, por incrível que pareça, de trenó. Um teve, no peso de sua dor, a dor de todos. O outro, velhinho, vive até hoje num lugar muito longe e frio. Coitados. E ainda têm que agüentar os teus pedidos. Esses desejos que vocês carregam, arrastam, alimentam. Vejam só: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Carregar - Ato de levar ou conduzir uma carga. Tornar sombrio, triste. Tornar mais intenso, mais forte. Exercer pressão sobre.Arrastar - Ato de levar à força. Mover com dificuldade. Rastejar. Falar morosamente. Atrair, trazer atrás de si.Alimentar - Dar alimento a. Nutrir, sustentar, conservar. Incitar, incrementar. Manter, prover.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então o homem carregou os presentes até em casa, a mulher deixou mais forte o tempero da comida, o avô moveu com dificuldade a própria perna, a avó alimentou as crianças, e a menina comeu tudo, nutrindo a expectativa de enfim, naquele dia, ganhar um presente impossível porque era Natal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então o avô conseguiu sustentar com o próprio corpo o peso dos anos, a mulher falou morosamente com o marido, o homem exerceu pressão sobre a esposa, trazendo-a atrás de si até o quarto, a avó rastejou a história mais comprida para as crianças, e o menino deu alimento a cada palavra, achando que naquele dia tudo em casa estava mais calmo e bonito porque era Natal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Então a menina sustentou que Papai Noel não existia, o menino incrementou achando que aquela barba de algodão era mesmo patética e ridícula, o avô tornou-se sombrio porque perguntava e ninguém respondia, a avó incitou a filha a cuidar dos filhos e da cozinha, a mulher entristeceu, pois ela e o marido às vezes não se entendiam, o homem carregou o medo de perder tudo aquilo que nem tinha tanta certeza assim de que tinha, e todos prometeram evitar discussões naquele dia porque era Natal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pele brilhava. Perfeita. Se a levantasse apenas um pouquinho, encontraria a carne branca e macia. Igualmente perfeita. Nesse momento, a boca certamente já estaria transbordando de água. Água de fome e vontade. Uma faca grande e bem afiada faria o corte preciso. Com muita calma, penetraria nela o garfo de enormes dentes e a deitaria languidamente no prato. Ao seu lado, para breve companhia, um pouco de arroz, farofa e maionese. Pronto, perfeito. Agora, a boca aberta já estaria à espera, assim como todas as glândulas e todos os dentes. Se houver sorte e dinheiro, 32 inteiros ou consertados. Mas, antes, outro corte. Menor, mais delicado, mais sensível. Enfim, o garfo, o pequeno, espetaria a sua pressa na carne. E a boca ávida, como em nenhum outro dia, engoliria tudo. Ao seu lado, em silêncio, a sua mulher fazia o mesmo. Ao lado dela, fazia o mesmo a sua filha. E o filho. Na outra ponta, o seu pai, mãe, e pai e mãe dela. Na casa vizinha, dava para ouvir o mesmo. E o mesmo, o mesmo. Alguém riu, todos riram. Alguém disse Feliz Natal, todos repetiram. Alguém estendeu um presente, todos estenderam. Alguém anunciou que ia dormir, dormiram. E o céu deste mundo brilhava, sem reluzir nenhuma estrela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://www.paralerepensar.com.br/natal_contos.htm"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7915288773495267068?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.paralerepensar.com.br/natal_contos.htm' title='CONTO DE NATAL'/><link rel='enclosure' type='text/html' href='http://www.paralerepensar.com.br/natal_contos.htm' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7915288773495267068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7915288773495267068&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7915288773495267068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7915288773495267068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/12/conto-de-natal.html' title='CONTO DE NATAL'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-2254325776071688885</id><published>2007-12-14T15:38:00.000-04:00</published><updated>2007-12-14T15:43:39.461-04:00</updated><title type='text'>O PINTINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/R2LcTMGFQiI/AAAAAAAAABA/hYrMn5wEq4c/s1600-h/pinto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5143915946632888866" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px" height="116" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/R2LcTMGFQiI/AAAAAAAAABA/hYrMn5wEq4c/s400/pinto.jpg" width="128" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Eu estava na alfa e ia encarar a minha primeira prova. Era de leitura. Ninguém sabia qual história a gente ia ler, a surpresa fazia parte do teste. Também fazia parte a leitura ser para a diretora da escola, não para a nossa professora querida. Sabe-se lá de onde vem esses requintes de tortura, mas era assim. Lembro que estava todo mundo elétrico, a diretora tinha cabelos brancos em cachos de caracol em sua cabeça. Podia parecer um anjo, mas não era. Era uma mulher muito ocupada e muito séria. Para aumentar o requinte da nossa prova-tortura, ficávamos todos na sala, em nossas carteiras até sermos chamados pelo nome. Aí nos levantávamos e seguíamos a nossa professora querida por um corredor que lá pelos meus cinco anos achei enorme. Uma porta azul fechada então era aberta e lá estava: a diretora que de anjo só tinha os cabelos.&lt;br /&gt;Lembro que atravessei o corredor comprido com a mesma ansiedade dos meus amigos. Entrei pela fronteira azul com a mesma expectativa assustada. Mas assim que vi os caracóis brancos, tentei me recompor. Olhei a diretora com desconfiança, sem deixar ela perceber que eu sabia que ela sabia que eu sabia muito bem que de nós duas ali, era eu, sentada na cadeirinha amarela, a única em desvantagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi quando tirei os olhos da diretora para olhar a prova. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E, por uma dessas mágicas que acontecem e transformam uma coisa em outra, a prova de repente não era mais uma prova: era um livro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E a diretora sumiu com seus cabelos de caracol branco e com a sua tortura requintada para algum reino longe da porta azul. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ali, ficou só a história. &lt;em&gt;O Pintinho&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-2254325776071688885?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/2254325776071688885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=2254325776071688885&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2254325776071688885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/2254325776071688885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/12/o-pintinho.html' title='O PINTINHO'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/R2LcTMGFQiI/AAAAAAAAABA/hYrMn5wEq4c/s72-c/pinto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-4791493086778815469</id><published>2007-12-02T14:59:00.000-04:00</published><updated>2007-12-22T10:34:08.151-04:00</updated><title type='text'>Esta menina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Estava outro dia reescrevendo uma passagem do romance. Eu apagava, escrevia, lia, apagava, tomava café, voltava, lia, escrevia, apagava, tomava banho, voltava, escrevia, escrevia, escrevia escrevia, deixava, via mail, via janela, via tv, voltava, lia, apagava, escrevia, escrevia, foi assim até à noite, quando deixei para ler no dia seguinte a última versão do que fiz. E fui rodopiar pela casa, arrumei almofadas, abri geladeira, fiz o jantar, e enquanto esperava meu marido, peguei assim como quem não quer nada um livro. Assim, distraidamente, peguei o livro que estava mais ao alcance da mão. Meus olhos viram depois dos dedos que eu havia pegado, &lt;em&gt;Albúm de família&lt;/em&gt;, da Clarice. (Coincidência? Não fiz a pouco um post com ela?) E meus dedos abriram antes da mente perceber na página do conto &lt;em&gt;A menor mulher do mundo&lt;/em&gt; (coincidência? não havia trabalhado há pouco este conto no curso de criação literária?). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Coincidência ou não, reli o conto, que eu acho simplesmente um dos melhores do mundo. Reli no impulso de quem havia pegado o livro meio sem querer, impulso distraído, que trouxe frescor inesperado à leitura de um conto que há anos sei de cor. O prazer que senti foi imenso. Sempre me comovo com este conto, mas desta vez não foi uma comoção, digamos, estética, como a que tive quando trabalhei o conto na aula, foi uma comoção além, e, ao mesmo tempo, aquém, que me re-lançou na cara a leitora-menina que fui e espero sempre ser. Me trouxe este gosto fantástico, que é o de ler um texto que agrade, divirta, comova, perturbe, ultrapasse, surpreenda, mobilize e, até mesmo, desagrade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Sem dúvida, esta ligação afetiva-imaginária com a leitura me levou a escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;E fiquei pensando: será que é esta ligação que tenho -ao ler- que busco -ao escrever?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Será que é por isso que só me dou satisfeita com uma página quando, de certa forma, ela me perturba ou me comove, ou me surpreende? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;(É uma questão pessoal, sabe, que produza esses efeitos em mim, quem escreve, sem pretensão nenhuma de escrever uma página "surpreendente", "comovente", "perturbadora" para outra pessoa, o leitor. Sim, que fique claro que a cabeça até pode voar, mas os pés estão no chão, os dedos estalam e a coluna dói).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Então:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Será que o escritor está sempre tentando resgatar, ou re-criar, ao escrever a sua história, a paixão que sente ao ler?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Como se sempre estivéssemos estendendo a mão para os grandes impactos com a leitura que tivemos, sempre buscando a fonte que despertou aquela sensação primeira: o amor pelos livros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Neste ano, principalmente, uma coisa muito bela aconteceu: reencontrei a menina apaixonada por histórias que eu fui ao lembrar por acaso um episódio de quando me alfabetizei. Desde então, tenho sentido que escrevo com mais... ... paixão? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;... com maior desligamento ou despreocupação da escrita como "profissão", e de todo o seu kit? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Talvez seja isso, não sei. Sei que agora uma brisa mais fresca corre por aqui... e nunca mais escrevi de outro jeito, a não ser de mãos dadas com esta menina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-4791493086778815469?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/4791493086778815469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=4791493086778815469&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4791493086778815469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4791493086778815469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/12/aquela-menina.html' title='Esta menina'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-1544128278400602110</id><published>2007-11-19T09:44:00.000-04:00</published><updated>2007-11-19T14:55:51.468-04:00</updated><title type='text'>Mistérios de Clarice</title><content type='html'>Um pouco de Clarice, para alegrar (sim, Clarice também é alegria), o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Então fomos visitar o ministro e a família. Eles são todos ótimos. Só que são de outra espécie absolutamente. A senhora é do tipo da boa senhora, de boa família, simples, boazinha. mas eu vivo me contendo para não abrir a boca porque tudo o que eu digo soa "original" e espanta. Quero explicar o "original". Esta senhora tem pavor de original. Fomos ver uma exposição em de modelos em Viena (sem grande graça) e ela dizia: esse modelo é original mas é bonito. Falando de uma senhora inglesa que fazia muito esporte: ela é original, não gosto. Original é um palavrão. E quando eu quero dizer que não posso abrir a boca para não ser "original", quero dizer que se digo: que dia bonito, isso soa original. Quando falo, aliás, eles acham muita graça, ficam espantados, riem. E também procuro não me revelar. Por exemplo, ela, que é simples realmente, me disse: aquela casa de chá defronte do hotel é mal frequentada. Isso me avisando depois de eu ter ido lá. A casa de chá é muito bonitinha, com gente honesta comendo doce. O que se chama "mal frequentada" é porque não é frequentada pelos diplomatas e finuras da sociedade bernense. Então eu fecho a boca para nao dizer que continuo a frequentar. Os outros são simpáticos também. Mas eu me encontro com eles nos pontos em que começo a mentir. O que não importa, afinal."&lt;/div&gt;&lt;p&gt;Carta de Clarice, na bela biografia &lt;em&gt;Clarice, uma vida que se conta&lt;/em&gt;, de Nádia Battella Gotlib.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;E o link de um vídeo de Clarice no you tube. Além da última entrevista dela, disponível lá também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onclick="return top.js.OpenExtLink(window,event,this)" href="http://br.youtube.com/watch?v=MT9I4tNnFDc" target="_blank"&gt;http://br.youtube.com/watch?v=MT9I4tNnFDc&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-1544128278400602110?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/1544128278400602110/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=1544128278400602110&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1544128278400602110'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/1544128278400602110'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/11/mistrios-de-clarice.html' title='Mistérios de Clarice'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6810386305019630756</id><published>2007-11-14T10:16:00.000-04:00</published><updated>2007-11-14T11:11:34.609-04:00</updated><title type='text'>+ um pouco ...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu não esqueço de um aluno de Letras que mal conseguia escrever um texto ("tive uma péssima formação", ele dizia) e falava com os olhos brilhando que queria fazer a faculdade de Filosofia. Na verdade, fazia Letras para poder, depois, fazer Filosofia. Quem olhava o texto dele, só via a disparidade, a impossibilidade. A filosofia é um território exigente no plano da linguagem, da leitura, da escrita, da elaboração do pensamento, de tanta coisa que ele, naquele instante, não possuía, e sabia que não possuía. Mas, se a gente olhasse um pouco mais, via também o inconformismo. Uma pessoa que não se conformava em desistir de um interesse maior porque não tinha o mínimo. O sonho pessoal contra o pesadelo real da educação brasileira. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E fazia Letras na esperança de diminuir as forças contrárias do pesadelo e aumentar as do sonho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomara.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6810386305019630756?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6810386305019630756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6810386305019630756&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6810386305019630756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6810386305019630756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/11/um-pouco-sobre-cultura.html' title='+ um pouco ...'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7822022412855248236</id><published>2007-11-08T08:42:00.001-04:00</published><updated>2007-11-09T17:22:06.326-04:00</updated><title type='text'>Sem medo de ter cultura</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Ok, a minha idéia aqui neste blog não é falar de nada muito pessoal, a não ser o que está dentro e ao redor da literatura, o que mais amo nesta vida, o texto, a escrita. Estou dizendo isso não porque vou romper minha idéia inicial agora, não, vou mantê-la sempre, mas porque senti a vontade de escrever algo mais pessoal, que não envolve necessariamente a literatura, mas envolve a cultura de forma geral...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;São situações simples, mas que dizem muito sobre a relação das pessoas (algumas? a maioria?) com a cultura hoje:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Uma vez, comentei algo sobre não gostar de pagode, axé e derivados incluindo essas músicas americanas em lata e fui chamada de... &lt;strong&gt;&lt;em&gt;elitista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um amigo quase saiu no tapa com o DJ da festa do &lt;em&gt;seu&lt;/em&gt; casamento porque ele não queria axé, funk carioca e derivados na &lt;em&gt;sua&lt;/em&gt; festa, caramba, e foi chamado de... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;elitista. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;(Depois, fiquei sabendo por outras pessoas que essa queda de braço com o DJ é comum e que geralmente é ele que ganha.)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Uma aluna comentou com as amigas que estava lendo Machado de Assis na faculdade e foi chamada de... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;elitista&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;Outro aluno confessou que às vezes erra de propósito a concordância verbal/numeral para não ser chamado de... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;elitista!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;No salão, uma senhora recusou a &lt;em&gt;Caras&lt;/em&gt; e pegou na sua bolsa o seu livro encapado (ela podia estar lendo best-seller ou Shakespeare, não importa, o que importa é que estava lendo) e foi chamada de... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;elitista!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Ouvi pessoas comentando, no ônibus, sobre Chico Buarque (!) e Cartola (!) como se eles fizessem música só para... &lt;strong&gt;&lt;em&gt;elitistas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Numa roda, alguém comentou que não gosta do Big Brother, e outra pessoa duvidou, achando que no fundo, todo mundo gosta, mas disfarça. Quando a pessoa confirmou que não gostava mesmo, com os motivos e tal foi chamada por &lt;em&gt;todos&lt;/em&gt; de ... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;elitista&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Enquanto isso, o número de pessoas que abandona os estudos para trabalhar em profissões elementares aumenta escandalosamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Enquanto isso, as redações nas escolas e vestibulares da vida estão cada vez mais ilegíveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Enquanto isso, o número de pessoas que sabe ler e interpretar um texto diminui a cada dia. Então, a cada dia, textos simples vão se tornando cada vez mais difíceis e complexos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enquanto isso, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;eu e meu marido somos constantemente olhados, praticamente apontados, nas ruas deste Brasil, seja na zona norte ou sul, por formamos um casal interracial.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;Nunca vi - nesta vida, neste mundo- uma inversão tão cruel e tão cínica do significado de uma palavra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7822022412855248236?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7822022412855248236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7822022412855248236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7822022412855248236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7822022412855248236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/11/sem-medo-de-ter-cultura.html' title='Sem medo de ter cultura'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8453672807481232901</id><published>2007-11-08T08:22:00.000-04:00</published><updated>2007-11-08T19:41:41.777-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/RzOdh-zVejI/AAAAAAAAAAU/ggxqIFdpASM/s1600-h/livrosgde.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5130617607624686130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 229px; TEXT-ALIGN: center" height="289" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/RzOdh-zVejI/AAAAAAAAAAU/ggxqIFdpASM/s320/livrosgde.jpg" width="279" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;E um dia ela se levantou, exausta de realidade.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8453672807481232901?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8453672807481232901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8453672807481232901&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8453672807481232901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8453672807481232901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/11/e-um-dia-ela-se-levantou-exausta-de.html' title=''/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/RzOdh-zVejI/AAAAAAAAAAU/ggxqIFdpASM/s72-c/livrosgde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-7282940952733920134</id><published>2007-10-24T08:56:00.000-04:00</published><updated>2007-10-24T10:51:25.872-04:00</updated><title type='text'>3 X Artaud</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124889519396831202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; CURSOR: hand; HEIGHT: 162px; TEXT-ALIGN: center" height="135" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/Rx9D3XTFP-I/AAAAAAAAAAM/fH1Pxc1vxOI/s320/_artaud.jpg" width="151" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Artaud subiu para o estrado e disse: O teatro e a peste. [...] Queria lembrar-nos que os dias de Peste trouxeram à luz um grande número de maravilhosas obras de arte e peças de teatro porque o homem, chicoteado pelo medo e pela morte, procurava a imortalidade, a evasão, tentava ultrapassar-se. Artaud largava de forma quase imperceptível o fio que seguíamos e começava, porém, a interpretar o papel de um homem a morrer de peste. Ninguém viu em que momento começou a fazê-lo. [...] os olhos dilatavam, enrijava os músculos, os dedos lutavam para conservar a flexibilidade. [...] Estava em plena tortura. Berrava. Delirava. {...] As pessoas começaram por ficar de respiração entrecortada. Depois desataram a rir. Toda a gente ria! Assobiava. Por fim, foram saindo uma a uma [...] a falar alto, a protestar. [...] Mas Artaud continuava, até o último suspiro. E lá ficou no chão. Depois, [...] veio direto a mim e [...] pediu-me para ir com ele a um café. [...] Ele ficara ferido, duramente atingido e desconcertado com as vaias. Espumava de cólera: Só querem ouvir falar de; querem ouvir uma conferência objetiva sobre o teatro e a peste, ao passo que eu quero oferecer-lhes a própria experiência, a própria peste, para ficarem aterrorizados e acordarem. Quero acordá-los. Não compreendem que estão mortos. A sua morte é total, como uma surdez, uma cegueira. Mostrei-lhes a agonia. A minha,sim, e a de todos que vivem.[...] Por vezes sinto que não escrevo, que descrevo os esforços de escrever, os esforços de nascer.&lt;br /&gt;Para Artaud, morrer de peste não era mais terrível do que morrer de mediocridade, de espírito mercantil, da corrupção que nos rodeia. Queria que as pessoas tomassem consciência de que estavam a morrer. Metê-las à força num estado poético.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(grifos do original, de Anaïs Nin) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Anaïs Nin em fragmento extraído do livro &lt;em&gt;Eu, Antonin Artaud&lt;/em&gt;, coletânea de textos de Artaud,p.18-20.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo verdadeiro sentimento é na verdade intraduzível. Expressá-lo é traí-lo. Mas traduzi-lo é dissimulá-lo. A expressão verdadeira oculta aquilo que manifesta. Opõe o espírito ao vazio real da natureza criando, por reação, uma espécie de plenitude no pensamento. Ou, se preferirem, em relação à manifestação-ilusão da natureza ela cria um vazio no pensamento. Todo sentimento poderoso provoca em nós a idéia do vazio. E a linguagem clara que impede esse vazio impede também que a poesia apareça no pensamento. É por isso que uma imagem, uma alegoria, uma figura que mascare o que gostaria de revelar tem mais significado para o espírito do que as clarezas proporcionadas pelas análises das palavras.&lt;br /&gt;Assim, a verdadeira beleza nunca nos atinge diretamente. E é assim que um pôr-do-sol é belo por tudo aquilo que nos faz perder.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Artaud, Antonin, O teatro e seu duplo,p.94.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* * *&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando recito um poema, não é para ser aplaudido, mas para sentir os corpos de homens e mulheres, eu disse os corpos, tremerem e agitarem em uníssono com o meu, girarem como se passa da obtusa contemplação do buda sentado, coxas instaladas e sexo gratuito, à alma, isto é, à materialização corporal e real de um ser integral de poesia. Quero que os poemas de François Villon, de Charles Baudelaire, de Edgar Poe ou de Gerárd de Nerval tornem-se verdadeiros e que a vida saia dos livros, das revistas, dos teatros ou das missas que, para captá-la, a retêm e a crucificam, e passe para o plano dessa imagem interna de corpos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Carta de Antonin Artaud a Henri Parisot, mencionada por Cortázar em Morte de Antonin Artaud, Obras Críticas II, p.144.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-7282940952733920134?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/7282940952733920134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=7282940952733920134&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7282940952733920134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/7282940952733920134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/10/dois-momentos-de-artaud.html' title='3 X Artaud'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_EZvSAtyVgYk/Rx9D3XTFP-I/AAAAAAAAAAM/fH1Pxc1vxOI/s72-c/_artaud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6632118080025270232</id><published>2007-10-10T20:28:00.000-04:00</published><updated>2007-10-11T08:53:24.131-04:00</updated><title type='text'>Dostoiévski</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje entrei numa livraria e vi lá vários livros do mago russo em nova tradução, pelo professor Paulo Bezerra. Oba, boa desculpa para ler e reler o mestre dos subterrâneos e do humor triste. Perguntei ao livreiro se &lt;em&gt;O adolescente&lt;/em&gt; havia sido traduzido também. Ele achava que não, mas prometeu se informar e me dizer depois. Fiquei por ali vagando entre as prateleiras me lembrando do meu primeiro encontro com Dostoiévski. Foi assim: eu tinha 16 ou 17 anos e era sócia da biblioteca Municipal de Niterói. Toda semana ou de 15 em 15 dias lá estava eu em busca de um novo livro. Gosto muito de lembrar dessa época, quando a minha relação com a literatura era simplesmente de fome. Eu não queria ler autor tal ou literatura do país tal ou da época tal. Meu Deus, eu só queria &lt;strong&gt;ler&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, entrando nas fileiras repletas de livros e poeira, fui vendo as lombadas aqui e ali até que me deparei com uma com o título &lt;em&gt;O adolescente&lt;/em&gt;. Apenas isso. Apenas isso e eu tinha 16 ou 17 anos. Não conhecia o autor. Um nome esquisito, difícil à beça de falar. Peguei e levei para capa o livro de mais de 300 páginas acreditando que, pelo título, a história poderia ter quem sabe alguma coisa a ver comigo. Ingenuamente, comecei a ler. E talvez tenha sido ali entre aquelas páginas que uma parte de minha ingenuidade se foi. A narrativa, na primeira pessoa, é sobre um filho ilegítimo, criado entre estranhos. A sensação maior do personagem é que tudo em sua vida não lhe pertence, inclusive o seu nome. Lembro que simplesmente não conseguia parar de ler, acordava e dormia com o livro velho e empoeirado da biblioteca ao meu lado. No final, retardava a leitura para a última página demorar. Em nenhum momento pensei: quem é esse tal de Dostoiévski? Estava apaixonada pela história, pelo jeito da escrita, não pelo autor. Devolvi o livro no balcão da biblioteca triste de não poder deixá-lo em casa. Fiquei perdida sem saber qual seria o próximo que eu iria ler. O que eu poderia ler, depois daquilo? A bibliotecária deve ter percebido minha cara tonta e perguntou se eu queria alguma ajuda. Mostrei o livro que eu devolvia e ela me perguntou se eu tinha gostado. Fiquei assim muda sem saber o que dizer. Gostar não era bem a palavra, ou o verbo. Gostar a gente gosta de uma fruta, de um suco, de um garoto na escola. Eu tinha... amado? me apaixonado? Não sei. O livro tinha me deixado transtornada, comovida, deslumbrada, doída. Foi uma brutal experiência estética, sei hoje, talvez. Mas na época só sabia que tinha me enlouquecido. E talvez saber apenas isso seja realmente o bastante, mesmo hoje. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu e a bibliotecária acabamos nos entendendo. De um modo que não sei dizer qual foi, ela percebeu que eu havia "gostado" e então fez as devidas apresentações. Por sua boca fiquei sabendo que Dostoiévski era um grande escritor russo, do final do século XIX. E me mostrou outros livros dele. Não lembro exatamente porque, Deus queira que não seja pelo título, escolhi &lt;em&gt;O idiota&lt;/em&gt; e sai da biblioteca repetindo o nome do autor com a sensação de que havia conhecido uma pessoa que me seria cara para sempre e com a frase da bibliotecária na cabeça: um grande escritor. Hoje, fico feliz em lembrar que antes de saber que Dostoiévski era um grande escritor para o mundo, nosso encontro às escuras já o havia tornado grande para mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6632118080025270232?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6632118080025270232/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6632118080025270232&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6632118080025270232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6632118080025270232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/10/dostoivski.html' title='Dostoiévski'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-3267626812565425531</id><published>2007-10-04T13:05:00.000-04:00</published><updated>2007-10-04T13:36:28.304-04:00</updated><title type='text'>Estranha ficção, fricção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não deixa de ser instigante o fato de que meu livro tenha sido feito no vazio. E só por isso ele se fez. Quando comecei a escrever, estava cheia de informações reais sobre a história e os personagens. O "início-meio-fim" estabelecidos, embora o "como" não estivesse. Escrevi quase cem páginas que acabaram no lixo. Eu seguia os passos dos eventos como salva-vidas dispersos na imensidão do mar. Então, lembrei do meu processo com os contos. As histórias saiam do nada, uma imagem, uma idéia, um clima, uma atmosfera, uma pequena situação, uma frase que puxava outra. E, enquanto escrevia, a pergunta constante, e agora? e agora? E a história se fazia, da forma que necessitava se fazer. De certo modo, eu não tinha muito a ver com isso. Ia sendo levada, me deixando levar, seguindo as pistas que a própria escrita me dava, me ajeitando ao seu modo, decifrando a sua língua, confiando que de alguma forma iria chegar ao ponto final, embora nao soubesse muito bem como, e colaborando na medida do possível para que meus sustos, angústias e receios não atrapalhassem o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando disso, joguei as cem páginas no lixo e respirei fundo. Larguei as pesquisas e respirei fundo. Afoguei os salva-vidas no mar e respirei fundo. Esqueci que meus personagens foram pessoais reais e respirei fundo. Matei a idéia de que contava uma história "acontecida" e respirei fundo. Muito fundo. Destrui todas as certezas, todos os fatos estabelecidos e comecei. Fui escrevendo como se não houvesse nada a minha frente. O vazio. Foi preciso destruir toda a lógica consensual do que seria o enredo, foco narrativo, os personagens, blá blá blá e etc e tal para não ter nada nas mãos, a não ser a imaginação e a linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? E agora? Comecei a me perguntar a cada página, a cada novo dia diante do PC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, de alguma forma obscura, suspreendente para mim, as palavras vieram e o romance se fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi exatamente isso: no momento em que se tornou imprevisível, aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-3267626812565425531?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/3267626812565425531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=3267626812565425531&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/3267626812565425531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/3267626812565425531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/10/estranha-fico-frico.html' title='Estranha ficção, fricção'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-6690330125538740573</id><published>2007-09-29T18:32:00.000-04:00</published><updated>2007-09-29T18:50:50.428-04:00</updated><title type='text'>meus escritores</title><content type='html'>Clarice, Cortazar, Calvino, Nelson, Becket, Kafka, Guimarães, Hilda, Mansfield, Caio, Faulkner, Dostoiéski, Tchekov, Ionesco, Artaud, Saroyan, Pessoa, Barros, Marques...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Seguindo os passos de Cortazar: o que há em determinado texto que o torna especial para você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê Clarice, Cortazar, Calvino, Nelson, Becket, Kafka, Guimarães, Hilda, Mansfield, Caio, Faulkner, Dostoiévski, Tchekov, Ionesco, Artaud, Saroyan, Pessoa, Barros, Marques...? &lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-6690330125538740573?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/6690330125538740573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=6690330125538740573&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6690330125538740573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/6690330125538740573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/09/meus-escritores.html' title='meus escritores'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5161313879691678700</id><published>2007-09-13T09:16:00.000-04:00</published><updated>2007-09-13T09:54:03.780-04:00</updated><title type='text'>A marquesa</title><content type='html'>Uma brincadeirinha sobre a célebre frase de Paul Valéry, dizendo que nunca escreveria um romance que tivesse a seguinte frase: "A marquesa saiu às cinco horas". Para ele, a frase era o exemplo perfeito de uma literatura de superfície, de pequenas observações, de interesse mediano, burguês. A brincadeira é uma junção com outra observação do surrealista André Breton sobre a descrição na narrativa. Ele cita ninguém mais ninguém menos do que&lt;br /&gt;Dostoievski, em &lt;em&gt;Crime e Castigo&lt;/em&gt;. "Os móveis, de madeira amarela, eram todos muito velhos. Um sofá com um grande espaldar virado, uma mesa de formato oval em frente ao sofá, um toucador e um espelho encostados num vão de parede entre duas janelas". Para Breton, a descrição é um recurso inútil e vazio, que nada expressa ou revela. Serve apenas para retratar um ambiente, como um quadro realista. Não constrói nenhuma relação do personagem com o espaço, nem com a trama desenvolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a brincadeira:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marquesa saiu às cinco horas. Os móveis, de madeira amarela, eram muito velhos. A janela está fechada desde ontem. Havia um toucador e um espelho encostados, num vão de parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marquesa saiu? Às cinco horas? Os móveis, de madeira amarela? Eram muito velhos. A janela está fechada? Desde ontem. Havia um toucador? E um espelho. Estão encostados num vão? Na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marquesa? Saiu?&lt;br /&gt;Às cinco horas.&lt;br /&gt;E os móveis?&lt;br /&gt;Desde ontem.&lt;br /&gt;A janela?&lt;br /&gt;Fechada.&lt;br /&gt;E um toucador e um espelho?&lt;br /&gt;Encostados em vão na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marquesaaaaaaa !!&lt;br /&gt;Saiu!&lt;br /&gt;Ontem?&lt;br /&gt;Pela janela.&lt;br /&gt;Os móveis encostados em madeira amarela.&lt;br /&gt;Às cinco horas fechadas, velhos em vão no espelho.&lt;br /&gt;Desde muito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5161313879691678700?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5161313879691678700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5161313879691678700&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5161313879691678700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5161313879691678700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/09/marquesa.html' title='A marquesa'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5456791667781220863</id><published>2007-08-21T10:58:00.000-04:00</published><updated>2007-08-21T11:01:00.176-04:00</updated><title type='text'>porque sim</title><content type='html'>Ele disse que escrevia para salvar o mundo.&lt;br /&gt;Ela disse que o mundo não tinha salvação e escrevia exclusivamente para salvar a si própria.&lt;br /&gt;Ele aconselhou não contar com isso, que escrevesse apenas para continuar vivendo. &lt;br /&gt;Ela respondeu que continuar é um motivo justo para se escrever, mas que para viver não, a vida exige muito mais do que apenas o continuar dos dias.&lt;br /&gt;Ele não quis pensar sobre o assunto, preferiu escutar outra pessoa que disse que escrevia para se distrair da realidade.&lt;br /&gt;Ela se espantou, nunca havia cogitado a hipótese: se distrair da realidade. Havia cogitado fugir, escapar, esquecer.&lt;br /&gt;A outra pessoa continuou: escrevo para fazer graça.&lt;br /&gt;Ele se coçou: como?&lt;br /&gt;Graça com a vida, ora.&lt;br /&gt;Ela riu, escrever é coisa séria.&lt;br /&gt;Riram.&lt;br /&gt;É coisa profunda, de assustar.&lt;br /&gt;É pelos sustos que escrevo, disse outro homem. O mundo vai me assustando e eu vou escrevendo o que me assusta.&lt;br /&gt;Só escrevo quando estou triste, outra mulher falou.&lt;br /&gt;Eu, só quando estou feliz, ele disse.&lt;br /&gt;Não sei escrever com um problema pendente, alguém comentou.&lt;br /&gt;E uma mulher: Já eu penduro os problemas num canto da cabeça para escrever.&lt;br /&gt;E outros:&lt;br /&gt;Eu escrevo para entender. Eu escrevo porque não entendo.  Eu escrevo para inventar.&lt;br /&gt;Eu escrevo para destruir. Eu escrevo porque não sei. Eu escrevo porque não quero saber.&lt;br /&gt;Eu escrevo porque gosto. Eu escrevo porque quero. Para esquecer. Para lembrar. Para me expressar. Para me exibir. Para me ocupar. É o que sei fazer. É o que acho que sei. Porque sofro. Porque amo. Porque sonho. Porque desejo. Porque odeio. Porque digo. Porque não admito. Porque não calo.&lt;br /&gt;Eu escrevo, a moça disse, porque tenho a certeza que ninguém vai ler. Escrevo só para mim.&lt;br /&gt;Eu não escrevo para ninguém, nem para mim mesmo, o moço completou.&lt;br /&gt;Já eu simplesmente não escrevo, outro homem enfatizou. Não vou escrever num país com mais escritores que leitores.&lt;br /&gt;E com mais escritores que bons livros, outra pessoa inferiu, provocando vaias e aplausos.&lt;br /&gt;Eu escrevo por causa disso tudo, ele falou.&lt;br /&gt;E eu escrevo apesar de tudo, ela retrucou.&lt;br /&gt;Eu escrevo contra. Eu escrevo com.&lt;br /&gt;Eu escrevo para. Ao encontro de. Em busca de. Eu escrevo por.&lt;br /&gt;Eu escrevo por que.&lt;br /&gt;Eu escrevo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5456791667781220863?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5456791667781220863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5456791667781220863&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5456791667781220863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5456791667781220863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/08/porque-sim.html' title='porque sim'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-158438313289786082</id><published>2007-07-30T16:52:00.000-04:00</published><updated>2007-07-30T16:54:47.638-04:00</updated><title type='text'>Um dia qualquer</title><content type='html'>Num dia frio de verão, ele sonhou em ler um livro, como se faz num dia frio de inverno. Colocou um casaco, a manta sobre as pernas e abriu as páginas, sem desconfiar que o sol iria sair das nuvens em breve, derreter de suor sua pele e cegar com claridade fulgurante seus olhos.&lt;br /&gt;Num dia quente de inverno, ele sonhou em ir à praia de protetor solar e óculos escuros, como se faz num dia quente de verão. Não se preocupou em levar casaco ou guarda-chuva, sem imaginar que alguns minutos de sol era o que lhe restavam antes do vento arranhar com areia as lentes escuras e antes do mar derrubá-lo e engoli-lo com suas ondas gélidas.&lt;br /&gt;Num dia qualquer, ele deixou as janelas fechadas e decidiu escrever, como se faz às vezes em um dia qualquer. No seu texto, os dias de verão eram sempre muito quentes e os dias de inverno muito frios. O sol queimava e o frio gelava perfeitamente onde se devia esfriar e esquentar. &lt;br /&gt;Nesse dia, não havia dúvidas.&lt;br /&gt;Nesse dia, ele não sonhou.&lt;br /&gt;No dia seguinte, foi encontrado morto e sozinho, como acontece no dia seguinte a morte, quando se mora sozinho.&lt;br /&gt;Disseram que morreu asfixiado pela fumaça dos milhares de papéis que queimou, provavelmente na tentativa de fazer uma fogueira.&lt;br /&gt;Disseram que morreu tentando abrir as janelas que ele próprio havia trancado com cadeado e jogado as chaves fora.&lt;br /&gt;Encontraram retalhos das páginas incendiadas com histórias nas quais as pessoas morriam congeladas no inverno e queimadas no verão. &lt;br /&gt;Leram as frases sobreviventes, com imensa piedade.&lt;br /&gt;Tão jovem, alguém disse.&lt;br /&gt;Em seguida, foram cuidar do enterro, que não havia dúvidas de que aquele homem estava mesmo morto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-158438313289786082?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/158438313289786082/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=158438313289786082&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/158438313289786082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/158438313289786082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/07/um-dia-qualquer.html' title='Um dia qualquer'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8208973770658924663</id><published>2007-06-05T14:10:00.000-04:00</published><updated>2007-06-05T14:11:57.523-04:00</updated><title type='text'>O martelo de Cortázar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Esse escritor (o rebelde) parece ver no literato vocacional o homem que, de etapa em etapa, de escola em escola, vem aperfeiçoando um martelo desde o fundo dos séculos, polindo-o, melhorando sua forma, mudando detalhes, adorando-o como sua obra-prima e a culminação de seu esforço, mas sem o sentimento essencial de que todo esse trabalho deve finalmente levá-lo a empunhar o martelo e começar a martelar. Esse escritor segura o martelo tal como lhe foi dado, sem olhar para ele ou no máximo estudando-o até aprender a manuseá-lo direito; mas toda a sua atenção já está concentrada em outra coisa, no prego, naquilo que motiva o martelo e o justifica. E, desde que o século começou, muitas vezes esmagou os dedos por não olhar o martelo; mas não se importa com isso, porque faz parte do jogo, e depois ainda se bate melhor. Com vontade e eficácia mais acirradas. [...] se quisermos saber seu motivo para empunhar o mesmo martelo tradicional e se lançar à construção da sua cidade do sol, ele nos responderá descaradamente que em primeiro lugar é preferível lançar mão de uma ferramenta pronta antes que forjar um utensílio novo e, depois, que essa ferramenta continua sendo a mais eficiente para bater num prego, se realmente for usada para isso; e que, de mais a mais, ela é a mais cômoda."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8208973770658924663?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8208973770658924663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8208973770658924663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8208973770658924663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8208973770658924663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/06/o-martelo-de-cortzar.html' title='O martelo de Cortázar'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-5721785241729325891</id><published>2007-06-02T22:27:00.000-04:00</published><updated>2007-06-02T23:46:44.477-04:00</updated><title type='text'>A PEQUENA MORTE_ O conto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma aluna me falou do espanto (ainda, o espanto) que sentiu ao ler o conto que dá título ao livro, &lt;em&gt;A Pequena morte e outras naturezas. &lt;/em&gt;Ouvi as impressões que ela teve na leitura com uma estranha sensação. Imediatamente, me transportei para a época em que escrevia o conto. Me vi diante do computador, escrevendo. Me vi digitando as frases hoje tão conhecidas para mim e que na época me vieram aos pulos. Me vi assustada com o que escrevia e com o que sentia ao escrever.Lembrei como este conto mexeu comigo. Eu tinha esquecido disso. Este conto me virou do avesso, me tirou peles, cascas, revirou feridas. Depois dele, eu estava diferente. Eu o reescrevi por quatro anos, entre indas e vindas, pausas e retornos. Com ele, experimentei tantas coisas, sobre mim mesma e sobre a escrita. Como pude esquecer? Não lembrar é como se eu tivesse me tornado outra escritora. E eu sei, como sei, que - dentro do pouco tempo livre e da louca rotina de compromissos urgentes sem a menor urgência - continuo essa pessoa que mexe com as palavras e é mexida por elas; que passa pela escrita como uma experiência; que atravessa a história e chega no outro lado, modificada; que vibra, como depois do sexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não conhece, deixo aqui uma palhinha da &lt;em&gt;Pequena Morte,&lt;/em&gt; com saudades, muitas saudades, desta moça que o escreveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;A PEQUENA MORTE&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ela apenas sabia : No início, era uma menina.&lt;br /&gt;Uma menina que foi crescendo com uma angústia das grandes.&lt;br /&gt;Quando cresceu para sempre, percebeu que não tinha tamanho. Não tinha limites para o que sentia. Seu coração arrebatava-se com a vida. Espantava-se com tanto. Tinha fome, de tudo, por tudo. Olhava o mundo com os olhos arregalados. Se pudesse, morderia as carnes, possuiria as matérias. Mas, geralmente, apenas passava o olhar sobre todas as coisas, consumindo-se com o que não podia consumir.&lt;br /&gt;Pensou na menina de tranças que fora.&lt;br /&gt;Lembrou que quando pequena tinha uma brincadeira predileta : caçar formigas.&lt;br /&gt;Enquanto mastigava o chiclete ia esmagando as formiguinhas. Fazia isso sem pensar, quase sem saber que fazia. Quando descobriu que matava e ainda, assim, tão distraída do próprio crime, rodopiou até não agüentar ver tudo tão torto. E caiu aos pés do formigueiro.&lt;br /&gt;Deitada, sentiu o movimento das bichinhas sobre a terra. Próximas de suas pernas, de seu rosto. Teve medo. Mas o seu coraçãozinho apertava-se era de culpa. Resolveu não se mexer. Percebeu que o aperto no peito era mais uma sensação do que uma certeza. Achou que sentiria melhor a culpa se a sentisse na carne. Estava decidida a enterrar a cabeça na terra, a entregar o seu corpo às formigas. Então, muito lentamente, abriu os braços, para receber o castigo. Também apertou os olhos até onde pôde. Queria sentir muita dor.&lt;br /&gt;Ao chegar em casa, correu para a cama, onde ardeu de febre, de desvarios.&lt;br /&gt;Doíam-lhe as picadas, a culpa.&lt;br /&gt;Depois, foi com uma agonia mortal que se levantou e, em passos muito lentos e&lt;br /&gt;desequilibrados, como ainda em delírio, se dirigiu, tonta, tonta, para o quintal. Certa de que não havia outro lugar para ir.&lt;br /&gt;No início, sentia pena das formigas mortas.&lt;br /&gt;Mas logo afligia-se com as vivas.&lt;br /&gt;O prazer, ou melhor, o alívio, era maior do que a pena.&lt;br /&gt;Melhor do que brincar de boneca era brincar de formiga.&lt;br /&gt;Ou então, de galinha.&lt;br /&gt;Não, não matava galinhas. Quem fazia isso era a empregada Jacira. Ela apenas as via morrer. Precisava vê-las morrer.&lt;br /&gt;Quando ouvia que teriam frango para o almoço, corria para o quintal atrás de Jacira.&lt;br /&gt;Primeiro, só as olhava.&lt;br /&gt;Achava-as lindas assim tão inocentes do seu destino.&lt;br /&gt;Depois, observava cada uma, tentando adivinhar qual delas seria a vítima.&lt;br /&gt;Então escolhia a de cara mais espantada.&lt;br /&gt;E vinha Jacira sem erro na galinha escolhida.&lt;br /&gt;Era sempre assim.&lt;br /&gt;Jacira insistia para que ela voltasse para casa, mas ela teimava em assistir tudo até o final. Gostava de ver o bicho lutando. Também gostava de vê-lo perder as forças. Mas, principalmente, o que mais gostava era quando ele se entregava à morte. E o seu olhar era tranqüilo e certo. Ela esperava até ver toda a agonia terminar no último suspiro.&lt;br /&gt;Terminava também a sua agonia. Era o alívio.&lt;br /&gt;No almoço, era com curiosidade e prazer que mastigava a carne da vítima. Procurava o gosto da morte entre os temperos. Cultivava em segredo uma mania : sempre fechava muito bem os olhos antes de engolir. E nunca comia um pedaço só. Também fazia questão da carne mal passada. A sua mãe sorria e elogiava o seu apetite. Ela também sorria. E olhava os adultos. Perguntava-se se eles se sentiam assim tão febris e felizes como ela. Mas eles comiam de um jeito tão distraído de matar formigas que ela percebeu que era inútil perguntar. Eles não sabiam.&lt;br /&gt;Não sabiam o que ela sabia. Ela, que sentia uma parte quente do mundo dentro de si, intuía algum mistério que ainda não tinha nome em seu vocabulário. Mas era bom, muito bom.&lt;br /&gt;Lembrou de um outro episódio : Estava deitada na grama, feliz, entre as formigas. Abraçava o chão, de barriga para o centro do mundo. Respirava a terra, de costas para o céu. Foi então que caiu bem na sua frente, a alguns centímetros da sua cabeça, um passarinho ferido, quase morto. Um menino veio correndo. Ele parou ao seu lado e inclinou-se atento sobre o bichinho.&lt;br /&gt;Ela viu o estilingue em suas mãos.&lt;br /&gt;O que sentiu, nem depois, com mais idade e palavras, pôde descrever.&lt;br /&gt;Era o terror. O encanto.&lt;br /&gt;Aproximou-se do menino. Esperaram juntos, de cabeças unidas, a última respiração do passarinho.&lt;br /&gt;Quando o bichinho morreu, ela suspirou forte demais para uma menina.&lt;br /&gt;Ele então a olhou pela primeira vez. Um olhar para sempre.&lt;br /&gt;Mas logo inclinou-se, pegando o passarinho. E carregou-o com tanto cuidado e delicadeza que ela, hipnotizada por esse gesto, não conteve a sua dúvida.&lt;br /&gt;- Foi você, não foi ?&lt;br /&gt;Mas ele não disse nada.&lt;br /&gt;- Por quê ? – ela insistiu.&lt;br /&gt;E esperou a resposta que poderia salvá-la para sempre. Mas ele não lhe deu atenção, já estava longe.&lt;br /&gt;Ela olhou o pequeno sangue na grama.&lt;br /&gt;Ainda o viu antes de descer a ladeira. O seu primeiro amor.&lt;br /&gt;Correu e alcançou-o mais adiante.&lt;br /&gt;Lá estava ele, com uma pedra na mão, cavando um buraco na terra.&lt;br /&gt;Ela aproximou-se, tímida.&lt;br /&gt;- Posso ajudar ?&lt;br /&gt;Ele deu de ombros.&lt;br /&gt;- Pode.&lt;br /&gt;Ela ajudou, maravilhada. Colheu flores para o velório, lembrou de uma oração para o enterro. Cantarolou baixinho, enquanto o observava. No meio da cerimônia, olharam-se, numa espécie de êxtase.&lt;br /&gt;Ele tinha o jeito dos que sabiam.&lt;br /&gt;Levou-o ao seu quintal para verem juntos Jacira com as galinhas.&lt;br /&gt;Ele, como ela, adivinhou qual delas seria a vítima.&lt;br /&gt;Ele, como ela, mastigava muito antes de engolir.&lt;br /&gt;Ele, como ela, também se divertia com as formigas.&lt;br /&gt;Estavam unidos para sempre.&lt;br /&gt;Mas, um dia, se separaram. Foi no início da adolescência, quando a família o levou para longe. Ela se despediu, em prantos. Dentro do carro, ele a viu desaparecer no vento e na poeira da estrada. Pela primeira vez, tiveram medo de permanecerem sempre famintos. Eram crianças, mas já percebiam o que os mantinham vivos. Ele corroeu-se todo por dentro. Ainda não tinha aprendido a chorar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A chorar ela aprendeu logo. Foi crescendo rápido entre as lágrimas e a raiva. Não tinha diversão que aplacasse a sua fúria. Não tinha pessoa que a fizesse esquecer. Estava sozinha.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-5721785241729325891?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/5721785241729325891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=5721785241729325891&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5721785241729325891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/5721785241729325891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/06/pequena-morte-o-conto.html' title='A PEQUENA MORTE_ O conto'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-4269768373601279376</id><published>2007-05-23T18:27:00.000-04:00</published><updated>2007-06-02T23:51:08.783-04:00</updated><title type='text'>Sobre escrever</title><content type='html'>É que o tempo espanta. Abrir a página e a última frase ter sido escrita há tanto tempo... dói como uma ausência perdida... ou sei lá, dói e ponto. dói e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a vida exige. A vida exige. exige.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, também é preciso exigir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que o tempo espanta. Abrir a página e me sentir tão dentro do mundo em meus dedos. Como se as horas do lado de fora valessem por poucas coisas. Coisas seguradas à força, a forcéps, a garras e dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas âncoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que a vida existe. A vida existe. existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes também é preciso existir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*******************                       ****************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pomo (&lt;em&gt;De Mínima lírica)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Da vida só têm substância&lt;br /&gt;a casca e o caroço.&lt;br /&gt;No meio só tem amido,&lt;br /&gt;embromações do carbono. Porém todo o gosto reside&lt;br /&gt;nessa carne intermediária,&lt;br /&gt;sem valor alimentício, sem realidade, sem nada.&lt;br /&gt;É nela que os dentes encontram&lt;br /&gt;o que os mantém afiados;&lt;br /&gt;com ela é que a língua elabora&lt;br /&gt;a doce palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sonetilho de verão&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Traído pelas palavras.&lt;br /&gt;O mundo não tem conserto.&lt;br /&gt;Meu coração se agonia.&lt;br /&gt;Minha alma se escalavra.&lt;br /&gt;Meu corpo não liga não.&lt;br /&gt;A idéia resiste ao verso,&lt;br /&gt;o verso recusa a rima,&lt;br /&gt;a rima afronta a razão&lt;br /&gt;e a razão desatina.&lt;br /&gt;Desejo manda lembranças.&lt;br /&gt;O poema não deu certo.&lt;br /&gt;A vida não deu em nada.&lt;br /&gt;Não há deus. Não há esperança.&lt;br /&gt;Amanhã deve dar praia.&lt;br /&gt;(Paulo Henriques Britto)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-4269768373601279376?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/4269768373601279376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=4269768373601279376&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4269768373601279376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/4269768373601279376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/05/sobre-escrever.html' title='Sobre escrever'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-8025865843370910295</id><published>2007-04-25T13:36:00.000-04:00</published><updated>2007-04-25T13:50:49.172-04:00</updated><title type='text'>CLARICE</title><content type='html'>É aparentemente paradoxal, mas às vezes tenho a certeza de que o que atrapalha a escrever é ter de usar palavras. É incômodo. É como se eu quisesse uma comunicação mais direta, uma compreensão muda como acontece às vezes entre pessoas. Se eu pudesse escrever por intermédio desenhar na madeira ou de alisar uma cabeça de menino ou de passear pelo campo, jamais teria entrado pelo caminho da palavra. Faria o que tanta gente que não escreve faz, e exatamente com a mesma alegria e o mesmo tormento de quem escreve e com as mesmas profundas decepções inconsoláveis: viveria, não usaria palavras. O que pode vir a ser a minha solução. E se for, bem vinda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou incapaz de me sentar diante da máquina e de ir desenvolvendo um esquema pré-estabelecido, eu simplesmente escrevo o que vem. É assim: eu tomo notas de frases que me vêm, vejo que elas se ligam umas com as outras e já começo a escrever o livro. Não escrevo desta minha maneira pra ser de vanguarda, pra romper com os padrões literários, nada disso. Por exemplo: eu já fui hermética e hoje acho que não sou mais, a coisa vai-se espairecendo sem premeditação. Quanto ao adjetivo qualitativo, só os outros é que podem dar, eu não posso dar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-8025865843370910295?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/8025865843370910295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=8025865843370910295&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8025865843370910295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/8025865843370910295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2007/04/clarice.html' title='CLARICE'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-116724501279668979</id><published>2006-12-27T14:05:00.000-04:00</published><updated>2006-12-27T14:43:32.873-04:00</updated><title type='text'>RESENHAS - parte 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Percebi que nunca fiz um posto com  resenhas e matérias do meu livro &lt;em&gt;A pequena morte e outras naturezas&lt;/em&gt;. Como o romance sairá em 2007, vale a pena dar uma refrescada nessas coisas... Ainda vou aprender a manusear melhor o blog e deixar num link definitivo. Até lá...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Naturezas vigorosas&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os contos de "A pequena morte e outras naturezas", da jovem escritora Claudia Lage, são histórias longas de múltiplos feitios, com enredos extremamente diferençados, tratando da vida como um percurso de situações surpreendentes. Reunidas, as treze narrativas do livro compõem todo um painel pontilhado de possibilidades da existência. Em destaque, as relações afetivas, como destino essencial para as personagens. Por tramas imaginosas e originais, sempre com desfechos extraordinários, os contos tratam da descoberta do amor, da perplexidade no desencontro, da dor da perda e da saudade, da rotina na existência sem sentido, do desejo e do sabor da morte. No encaminhamento de suas histórias, a escritora lança mão das mais diversas técnicas narrativas, desde o relato de memória até o monólogo interior. Claudia Lage usa com habilidade tanto a narrativa na terceira pessoa, como na primeira, sendo vigorosos e fluentes os instantes de diálogos. Em cada um de seus contos, estão evidentes o domínio da linguagem e a adequada opção estilística. Sem dúvida, com "A pequena morte e outras naturezas", a escritora estreante firma seu talento, prenunciando uma boa presença na literatura brasileira. --&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;por José Arrabal (Site Capitu- literatura, Submarino)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;As nossas pequenas mortes (Jornal do Comércio, Recife)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Nesses tempos em que você passa por uma livraria e dá de cara com obras de novos autores com 800 páginas, mais 300 de prefácio e 200 de introdução, encontrar livros de estreantes com simplórias 222 páginas é um achado. Adicione isso a epígrafes de gente como Clarice Lispector e Hilda Hilst, recomendação de Antônio Torres e além do mais textos emocionantes e precisos, parece até invenção. Mas é assim com essa boa surpresa que Cláudia Lage lança seu primeiro trabalho, A Pequena Morte e Outras Naturezas (Editora Record, R$ 20,00).&lt;br /&gt;“Em um País onde a leitura é mínima, o conto pode despertar o interesse das pessoas”, afirma a autora. As estórias de Cláudia, graduada em letras pela Universidade Federal Fluminense, são curtas, porém construídas com grande densidade psicológica, valorizando as emoções.&lt;br /&gt;Entre as suas influências, ela admite as de grandes nomes, como Clarice Lispector e Manoel de Barros – todos citados nas epígrafes da obra. Além desses dois, é possível sentir um certo ar de Caio Fernando Abreu e Rubem Fonseca, aqui e ali. Dois autores, diga-se de passagem, que parecem permear o trabalho de muitos estreantes atualmente no Brasil.&lt;br /&gt;No futuro, a autora pretende entrar no terreno do romance, mesmo admitindo que é admiradora da linguagem curta, quase em pílulas, que os contos proporcionam. “Todo mundo fica me dizendo que conto é difícil, que não vende. Não sei, acho que gosto de uma história curta, de uma narrativa essencial que se resolva em pouco tempo”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Pequena Morte e Outras Naturezas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a title="Veja outros livros de CLAUDIA LAGE" href="http://www.planetanews.com/autor/CLAUDIA%20LAGE"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;CLAUDIA LAGE&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;   &lt;br /&gt;Treze contos da autor estreante Claudia Lage. Entretanto, Claudia apresenta histórias fortes, apresentadas com estilo apurado, livro segurança na ação e expressivo domínio da linguagem. São narrativas longas que, sem soluções fáceis, tratam das múltiplas possibilidades dos sentimentos humanos escritor e do sentido autor da vida. Sem dúvida, claudia lage revela a escritora como  talentosa presença na literatura brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-116724501279668979?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/116724501279668979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=116724501279668979&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116724501279668979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116724501279668979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/12/resenhas-parte-1.html' title='RESENHAS - parte 1'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-116069290413258888</id><published>2006-10-12T18:40:00.000-04:00</published><updated>2006-10-12T18:41:44.153-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;O LABIRINTO DA ESTANTE &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(Crônica 1)                                                                                                    &lt;br /&gt; Claudia Lage&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou em abstinência. Há trinta dias que não abro um livro, que não ponho uma única palavra nos olhos. Isso não é nada, pra muita gente. Mas, pra mim, que abro livros buscando afagos e atritos na pele, na imaginação, nos doze sentidos, é muito. Para mim, que durmo melhor com a palavra escrita do que com a dita, que não vejo imagem ou situação que eu não rumine e sofra em palavras e em silêncios, é um tempo impossível.&lt;br /&gt;Tudo começou de um modo brusco, como sempre começam as surpresas. O inesperado é fogo. Fica a espreita como quem não quer nada e depois dá o bote, sem deixar brecha nem tempo pra gente se defender.&lt;br /&gt;Eu estava num sarau literário. Todo mundo lia o texto de todo mundo entre chopes, risadas, petiscos, elogios ao vento, acanhamentos sinceros e cegas vaidades, quando escutei na voz de alguém um texto que me chamou atenção, não por que fosse bom ou ruim, mas porque me despertava uma sensação estranha, uma dor aguda nos dedos, uma aflição de pegar canetas e riscar paredes. Perguntei de quem era o texto e todos riram, tá brincando, tá de porre, tá de onda. Tô nada! Então, o inesperado baixou sem dó nem piedade: é teu, ora. Meu! Mas como eu não reconheci meu próprio texto?&lt;br /&gt;Entendam. Mesmo sabendo que eu não via o texto faz tempo, que alguém tinha ele na gaveta e resolveu sei lá porque ler sem me avisar, mesmo assim: se eu não reconheci meu próprio texto, ele poderia ter sido escrito por qualquer pessoa.&lt;br /&gt;E pior: ele nem me soou como vagamente conhecido, pior, ele apenas me despertou uma sensação estranha, como quem encontra um filho sem saber que é seu e sente um sentimento fundo, sem identificação. Vontade de ao mesmo tempo sorrir e de virar as costas.&lt;br /&gt;Desesperei.&lt;br /&gt;Peguei com tremor o texto maldito, o filho bastardo, e fuxiquei, farejei, virei do verso e do avesso. E vi: estavam ali as sombras de todos os escritores que me marcaram, numa miscigenação estranhíssima. Um ser amorfo que era tudo e nada, sem a marca de seu criador: eu. E eu? Procurei em cada frase. E eu? Não. Eu não estava ali.&lt;br /&gt;Já dizem por aí que ando roendo os dedos, cuspindo unhas, fechando bares, chutando latas, mordendo asfalto, jogando teclados pela janela e assassinando PCs. Mentira. Tudo mentira. Apenas entrei de jejum de livros e ando arrastando os chinelos pela casa, olhando com espanto as estantes, ruminando um silêncio de leitura.&lt;br /&gt;Sempre achei que ler me ajudaria a escrever. Li de tudo, engolindo estilos, mastigando imagens, saboreando frases, despudoradamente. E do que me serviu toda essa dedicação de entranhas? Para me perder num labirinto de linguagens e estilos? Para escrever um texto sem dono, sem voz própria, sem assinatura, sem eu?&lt;br /&gt;Que exagero! riu minha amiga-que-não-é-escritora, substituindo a minha caneca king zise de café por uma xícara single de chá de camomila. Sério. Eu lia, crente-crente que me alimentava: absorvia sensibilidades, engolia estéticas. Não! Elas que me absorveram, elas que me engoliram, entende? As referências me abduziram! Minha amiga-que-não-é-escritora fez seu diagnóstico: muito simples: crise criativa. E, antes de sair: você só precisa digerir tudo isso. Minha amiga-que-não-é-escritora é nutricionista.  De novo a sós com a estante, percebi que minha crise criativa era mesmo caso de má digestão. Estava com leituras do dedão do pé ao cocuruto da cabeça. Não havia um único espaço vazio, para que algo realmente meu pudesse se criar. Enjôo. Muito enjôo.&lt;br /&gt;Vomitei. É uma metáfora, por favor. Vomitei palavras, muitas. Num jorro incessante. Escrevi de tudo, posso dizer que todos os escritores passaram pela minha mão. Me senti um médium que incorpora ao mesmo tempo em que finge incorporar. Finge e nunca foi tão verdadeiro. Será que é isso? A consciência de estar fazendo algo já feito, que nos faz sentir como se não estivéssemos realmente fazendo aquilo, como algo nosso, mas apenas imitando aquilo que já se faz, ao mesmo tempo em que lá no íntimo sentimos que da imitação surge alguma coisa genuína, que só quem faz de verdade pode fazer? E a sensação também, de que essa coisa genuína, pessoal, só surge porque se conheceu outras, para então conscientemente se destacar delas, e, enfim, ser?&lt;br /&gt;No meio do labirinto de palavras, escrevi, de repente, estou aqui! Nunca senti, como nesse instante, que colocava no papel uma coisa tão minha.&lt;br /&gt;Foi preciso voltar bravamente à estante e aos livros para encontrar num deles a confidência de um autor lido em todo o mundo, há dois séculos: a busca da própria voz é a angústia e a delícia de todo bom escritor.&lt;br /&gt;O jejum estava terminado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-116069290413258888?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/116069290413258888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=116069290413258888&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116069290413258888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116069290413258888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/10/o-labirinto-da-estante-crnica-1.html' title=''/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-116069138878990556</id><published>2006-10-12T18:15:00.000-04:00</published><updated>2006-10-12T18:16:28.803-04:00</updated><title type='text'>Cristal de Clarice - A palavra</title><content type='html'>Le miracle é um octógono de cristal que se pode girar lentamente na palma da mão. Ele está na mão, mas é de se olhar. Pode-se vê-lo de todos os lados, bem devagar, e de cada lado é o octógono de cristal. Até que de repente – arriscando o corpo e já toda pálida de sentido – a pessoa entende: na própria mão aberta não está um octógono mas le miracle. A partir desse instante não se vê mais nada: tem-se.&lt;br /&gt;     Para passar de uma palavra física ao seu significado, antes destrói-se-á em estilhaços, assim como o fogo de artifício é um objeto opaco até ser, no seu destino, um fulgor no ar e a própria morte. Na passagem de simples corpo a sentido de amor, o zangão tem o mesmo atingimento supremo: ele morre.&lt;br /&gt;                    &lt;br /&gt;                      Clarice Lispector, A descoberta do mundo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-116069138878990556?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/116069138878990556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=116069138878990556&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116069138878990556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/116069138878990556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/10/cristal-de-clarice-palavra.html' title='Cristal de Clarice - A palavra'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-115939424681495025</id><published>2006-09-27T17:24:00.000-04:00</published><updated>2006-09-28T12:14:24.466-04:00</updated><title type='text'>Sabe? Sabe? - Parte 2</title><content type='html'>Sabe o que é ver passar os dias, meses, sem tempo de colocar as mãos os dedos nas páginas frases palavras que até então eram suas - íntimas como é íntimo o corpo de quem se ama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quando você se afasta tanto do seu texto, tanto, tanto, que - depois de meses sem olhar para ele - quando, enfim se depara com as páginas escritas, não as reconhece mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que é procurar no texto - como quem procura no rosto de um antigo amante- o rastro do que um dia te pertenceu? os traços que se reconhecia pelo tato? o percurso que se fazia de olhos fechados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabe o que é imprimir o seu texto - quase trezentas páginas- não para revisá-las ou para lê-las de novo, mas apenas e exclusivamente para abraçá-las? Sabe o que é a necessidade de confirmar- depois de tanta ausência - de que elas existem realmente e não são apenas uma imagem em seu computador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que é, enfim, ler o que se escreveu durante quatro anos vendo, na sua frente, quatro anos se passarem, enquanto, no papel, nada mais há além do que está escrito? Nada mais há além de uma história que não é a sua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe o que é guardar o livro impresso na estante com o espanto inevitável que tudo aquilo não te pertence mais? E, ao mesmo, tempo, sabe o que é ter a certeza, quase como um segredo, de que aquelas quase trezentas páginas nao saíram de outro lugar a nao ser de você mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabe o que é saber isso, não por uma constatação racional, mas por um vazio incrível no corpo? uma neblina qualquer na alma? um soco qualquer no estômago? uma alegria qualquer por outras vidas (as escritas)? uma preguiça qualquer nos dedos? uma angústia qualquer de noite de dia? uma vontade qualquer de escrever qualquer coisa? uma saudade qualquer de papel e caneta? um deserto absurdo de sentidos e palavras? uma urgência única de pertencer de novo?&lt;br /&gt;Sabe? sabe? sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-115939424681495025?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/115939424681495025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=115939424681495025&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115939424681495025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115939424681495025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/09/sabe-sabe-parte-2.html' title='Sabe? Sabe? - Parte 2'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-115215544281301442</id><published>2006-07-05T22:20:00.000-04:00</published><updated>2006-07-05T23:10:42.880-04:00</updated><title type='text'>Sabe? - parte I</title><content type='html'>Sabe quando você acorda, pula da cama feliz porque tem o dia inteiro pela frente para escrever? E sabe quando você acorda, pula da cama feliz porque tem o dia inteiro pela frente para escrever e no meio do café o telefone toca com um trabalho urgente para ser entregue até o meio-dia? E sabe quando você faz o trabalho urgente até o meio-dia e fica de novo feliz e saltitante porque afinal de contas ainda tem a tarde e a noite inteira pela frente para escrever e escrever? E sabe quando você abre o arquivo do word e começa a ler as palavras e a se envolver com aquilo e tal e aí se lembra que é o último dia para pagar aquela conta no caixa eletrônico e você pensa que é melhor pagar logo antes de esquecer de novo e depois ter que enfrentar fila quilométrica de banco? E sabe quando você olha a frase que estava escrevendo sem lembrar mais porque estava escrevendo daquele jeito e se entristece um pouco porque parecia uma boa frase afinal e a idéia na tua cabeça prometia mas agora não promete mais? Sabe quando você fecha o arquivo do word jurando que não vai demorar a abrir, que vai ser rapidinho, uma saidinha e pronto? E sabe quando você desliga o computador com a mesma sensação que se despede um amigo que você não sabe mas intúi que vai ficar um tempão sem ver? E sabe quando de repente no meio da rua entre um pensamento qualquer e outro vem a idéia daquela frase promissora que tinha se perdido antes? E sabe como é ter a idéia de novo no meio da rua e nenhum papel nem caneta para anotar? Sabe o que é ficar correndo de esquina em esquina falando sozinha repetindo a tal frase atrás de papelaria, papel, guardanapo serve, caneta bic, de camelô, qualquer uma desde que escreva? Sabe o que é ficar em casa com bloqueio criativo dias, horas, olhando o teto, as paredes, tomando café, horas, horas, sem conseguir escrever uma frase sequer, e, depois, basta colocar os pés na rua para ser fulminada por nada mais nada menos do que a santa inspiração?  Sabe o que é ter uma frase atrás da outra passando pela tua cabeça ao mesmo tempo em que você pensa, que ótimo, como não pensei nisso antes, e ao mesmo tempo também em que sabe que se não anotar logo daqui a pouco vai esquecer? Sabe o que é enfim achar uma papelaria-esperar pela sua vez- quase implorar para ser atendida-pedir papel, não tem, bloquinho serve, caneta, qual, a mais barata, ficar na fila do caixa, pagar, troco e então-enfim- sabe o que é escrever em pé andando e já sentindo todas aquelas frases e idéias desvanecendo como um lindo pôr-do-sol atrás do monte?  Sabe o que é voltar para casa depois de ter ido no banco, almoçado pela rua mesmo, aproveitado para dar um pulo numa lojinha que tem umas frutas ótimas,  ido rapidinho na costureira para pegar uma calça, ter dado uma passadinha no mercado porque se lembrou que o pão e o queijo tinham acabado, e também detergente, e sabão em pó, e Veja, e para o jantar um frango, e, enfim, ao chegar em casa, sabe o que é olhar o relógio e ver que são cinco horas da tarde e que o dia inteiro que tinha pela frente para escrever já estava ficando todo para trás?&lt;br /&gt;E sabe o que é enfim e de novo ligar o computador e abrir o arquivo com a sensação vazia de que embora você quisesse muito não há nada nada nada a dizer?&lt;br /&gt;E sabe o que é ver a noite chegar com o word aberto e as palavras inférteis, como um ventre seco?&lt;br /&gt;Sabe o que é ligar a TV dizendo a si mesma que é só um descanso de 15 minutinhos mas acabar vendo o programa inteiro e o outro e o outro, com o laptop ligado no colo? Sabe o que é enfim desligar o computador, não a TV, sem saber o que fazer com o dia perdido?&lt;br /&gt;Sabe o que é ir para a cozinha preparar o frango com o terrível alívio de que pelo menos o coitado - grelhado ou ensopado - vai sair?&lt;br /&gt;Sabe? Sabe?Sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-115215544281301442?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/115215544281301442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=115215544281301442&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115215544281301442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115215544281301442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/07/sabe-parte-i.html' title='Sabe? - parte I'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-115092587044852297</id><published>2006-06-21T17:16:00.001-04:00</published><updated>2006-06-21T17:37:50.466-04:00</updated><title type='text'>falso ponto final</title><content type='html'>Mesmo falso, aí está. E o olhar volta para a primeira palavra, primeiro sopro, a primeira frase. Todo o contexto da vida que envolvia aquele momento. Tudo que estava por detrás das palavras. Tudo o que a palavra não diz, mas que, de certa forma, a alimenta. A alimentou. E como tudo mudou. Junto com o texto. Parece que a pessoa que escreveu aquele início não existe mais. Estranho ver esse deslocamento de uma coisa que saiu de você. É esquisito mesmo ver como o texto toma vida própria. Ele, simplesmente, te esquece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa distância tem uma vantagem. Com o cordão umbilical arrancado à força e a tesouradas, o olhar para o texto muda totalmente. Ainda é o seu texto. Mas é como se você estivesse na sua casa, e, de repente, alguém liga dizendo que vai te visitar. Danou-se. Você enxerga a louça suja na pia, enxerga a marca quase imperceptível na parede, enxerga o taco solto,  o pó nos móveis. Enxerga tudo, enfim, que já estava lá, mas o seu olhar acostumado passava batido. É muito bom quando isso acontece. O olhar do autor se torna estranho ao próprio texto. Os defeitos aparecem. E a essa altura não se tem mais pena de mudar, cortar, riscar. Na verdade, nunca tive esse dedo leve. Sempre peguei com mão pesada. Já joguei fora, deletei, reescrevi. Reescrever, então, merece um capítulo à parte. Reescrever parece a recompensa de tudo que foi escrito. Está tudo lá, agora é só diversão.&lt;br /&gt;Dizer a mesma coisa de uma outra forma. Experimentar maneiras mais interessantes. Brincar com as palavras, a sonoridade, o ritmo. Sem pressa de seguir adiante. Passar um tempão bolirando um parágrafo, uma página. Delícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-115092587044852297?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/115092587044852297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=115092587044852297&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115092587044852297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/115092587044852297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/06/falso-ponto-final_115092587044852297.html' title='falso ponto final'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-114910908289728794</id><published>2006-05-31T16:47:00.000-04:00</published><updated>2006-05-31T16:58:02.920-04:00</updated><title type='text'>A criação para Scliar</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Vinte e uma coisas que aprendi como escritor&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Moacyr Scliar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que escrever é basicamente contar histórias, e que os melhores livros de ficção que li eram aqueles que tinham uma história para contar.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;que o ato de escrever é uma seqüela do ato de ler. É preciso captar com os olhos as imagens das letras, guardá-las no reservatório que temos em nossa mente e utilizá-las para compor depois as nossas próprias palavras.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;que, quando se começa, plagiar não faz mal nenhum. Copiei descaradamente muitos escritores, Monteiro Lobato, Viriato Correa e outros. Não se incomodaram com isto. E copiar me fez muito bem.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;que, quando se começa a escrever, sempre se é autobiográfico, o que - de novo - não prejudica. Mas os escritores que ficam sempre na autobiografia, que só olham para o próprio umbigo, acabam se tornando chatos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que, para aprender a escrever, tinha de escrever. Não adiantava só ficar falando de como é bonito ( ... )&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que uma boa idéia pode ocorrer a qualquer momento: conversando com alguém, comendo, caminhando, lendo (e, segundo Agatha Christie, lavando pratos).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;que uma boa idéia é realmente boa quando não nos abandona, quando nos persegue sem cessar. O grande teste para uma idéia é tentar se livrar dela. Se veio para ficar, se resiste ao sono, ao cansaço, ao cotidiano, é porque merece atenção.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que aeroportos e bares são grandes lugares para se escrever. O bar, por razões óbvias; o aeroporto, porque neles a vida como que está em suspenso. Nada como uma existência provisória para despertar a inspiração literária.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que as costas do talão de cheque é um bom lugar para anotar idéias (é por isso que escritor tem de ganhar a grana suficiente para abrir uma conte bancária). O guardanapo do restaurante também serve, desde que seja de papel e não de pano. (...)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que o computador é um grande avanço no trabalho de escrever, mas tem um único inconveniente: elimina os originais, os riscos, os borrões, e portanto a história do texto, a qual - como toda história - pode nos ensinar muito.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que a mancha gráfica representada pelo texto impresso diz muito sobre este mesmo texto. As linhas não podem estar cheias de palavras; o espaço vazio é tão eloqüente quanto o espaço preenchido pela escrita. O texto precisa respirar, e quando respira, fica graficamente bonito. Um texto bonito é um texto bom.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; a rasgar e jogar fora. Quando um texto não é bom, ele não é bom - ponto. Por causa da auto-comiseração (é a nossa vida que está ali!) temos a tentação de preservá-lo, esperando que, de forma misteriosa, melhore por si. Ilusão. É preciso ter a coragem de se desfazer. A cesta de papel é uma grande amiga do escritor. (...)&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;a não ter pressa de publicar. Já se ouviu falar de muitos escritores batendo aflitos, à porta de editores. O que é mais raro, muito mais raro, são os leitores batendo à porta do escritor.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; a não reler meus livros. Um livro tem existência autônoma, boa e má. Não precisa do olhar de quem o escreveu para sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que, para um escritor, um livro é como um filho, mas que é preciso diferenciar entre filhos e livros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que terminar um livro se acompanha de uma sensação de vazio, mas que o vazio também faz parte da vida de quem escreve.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI &lt;/strong&gt;que há uma diferença entre literatura e vida literária, entre literatura e política literária. Escrever é um vício solitário.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; a diferenciar entre o verdadeiro crítico e o falso crítico. O falso crítico não está falando do que leu. Está falando dos seus próprios problemas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;APRENDI&lt;/strong&gt; que, para um escritor, frio na barriga ou pêlos do braço arrepiados são um bom sinal: um livro vem vindo aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-114910908289728794?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/114910908289728794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=114910908289728794&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114910908289728794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114910908289728794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/05/criao-para-scliar.html' title='A criação para Scliar'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-114660744454052980</id><published>2006-05-02T17:06:00.000-04:00</published><updated>2006-05-02T18:15:16.953-04:00</updated><title type='text'>O PONTO FINAL</title><content type='html'>Sim, confesso, estou vivendo a crise do ponto final. Essa paisagem tortuosa e torturante, sedutora e irresistível, esse ponto-horizonte que persigo dia a dia, frase a frase, pelo qual me lanço a passos largos e miúdos, arfante e incansável, língua de fora, boca seca, esperançosa e desejante. A visão alucinada de teclar o &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;na última página e ver o espaço branco depois, de quem não tem mais nada a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acostumada com contos, cujo ponto final é um horizonte próximo e provavél, entrei na escrita deste romance sem saber o que me esperava: dias, meses, anos convivendo com os personagens, seus caminhos, suas emoções, seus destinos. São vidas inconclusas que te acompanham até serem concluídas, e ninguém mais pode concluí-las, a não ser quem as inventou. No conto, as vidas se concentram intensas e os personagens vivem determinada experiência e pronto. No romance, os personagens envelhecem junto com o autor. Sei que não é assim com todos, mas está sendo assim comigo. É um fio que se estica até não poder mais, é dormir e acordar acompanhada dos personagens e de suas tramas. É muita gente para uma cama só! Os personagens são pessoas egoístas, eles invadem a sua vida e não querem saber. A invasão é, ao mesmo tempo, bem-vida e mal-vinda. Eles não sabem que existe uma coisa chamada limite. E parece que o escritor também não. Há dias que nos entendemos há mil maravilhas, outros dias a comunicação é cheia de ruídos, impossível. Há dias de silêncio, dias de euforia. Dias emotivos, dias de planejamento. São &lt;em&gt;&lt;strong&gt;muitos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; dias até o último.&lt;br /&gt;É uma delícia, confesso.&lt;br /&gt;E também não é.&lt;br /&gt;Porque parece que tem um mundo dentro de você querendo sair de uma vez só num jorro incessante intenso explosivo de efeito imediato e definitivo - como no conto -&lt;br /&gt;mas este mundo sai pouco a pouco num processo pingado de gotas extensas e profundas - mas lentas e de efeito prolongado - como o romance&lt;br /&gt;É como ter uma panela pressão na cabeça, que deixa o ar escapar num fio para não explodir. Ou como estar numa grande sala lotada de gente com uma única saída para todo mundo. Não adianta, tem que sair um de cada vez.  &lt;br /&gt;Até a última pessoa deixar o salão.&lt;br /&gt;Até a última frase despontar no horizonte.&lt;br /&gt;Até chegar a hora do ponto final.&lt;br /&gt;Explico: não é o desejo de me livrar do trabalho, como se fosse um fardo. Não é isso. O processo é maravilhoso, escrever é minha alegria. Não é isso. É a necessidade de ver o mundo criado pronto, erguido, construído. No conto, este mundo se ergue rápido. Fica a estrutura pronta para ser retrabalhada nos detalhes. No romance, essa construção é uma grande obra. Por isso, quero o ponto final, para poder me afastar e ver de longe como é afinal este mundo que construí.&lt;br /&gt;Enquanto isso, pelo menos aqui: &lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-114660744454052980?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/114660744454052980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=114660744454052980&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114660744454052980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114660744454052980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/05/o-ponto-final.html' title='O PONTO FINAL'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-114572656085273625</id><published>2006-04-22T13:19:00.000-04:00</published><updated>2006-04-22T13:22:40.866-04:00</updated><title type='text'>Hoje</title><content type='html'>Tudo inteiro&lt;br /&gt;O todo completo&lt;br /&gt;Como a palavra no verso&lt;br /&gt;Como quando o sentido&lt;br /&gt;Encontra a forma&lt;br /&gt;Poesia e prosa&lt;br /&gt;Você o verso&lt;br /&gt;Eu a prosa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-114572656085273625?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/114572656085273625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=114572656085273625&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114572656085273625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114572656085273625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/04/hoje.html' title='Hoje'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-114563629156093321</id><published>2006-04-21T11:50:00.000-04:00</published><updated>2006-04-21T12:18:11.610-04:00</updated><title type='text'>Vozes de Virgínia Woolf</title><content type='html'>Escrever este romance tem me exigido um tempo imenso, dilatado no próprio tempo, impossível para os compromissos diários, incompatível com a realidade. Um tempo implacável, que pede silêncio e solidão. Pensamentos obscuros, sentimentos intensos. O olhar parado sobre as coisas, esperando, esperando, esperando... o quê? De repente, sei. São as palavras e as imagens que chegam, precisas, como se estivessem se organizando no escuro antes de aparecer. Me arrepia tudo isso. Nunca senti esse deserto ao escrever. Um deserto povoado pelos personagens. Diariamente, eles vão se tornando cada vez mais vivos, mais fortes do que as pessoas. São quase quatro anos, afinal. É um tempo que nao reconheço nas páginas escritas. É como se existissem tempos diferentes entre a criação e a criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que faz parte do imaginário - do processo criativo - se torna real.&lt;br /&gt;O mais real. Dá para ver, tocar, cheirar, falar, responder, escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virgina Woolf ouvia vozes, agora entendo o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São fantasmas sem espíritos. Fantasmas da própria imaginação. A louca da casa, como diz Rosa Monteiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-114563629156093321?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/114563629156093321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=114563629156093321&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114563629156093321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/114563629156093321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/04/vozes-de-virgnia-woolf.html' title='Vozes de Virgínia Woolf'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113692269008846819</id><published>2006-01-10T15:43:00.000-04:00</published><updated>2006-01-10T15:51:30.103-04:00</updated><title type='text'>Cortázar</title><content type='html'>"A literatura é para mim uma atividade lúdica, lúdica naquele sentido que dou ao jogo, à brincadeira, mais aquilo que você conhece bem: uma atividade erótica, uma forma de amor."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113692269008846819?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113692269008846819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113692269008846819&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113692269008846819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113692269008846819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/01/cortzar.html' title='Cortázar'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113629793030810470</id><published>2006-01-03T09:15:00.000-04:00</published><updated>2006-01-03T10:23:43.880-04:00</updated><title type='text'>Por uma literatura sem pudor</title><content type='html'>"O escritor contemporâneo, inspirado pelo escritor rebelde de Cortázar, impõe a si mesmo o desafio expressivo que percebe de sua época, de seu tempo, e que se torna a sua saga pessoal. Para ele, a aventura de escrever não se limita a colocar palavras no papel e contar bem e com alguma graça uma história (essa habilidade é o início e não o fim de sua vocação). Tampouco é utilizar as mesmas armas agressivas do escritor rebelde contra a tradição, já que as mesmas já se tornaram com o tempo, uso e repetição também uma espécie de tradição. Este escritor percebe que muito já foi feito, desfeito, dito, redito e sente no ato de escrever um tipo de saturação do próprio verbo. Há tantas formas possíveis de se contar uma história que ele se pergunta se todas já não foram feitas e refeitas exaustivamente nas últimas décadas.&lt;br /&gt;Enquanto a tradição exalta a linguagem como a expressão mais bela e precisa do ser humano e de seus costumes, a vanguarda quer destruí-la em sua superfície de vidro e gelo, perfurar o seu conteúdo e alcançar o cerne que exprima além dos costumes humanos. Por sua vez, enquanto a vanguarda faz a escavação profunda do verbo, desconstruindo muitas vezes significantes e significados, na busca de criar uma linguagem original para cada situação a ser expressa, o escritor contemporâneo une a esta atitude, que ele não vê mais como um &lt;strong&gt;manifesto&lt;/strong&gt;, mas como uma proposta artística, uma profunda desconfiança de que mesmo as mais diabólicas distorções, as mais radicais experiências dos modos verbais, que buscam exprimir a vida humana da forma mais vital e original possível, contêm dentro de suas explosões e brilho o elemento corrosivo da autodestruição. Dessa forma, além do desafio de, diante de todas as realizações literárias passadas e presentes, criar uma linguagem própria, uma escrita singular, o escritor contemporâneo ainda pode descobrir no meio do caminho que, mesmo cavando o túnel e abrindo espaço dentro da terra rígida, encontrará inevitavelmente dentro da própria linguagem limites comunicativos intransponíveis. [...] E, ao se assumir a limitação como parte integrante da própria natureza do verbo, esta se torna, por sua vez, expressiva. E alcança um grau de comunicação estabelecido não só por aquilo que se diz, mas, principalmente, pelo o que se deixou de dizer. [...] de alguma forma, o elemento corrosivo - a impossibilidade- incorpora-se ao processo comunicativo e este comete a mágica proeza de comunicar, não só o que é possível, mas também a própria incomunicabilidade." (p.42-43)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um trecho da minha dissertação, chamada &lt;em&gt;Por uma literatura sem pudor&lt;/em&gt;. É sobre o escritor contemporâneo diante das experiências estéticas da vanguarda e da tradição. A idéia é a de que escritor contemporâneo tem o desafio mais do que antropofágico de absorver/entender/deglutir/vomitar as propostas e se posicionar diante delas, mas o desafio maior de ultrapassá-las, em busca de sua voz original. Esse esforço de cavar o túnel da matéria já estabelecida na linguagem literária e tentar sair do padrão (da vanguarda ou da tradição) na busca de uma voz narrativa realmente própria e autêntica é o trabalho mais belo e desafiante do escritor contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, é necessário uma posição do escritor diante da história literária. Essa posição indica a formação de uma proposta artística. Um diálogo que se cria diante de tudo que já foi feito na linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu entender, é clara, de maneira geral, a forte continuidade de uma linha estética mais tradicional. Porém, há escritores que apontam em seus textos outros desejos expressivos, outras referências artísticas. Em seus trabalhos, percebe-se que essa inquietação não se satisfaz com os limites da representação realista, evidenciando a noção de que esta possui ferramentas expressivas para e de uma época específica que hoje não dão conta, nem poderiam mesmo dar, das necessidades e possibilidades das relações e vidas contemporâneas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a tradição não dá mais conta do recado, com suas descrições e explicações, o desafio é entrar no caminho da experimentação da linguagem, o mais estimulante e criativo, sem se deixar seduzir demais por ele, a ponto dele se tornar o fim e não o início do caminho. Que seja o início da busca pela voz original do escritor, e não o objetivo principal, experimentar por experimentar. Que o objetivo principal do escritor seja encontrar a sua voz narrativa singular. O seu jeito único de ver e dizer o mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113629793030810470?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113629793030810470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113629793030810470&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113629793030810470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113629793030810470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2006/01/por-uma-literatura-sem-pudor.html' title='Por uma literatura sem pudor'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113586461516680020</id><published>2005-12-29T09:36:00.000-04:00</published><updated>2005-12-29T10:04:46.366-04:00</updated><title type='text'>livros devoradores</title><content type='html'>Saudade de devorar um livro e de ser devorada por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De não conseguir largar o coitado. Ficar pensando nele. Sonhar com os personagens. Sentir a falta deles na rua quando o livro está em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão aqui não é voltar aos clássicos, como se com eles a fome fosse certa. Não é. Há muitos chatos, há muitos maravilhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão não é contrapor clássico X contemporâneo como se agora não se escrevesse livros devoradores. Essa visão seria simplista, anacrônica. Se escreve, sim, livros devoradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem colocar em pauta a experimentação X tradição, medindo as duas forças e qualificando uma em detrimento da outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até porque entre uma e outra dou a mão aos que colocaram a linguagem ao avesso e ainda tentam levá-la a caminhos originais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é uma certa percepção de que há uma idéia meio formada de que experimentar na linguagem significa abandonar história e personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando digo história, digo experiência, vivência, não uma historinha careta com início-meio-fim. Às vezes a experiência de um segundo na vida de alguém, um pensamento, uma descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resultado muitas vezes monótono é uma voz falante e vertiginosa que na verdade não tem vertigem nenhuma dentro de si, apenas o movimento que se acha que a vertigem tem. Muito racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais leio mais concretizo a idéia de que experimentar na linguagem é experimentar os modos de contar a história, os modos de tratar o personagem, tirar dos parâmetros estabelecidos, fazer de outra forma. É a relação original entre os elementos da escrita que faz a narrativa ser única e apaixonante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma é muito importante, mas ela nasce de algum lugar, e, ao meu ver, não é do escritor. Da vontade pessoal do escritor. Ela nasce do imaginário, faz parte deste lugar que é a literatura.&lt;br /&gt;A literatura é um universo próprio. E, por mais que seja praticamente irresistível, sedutor e fascinante, não é o escritor que mora nesse universo, é a escrita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113586461516680020?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113586461516680020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113586461516680020&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113586461516680020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113586461516680020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/12/livros-devoradores.html' title='livros devoradores'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113563180991180028</id><published>2005-12-26T17:14:00.000-04:00</published><updated>2005-12-26T17:16:49.923-04:00</updated><title type='text'>De um leitor que não é um qualquer...</title><content type='html'>Sabe, às vezes a gente se cansa de tanta experimentação...&lt;br /&gt;Às vezes a gente só quer se sentar e ouvir uma boa história...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113563180991180028?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113563180991180028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113563180991180028&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113563180991180028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113563180991180028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/12/de-um-leitor-que-no-um-qualquer.html' title='De um leitor que não é um qualquer...'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113442516972580472</id><published>2005-12-12T17:42:00.000-04:00</published><updated>2005-12-26T18:19:39.326-04:00</updated><title type='text'>Uma Menina</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/menina.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/menina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma menina abria o livro - coração aos pulos - ávida para ver nas páginas vidas, situações, sentimentos que ela não conhecia. Ou conhecia, conhecia muito bem, a ponto de doer de alegria ou de dor mesmo se encontrava no papel o que tinha no peito.&lt;br /&gt;Ler não era nada intelectual para essa menina. Aliás, ela nem conhecia essa palavra. Ler era muito mais uma... aventura... uma brincadeira... um susto?&lt;br /&gt;Ler era uma delícia.&lt;br /&gt;Tanto que essa menina quis logo aprender a escrever. Não porque a escola mandava, mas porque escrevendo ela ia poder fazer suas histórias também.&lt;br /&gt;E fez.&lt;br /&gt;E cresceu.&lt;br /&gt;E crescendo não se sabe porquê a moça foi achando que escrever as histórias era uma coisa muito mais da cabeça do que do... do que mesmo?&lt;br /&gt;Não, não era do coração, isso seria muito sentimental para essa moça tão estudada.&lt;br /&gt;Da imaginação, talvez.&lt;br /&gt;Isso, imaginação pode, porque também se localiza na cabeça, que nem o pensamento, a razão.&lt;br /&gt;Mas a diferença é que a imaginação se faz de muito sonsa, sabe. Finge que vai ficar só por ali mesmo na cabeça, mas de repente dá um pulo e voa.&lt;br /&gt;A moça fica assustada. Esse vôo tem forma? Esse vôo tem estilo? Esse vôo tem ritmo? Esse vôo se basta como vôo? Esse vôo tem influência de outro vôo? Esse vôo já foi feito? Esse vôo voa sozinho? Esse vôo precisa ser refeito? Esse vôo vai ficar voando assim? Esse vôo não pára? Esse vôo não aterriza?&lt;br /&gt;Aterriza, moça.&lt;br /&gt;Aterrizou.&lt;br /&gt;E pode voar de novo?&lt;br /&gt;Pode, moça.&lt;br /&gt;Mas, como?&lt;br /&gt;Ué, a moça não estudou tanto?&lt;br /&gt;Estudei, mas nos estudos não tem essa parte, de alçar vôo. Nos estudos a gente só pensa do vôo quando já é vôo, não antes de ser. Antes de ser, eu não sei.&lt;br /&gt;Ninguém sabe, minha menina.&lt;br /&gt;Então?&lt;br /&gt;Não era melhor ter deixado voar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113442516972580472?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113442516972580472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113442516972580472&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113442516972580472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113442516972580472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/12/uma-menina.html' title='Uma Menina'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113441279381079846</id><published>2005-12-12T14:32:00.000-04:00</published><updated>2005-12-26T18:14:45.420-04:00</updated><title type='text'>pensar e escrever</title><content type='html'>Pensar sobre a escrita? É bom. Estudar autores, textos, estilos, técnicas. Mas há a hora de deixar os dedos correrem apenas. Apenas sentir. Apenas escrever. Sem pensar no resultado. Sem pensar na opinião das pessoas. Sem lembrar que existem pessoas. Sem lembrar de outro universo a não ser aquele que está sendo escrito/criado. Escrever sem perseguir nada. Querer nada. Escrever apenas. Deixar as palavras saírem, puro movimento sem elaborações. Palavra como respiração. Abandonar o intelecto. O intelecto quer sempre uma forma, um estilo, uma direção. Ser direção nenhuma. Deixar que a forma se faça por si mesmo, se se fizer. Deixar o amorfo, se for o caso. O amorfo é forma sem forma. Deixar a palavra nascer da própria necessidade dela. Do próprio grito, da própria urgência, do próprio sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrar que escrever é imaginar. Lembrar que a imaginação tem forma própria. É só deixar acontecer. É só não criar teorias sobre.&lt;br /&gt;Escrever imaginando, não teorizando. Pensar sobre a escrita, sim. Escrever pensando, não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113441279381079846?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113441279381079846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113441279381079846&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113441279381079846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113441279381079846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/12/pensar-e-escrever.html' title='pensar e escrever'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113249784336487804</id><published>2005-11-20T12:44:00.000-04:00</published><updated>2005-11-20T10:46:48.713-04:00</updated><title type='text'>Demais</title><content type='html'>E de repente a percepção que as palavras extrapolaram os sentidos&lt;br /&gt;tornaram-se sentido nenhum&lt;br /&gt;tornaram-se qualquer sentido&lt;br /&gt;tornaram-se o que se torna quando nada&lt;br /&gt;quando tudo quando tanto faz&lt;br /&gt;E de repente a vontade de emudecer&lt;br /&gt;juntar cá dentro as palavras&lt;br /&gt;como quem reune forças&lt;br /&gt;como quem armazena alimento&lt;br /&gt;para hibernar como urso grande e quieto&lt;br /&gt;De repente a vontade de cobrir, de esconder, de criar obstáculos, etapas&lt;br /&gt;para o que estava tão à mostra, tão às claras, tão fácil&lt;br /&gt;De repente a vontade do difícil, do complexo, da economia&lt;br /&gt;do poupar-se&lt;br /&gt;de repente o silêncio por fora pode fazer as palavras mais fortes&lt;br /&gt;aqui dentro&lt;br /&gt;de repente&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113249784336487804?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113249784336487804/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113249784336487804&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113249784336487804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113249784336487804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/11/demais.html' title='Demais'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113103196500086567</id><published>2005-11-03T13:31:00.000-04:00</published><updated>2005-11-03T11:34:52.360-04:00</updated><title type='text'>Desejo de Noll</title><content type='html'>"Mas isso que você chama de imagético eu chamo também de pele da linguagem. Que tem uma musicalidade. Alguma coisa ligada à fome de beleza [...] acho que é uma certa compensação, pelo menos na minha luta de chegar à poesia. Estou querendo cada vez mais esse hibridismo - prosa e poesia - mas que não seja aquela prosa poética um pouco engalanada, que não me interessa. Mas reconheço no meu texto uma vertigem musical. [...] Acho importante que exista realmente uma questão explícita onde possa ser apresentado realmente um estilo musical - que tenha, digamos, um pouco de religiosidade, de repetição, de ladainha. [...] Claro que esta busca pela beleza não passa pelo ideal clássico, cadavérico, pronto, amplamente posto nos altares; mas uma beleza que seja furiosa, que seja até deselegante, horrorosa, feia. A literatura não é um documento naturalista. A gente tá empapuçado de naturalismo. E a literatura necessita de uma transfiguração estilística. Aquela utopia do Álvaro Ítalo: toque no meu poema, toque no meu poema. Minha utopia hoje é dissolver as fronteiras entre prosa e poesia. Tento captar a realidade através do que a linguagem me indica. [...] Realmente, o que vai me puxar, me arrastar e me movimentar em direção à ação do livro não é uma idéia de conteúdo prévio, mas é aquilo que a linguagem vai abrindo para mim. Como se realmente a linguagem fosse um exercício desejante de ação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                                                                         João Gilberto Noll&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113103196500086567?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113103196500086567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113103196500086567&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113103196500086567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113103196500086567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/11/desejo-de-noll.html' title='Desejo de Noll'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113103154722452823</id><published>2005-11-03T11:14:00.000-04:00</published><updated>2005-11-03T11:31:08.466-04:00</updated><title type='text'>Mistérios de Clarice</title><content type='html'>"Não pinto idéias, pinto o mais inatingível "para sempre". Ou "para nunca", é o mesmo. E antes de mais nada te escrevo dura escrita. Quero como poder pegar com a mão a palavra. A palavra é objeto? E aos instantes eu lhe tiro o sumo de fruta. Tenho que me destituir para alcançar cerne e semente de vida. O instante é semente viva."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;* * * *&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;"A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas desequilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas - escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio."&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;* * * *&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Clarice Lispector, em Água Viva&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113103154722452823?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113103154722452823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113103154722452823&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113103154722452823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113103154722452823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/11/mistrios-de-clarice.html' title='Mistérios de Clarice'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096504741015275</id><published>2005-11-02T18:56:00.000-04:00</published><updated>2005-11-02T16:57:27.410-04:00</updated><title type='text'>Estética</title><content type='html'>Desvios na narrativa. Um olhar diferente no modo de contar a história. O lado oblíquo das coisas. Quase que ver pelo avesso, ver por dentro, como uma câmera intrusa dentro de um corpo, o personagem, o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me parece muito mais interessante do que virar simplesmente o texto de cabeça pra baixo, por virar. Tirar vírgulas, por tirar, buscar um vistuosismo da forma, que é forma virtuosa, mas não é estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estética é quando o autor cria sua própria lógica, seu próprio organismo vivo com a linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muito complexo criar uma voz narrativa original. Complexo, não de grau de dificuldade, mas de pensamento sobre a escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guimarães, Clarice, Hilda, Noll, Cortazar, Calvino, Borges, Kafka, Becket e poucos outros fazem isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096504741015275?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096504741015275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096504741015275&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096504741015275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096504741015275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/11/esttica.html' title='Estética'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096336741147985</id><published>2005-11-02T16:22:00.000-04:00</published><updated>2005-11-02T16:29:27.413-04:00</updated><title type='text'>Ressurgindo</title><content type='html'>Demorei tanto para fazer o blog que, quando finalmente faço, um problema técnico fatal não me permite postar mais, de repente. Desde setembro que venho tentando, e nada. Enfim, resolvi fazer este blog novo, colando os post do outro, aos poucos. &lt;br /&gt;O &lt;a href="http://www.apequenamorte.blogspot.com/"&gt;http://www.apequenamorte.blogspot.com/&lt;/a&gt;ainda existe, mas desapareceu para mim, nao faz login, nada. Mistérios sem explicações do mundo dos Blogs.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096336741147985?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096336741147985/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096336741147985&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096336741147985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096336741147985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/11/ressurgindo.html' title='Ressurgindo'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096126190390699</id><published>2005-08-15T11:52:00.000-04:00</published><updated>2005-11-02T15:54:21.903-04:00</updated><title type='text'>Rosas de Guimarães</title><content type='html'>E se as unhas roessem os meninos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096126190390699?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096126190390699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096126190390699&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096126190390699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096126190390699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/rosas-de-guimares.html' title='Rosas de Guimarães'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096101291814181</id><published>2005-08-10T10:51:00.000-04:00</published><updated>2005-12-26T17:58:09.033-04:00</updated><title type='text'>Sobre Literatura feminina</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/clarice.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/clarice.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/hilda.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/hilda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Para começar, um detalhe curioso: sempre que participo de uma mesa de bate-papo com outras escritoras, é fatal a pergunta sobre literatura feminina. Ela existe? onde está? o que é? é um pássaro? um avião? a mulher-maravilha?O curioso é que, quando estou entre escritores másculos e barbados essa pergunta não aparece para mim. Para eles, muito menos. O que perguntam? Sobre linguagem, estilo, história, personagens, tramas, criação, enfim, sobre literatura.É por essas e outras que torço o nariz quando escuto o adjetivo feminina atrás do substantivo literatura. Parece que, nós, escritoras, estamos atrás da substância – a literatura – tentando alcançá-la como um objeto distante e estranho – já que não estamos implícitas dentro do reino da palavra literatura, como estão os escritores, precisamos ao menos estar ao seu lado, com o adjetivo "feminina".Ok. Posso estar exagerando. Exagero ou não, vamos lá.No encontro Livros na mesa, "Nova literatura brasileira", uma jovem fez a pergunta, dizendo que, no mestrado, ela está estudando uma disciplina sobre literatura feminina e entendeu que o termo se refere a algo mais do que a determinação se é um homem ou uma mulher que está escrevendo, mas a algumas características no texto ditas como femininas: delicadeza, leveza, sensibilidade, lirismo, subjetividade, etc.Por exemplo, o texto da Patrícia Melo não seria feminino, o da Adriana Lisboa, sim. O do Caio Fernando Abreu, segundo esse conceito, seria também.Eu, que também fiz mestrado de literatura e também entrei em contato com a "literatura feminina", sempre questionei essa posição. Para mim, se ser "feminino" virou uma espécie de estilo literário, não tem nada a ver com o sexo de quem escreve, que se arrume outro nome, ora, outro conceito. Que seja, literatura "sensível", ou, "literatura da delicadeza", enfim. A Adriana Lisboa falou e disse que esse conceito é equivocado, esteriotipado: ser feminino é ser necessariamente delicado? É ser sensível? Subjetivo? É falar da família? De amor? Ora, digo eu,&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/ligia.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/ligia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; a mulher também não tem a sua brutalidade? Paixão? Insensibilidade? Peso?A leveza, ao meu ver, faz parte das qualidades expressivas da linguagem de um texto, de sua tessitura, assim como a densidade, o peso e a crueza. Se a Adriana trabalha a leveza em seu texto, é porque essa qualidade a interessa literariamente, não porque ela é mulher.Cercar o feminino de características cria um padrão inviolável de expectativas: aprisiona.Por isso, talvez, eu disse lá, um crítico se surpreendeu, no meu livro, por encontrar um conto cujo protagonista é um homem, e outro que são dois homens, narrados na primeira pessoa. Ora, surpresa fiquei eu com a surpresa dele. Escrever sobre homens me interessa da mesma forma que escrever sobre mulheres. O impulso imaginativo é o mesmo. Estamos falando de pessoas, ora bolas.Aí alguém lá comentou: mas aí é um ponto de vista feminino sobre os personagens masculinos. Respondo: Claro. Como as personagens femininas escritas por homens têm o ponto de vista masculino. Mais do que natural e esperado. Estranho porque me parece uma questão muito básica se preocupar se quem escreve é homem ou mulher, ou até se tal texto só poderia ser escrito mesmo por um homem, ou por uma mulher.Também me surpreendeu algumas resenhas sobre 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, organizada pelo querido Luiz Ruffato. Alguns &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/marcia.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/marcia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;críticos ressaltaram também o fato de algumas escritoras terem protagonistas masculinos, como se isso fosse um grande avanço. O subtexto é perigoso: mulher escrever sobre mulher e seus dramas é lugar-comum!Mas já? Poxa! Começamos a tão pouco tempo...! O século XIX ainda está aí, nos pegando pela barra da saia, ou da calça. Há outro subtexto também muito perigoso: como se falar do drama feminino fosse "menor", fosse a parte do drama humano.É por essas e outras, que torço o nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  Sobre Literatura Feminina - II - O retorno &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/cecil.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/cecil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/clarice2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/hilda.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ainda de nariz torcido:Acho que não se pode falar mais em literatura feminina da maneira que esse termo é usado geralmente, como um adjetivo que classifica e encerra o assunto. “As escritoras fazem literatura feminina”, isso soa redundante e banal demais. Mulheres e homens escrevem e é meio óbvio que cada gênero/sexo possui um olhar próprio e uma qualidade diferenciada desse olhar. Mas, dentro dessa diferenciação homem/mulher há a pessoa, há as vivências, particularidades e estilos de cada um, que, no meu entender, são o que mais contribuem para essa ou aquela escrita, e não simplesmente o sexo de quem escreve.&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/ligia.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/marcia.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Não é possível colocar no mesmo lugar a literatura de Hilda Hist e a de Clarice Lispector, a de Márcia Denser, Raquel de Queiroz e a de Lygia Fagundes Telles, como não e possível colocar no mesmo lugar Nelson Rodrigues e Guimarães Rosa, Raduan Nassar, Sérgio Sant'Anna e Graciliano Ramos. Entendo que, como no século XIX, as mulheres que escreviam viviam sob o preconceito e a invisibilidade, no século XX, as escritoras que emergiram tenham causado impacto e deixado suas marcas, pois estavam trilhando um caminho até então cerrado. É natural, portanto, que o termo “literatura feminina” tenha surgido quase como que uma demarcação de território, uma conquista. Assim como no século XX se deu os estudos do feminino na literatura e a questão de gênero. Tudo isso é e foi necessário, e é nesse sentido que eu entendo “literatura feminina”. Não entendo, por exemplo, quando estabelecem características fixas, como: subjetividade, sentimentalismo, temas cotidianos da “mulher” (leia-se: coisas de casa, marido, filho, etc.; como se apenas as mulheres vivessem essa realidade). Para mim, é uma visão que não só reduz como procura desqualificar o trabalho de escritoras totalmente diferentes em seus temas e linguagens.Clarice, por exemplo, é muito estudada, pois se tornou praticamente o ícone das escritoras, é talvez o nome mais conhecido, quase institucionalizado. Provavelmente, ela não iria gostar muito dessa institucionalização, pois a sua escrita está longe do cânone e do convencional. Mas não adianta, quanto mais estudam e pesquisam Clarice, mais o enigma se afirma. Acho que a sua obra é referência para qualquer escritor, homem ou mulher. Livros como Água Viva, A maçã no escuro, Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Cidade Sitiada e os contos de Laços de família e Felicidade Clandestina são construídos com narrativas tão diversas que não dá para falar que o texto de Clarice é sempre subjetivo, intimista, reflexivo, portanto, simplesmente “feminino”, isso reduz a imensa escritora que ela é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096101291814181?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096101291814181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096101291814181&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096101291814181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096101291814181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/sobre-literatura-feminina.html' title='Sobre Literatura feminina'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096092098026321</id><published>2005-08-08T02:10:00.000-04:00</published><updated>2005-11-02T15:48:40.980-04:00</updated><title type='text'>Agenda</title><content type='html'>Agenda&lt;br /&gt;No sábado, dia 6, participei do evento Livros na Mesa, organizado pela Estação das Letras.Estava muito bem acompanhada pela querida Adriana Lisboa, belíssima escritora. Lemos textos inéditos e batemos papo com o pessoal. No próximo post dou mais detalhes sobre o encontro. Adianto alguns tópicos sobre (com) os quais (nos) debatemos: Literatura feminina, diferenças da escrita nos gêneros literários, processo criativo, labuta do dia-a-dia e escrever, entre outros.Começa hoje - Oba! - a Oficina de contos que ministro na Estação das Letras.De agosto a novembro de 2005Segundas-feiras, de19:30h às 21:30hOficina de criação literária - Construção do ImaginárioEstação das LetrasRua Marquês de Abrantes 117 lj. 107Flamengo - tel: 3237-3947 -Rio de Janeiro.&lt;a href="http://www.estacaodasletras.com.br/"&gt;http://www.estacaodasletras.com.br/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096092098026321?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096092098026321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096092098026321&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096092098026321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096092098026321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/agenda.html' title='Agenda'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-113096082400149272</id><published>2005-08-05T21:09:00.000-04:00</published><updated>2005-12-26T18:05:18.216-04:00</updated><title type='text'>Redemoinho</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/rede.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/rede.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que venho experimentando no romance é o tempo. Em vez de contar a história de forma linear, início, meio, fim, ou de experimentar misturar início-no-fim- fim-no-meio-fimício-e-fimeio, ou só-início, só-fim, só-meio, achei que essa história específica ficaria interessante se contada num tempo espiralado. É mais ou menos assim: um fio de história puxa outro e outro e outro... que retorna ao outro ao outro que puxa o outro e outro e volta ao outro e assim vai que vai meu deus do céu e da terra! Tudo já aconteceu e acontece ao mesmo tempo. Tudo já existe e existiu, e tudo se condensa no instante narrado. Presente pretérito. Quando comecei, achei uma delícia. Continuo achando. Mas depois das cem páginas, precisei ter uma memória elefântica. Não tenho. Então tive que anotar tudo. Tudo mesmo, o que já foi dito, feito, pensado, informado, vivido, sonhado. A repetição acontece, sim, mais por uma questão de perspectiva da história do que por efeito. Se tiver efeito, oba também. Não pode ser é por esquecimento da escritora. Tenho que reler muito tudo também, o que às vezes toma tempo demais e me deixa puxando os cabelos (puxar, sim, arrancar, nunca). &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/espiral.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/espiral.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/redemo3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/espiral.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As imagens da espiral e do redemoinho sempre me ajudam. Olhando assim, é embrulhado. Mas existe uma ordem no caos que me guia. No redemoinho, há um eixo bem condensado no meio com estilhaços e nuvens ao redor, que também são o redemoinho. Na espiral também há entrecruzamentos por todos os lados. Assim funciona a história. O desafio é trabalhar nessa direção e manter a clareza. A minha e a da escrita. Uma das maneiras que encontrei para não estremecer, largar tudo e sair para o primeiro chope da esquina a cada vez que penso no tamanho da moda que inventei - ou da armadilha em que me meti (e talvez esse seja um dia &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/redemo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/redemo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;desses de largar tudo e partir para o primeiro chope da esquina) – é simplesmente enfocar parte por parte. Isso significa, fio de história por fio de história, frase por frase. Parar quantas vezes for necessário, voltar, se necessário. Quer dizer, me transformar num mestre Zen, se necessário. E se possível. Se impossível, só me resta fechar os olhos e entrar no redemoinho para ver onde ele quer me levar afinal. Às vezes, ou na maioria das vezes, a própria escrita indica o caminho. Acredito nisso. Ou é isso, ou o chope da esquina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-113096082400149272?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/113096082400149272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=113096082400149272&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096082400149272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/113096082400149272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/redemoinho.html' title='Redemoinho'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-112734687623822179</id><published>2005-08-02T17:54:00.000-04:00</published><updated>2005-09-21T20:01:29.000-04:00</updated><title type='text'>Água Viva</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/images22.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/images2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/images31.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/400/images3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordo com a mão dele entre as minhas coxas. Sonhava com chuva escorrendo pelos dedos. Não abro os olhos. Abro um pouco as pernas. Água viva. Ah. Sonhava com o mar deixando a pele salgada. Sim, a água aqui é viva e ele não sabe que não estou mais dormindo, que abro um pouco os olhos e o vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento ter um mínimo de ordem. Mas como organizar a corrente? Quem se apaixona &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/images.jpg"&gt;&lt;/a&gt;não quer conselhos. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/images.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/400/images.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que diga tenha calma. Não quero ter calma. Não coloco uma parte do corpo de cada vez, como quem entra na água fria. Vou inteira (me coloco inteira). Dentro da paixão não há mínimo. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/images4.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Socorro. &lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/images41.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/400/images41.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-112734687623822179?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/112734687623822179/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=112734687623822179&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112734687623822179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112734687623822179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/gua-viva.html' title='Água Viva'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-112734558902373406</id><published>2005-08-01T20:52:00.000-04:00</published><updated>2005-09-21T19:33:09.030-04:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/Artaud.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/Artaud.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu relanço para o Deus que me fez&lt;br /&gt;essa alma como um incêndio que o cure de criar..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                    Antonin Artaud&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-112734558902373406?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/112734558902373406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=112734558902373406&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112734558902373406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112734558902373406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/eu-relano-para-o-deus-que-me-fez-essa.html' title=''/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16892847.post-112713751550169047</id><published>2005-08-01T14:38:00.000-04:00</published><updated>2005-09-19T09:45:15.506-04:00</updated><title type='text'>Diário de bordo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/1600/di??rio.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/3445/1376/320/di%3F%3Frio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/di??rio1.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/3846/1376/1600/diario3.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Resolvi colocar por aqui o que já tenho feito faz tempo e deixado nas gavetas virtuais do meu PC: um diário de bordo das alegrias, angústias e descobertas do processo criativo: escrever.&lt;br /&gt;Ultimamente, tenho me envolvido muito com o aspecto da criação literária. Não só porque estou em pleno processo, escrevendo meu romance, mas porque estou lendo/ruminando muito sobre isso e voltada para o processo criativo também dos meus alunos da oficina da criação literária.&lt;br /&gt;Olho para eles e olho para mim.&lt;br /&gt;São tantos estilos e modos de escrever, tantas possibilidades, tantas entradas e saídas nas palavras, na linguagem, na forma, no corpo do texto, no desespero da frase, na visão da escrita, na busca frenética da voz narrativa, tantas quedas e descobertas inesperadas, aflitas, autênticas, forjadas, ilusórias, iludidas.&lt;br /&gt;Tanta coisa encontrada, jogada fora, emoções cavucadas, feridas, inventadas, resgatadas, imagens estimuladas, emergentes, necessárias, estraçalhadas, silenciosas, cândidas, urgentes.&lt;br /&gt;Histórias que nascem de uma música, um som, uma imagem, uma frase, uma palavra, um vento, um homem sentado no banco da praça, uma mulher atravessando a rua, uma criança chorando, uma notícia do jornal, um amor morto, uma lembrança enterrada, um desejo impossível, ou possível por que não, uma garrafa de vinho bem tomada, um porre de uísque barato, um estranho que nos aborda, uma vontade que perdemos, uma mesa posta, uma mão sangrando, uma decepção horrível,uma unha encravada, uma cama desfeita, pessoas que se perdem,pessoas que se acham,pessoas que se separam, pequenas mortes.&lt;br /&gt;Diário de bordo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16892847-112713751550169047?l=apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/feeds/112713751550169047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16892847&amp;postID=112713751550169047&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112713751550169047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16892847/posts/default/112713751550169047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://apequenamorteeoutrasnaturezas.blogspot.com/2005/08/dirio-de-bordo.html' title='Diário de bordo'/><author><name>Claudia Lage</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12119432298324293144</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
